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Desafio de Escrita

Tema #3 Osapo

03
Out19

Uma moca junto ao canal …

Entramos (Diana e eu) num Bulldog perto da Dam Square, da cadeia The Bulldog Amsterdam, a coffeeshop mais antiga de Amesterdão, cidade onde há mais de 200 estabelecimentos (alguns com 40 anos).

É um espaço pequeno, onde o cheiro entranhado se agarra à roupa e se cola à pele. Em destaque o menu e um letreiro de proibição de fumar … tabaco!

Aconselhados pela empregada (Anna) escolhemos reefers (cigarros de cannabis pura) e joints (cigarros de cannabis misturados com tabaco), ambos light (THC baixo), e chá de hortelã.

Trouxe-nos os 2 cigarros (já enrolados), o chá e um prato com 2 bolos (space cakes feitos com cannabis), oferta da casa, disse-nos.

Lá fora chovia o que ajudou o nervosismo a fluir. O chá, juntamente com os cigarros (fumo espesso), os bolos (com travo a especiarias), a música, as pessoas e, claro, o odor que inundava o espaço, caiu-nos tremendamente forte. E os efeitos apareceram rapidamente.

Parou de chover e saímos a rir. As gargalhadas marcavam o ritmo dos passos.

Estávamos próximo da Red Light. Numa das montras vi uma mulher em exposição. Tinha uma pila enorme que chegava-lhe aos joelhos. Passamos pelo Museu do Sexo. A porta de entrada tinha a forma de uma vagina gigante ladeada por uns enormes pelos loiros.

A luz dos candeeiros, em rotação, emitiam uma rosácea com milhões de cores diferentes. E alguns postes dobraram-se para nos sorrir.

Esticava os braços e quase tocava nas estrelas com os dedos. Estava lua cheia e caminhei para uma ponte que não existia. Por pouco não malhava no canal.

Nenhum de nós via as mesmas coisas. Não percebíamos as nossas conversas, porque o riso sufocava as palavras.

Resolvemos ir de Táxi para o hotel. No percurso via semáforos vermelhos flutuantes que o motorista teimava não respeitar.

Quando chegamos surge uma mota a sair pela parede de tijolo vermelho da receção. Lancei-me ao chão para escapar.

Lembro-me de ver pela janela do quarto um cogumelo gigante a formar-se ao longe. Respirávamos ao ritmo das gargalhadas.

Os efeitos da moca ainda iam demorar.

Acordei bem para lá do meio-dia. Estava em paz, apesar das dores nos maxilares.

Já voltei várias vezes a Amesterdão depois desta viagem. Hoje, às memórias, por causa deste desafio dos pássaros.

As imagens nunca mais foram iguais àquelas. Sempre psicóticas e sempre diferentes.

Mas ao despertar, os maxilares continuam a doerem-me exatamente da mesma forma …

 

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