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Desafio de Escrita

Tema #8 - A Caracol

05
Nov19

Querida Daniela, 

Não tenhas medo. 

Não tenhas medo de ser desengonçada, que gozem contigo por teres três pés esquerdos ou que se riam da tua passada enquanto corres. 

Ninguém é perfeito, ninguém faz tudo bem e ninguém quer que sejas perfeita. Vais descobrir que o humor é um forte aliado e, antes que gozem contigo, serás tu a fazê-lo. Vais rir muito de ti e isso vai dar-te a altura que não tens e encobrir a coragem que te falta. 

Nunca te envergonhes de ti, das tuas tropelias e das tuas asneiras: a genuidade é coisa rara nos dias que correm e ser ainda algo que muito boa gente não aprendeu. 

Deixa-me, contudo, alertar-te: nem toda a gente vai gostar de ti. Não fiques triste e não tentes bater no ceguinho para ele ver como és fixe. Isso é ser parvo e perder tempo. Não sejas parva e não percas tempo. Quem estiver contigo, vai fazê-lo porque gosta genuinamente de ti não porque te quer agradar. 

Da mesma forma, não estejas do lado de alguém só para lhe agradar ou porque não gostas de ser desagradável. Não faças com os outros o que não gostavas que fizessem contigo, mesmo que isso te afagasse o ego. 

Vais aprender muito ao longo da tua curta vida. Como num prato de degustação, guarda o melhor para ti. À informações que nem toda a gente precisa de saber, por vezes basta a superficialidade e só ela já será suficientemente difícil de engolir para quem a ouve. 

Não duvides de ti. Nunca. És mais forte do que aparentas, mais inteligente do que te julgam e com mais estofo do que o teu estômago julga. Se algum dia duvidares disso, volta atrás no tempo e lembra-te dos papões que transformaste em pilhas de roupa lavada e cheirosa, devidamente arrumada nas gavetas da memória. Não foi um trabalho fácil, mas será algo que te permitirá, no futuro, consultar o passado sem grande dor e sem o peso da revolta. 

Não compres guerras que não são tuas. Não herdes quesilías que não te envolveram. Não culpes ações por situações que não viveste. 

Mantém sempre presente que o passado e as memórias fazem parte de cada personalidade e que dores, por muito que nos doa, não se comparam nem se medem como farinhas para um bolo. 

Por fim, minha querida, o teu pior medo, aquele que guardas só para ti e que insistes em nunca verbalizar, vai tornar-se  real. Não o temas, não lhe faças frente, não culpes ninguém. Ele vai levar-te tudo o que tens como certo, mas vai também ensinar-te a desenvecilhar sozinha. Vais ficar sozinha, mas vais perceber que não tens que estar sozinha e que há muros em que um pequeno empurrão para passar o outro lado é bem vindo.  

Não negues ajuda quando precisares dela. Não queiras levar a carga toda sozinha, deixa os super heróis para a Marvel. Não é vergonha cair e precisar de ajuda até conseguir equilibrar os joelhos. 

Sê grata, não sempre, mas para sempre. Por quem tens contigo, porque tem ensina todos os dias, pelo que ja aprendeste, por tudo o que te ainda te falta descobrir. 

Acima de tudo, lembra-te: mesmo no meio do caos é possível encontrar resteas de felicidade, humor e motivos para rir. Não tenhas medo de rastejar para os encontrar, são eles que vão valer a pena. 

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Sê feliz, nem que seja só um bocadinho, todos os dias. 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

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