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Desafio de Escrita

Tema 2 - Rita

02
Jun21

Naquele dia, decidiu finalmente aprender o maravilhoso segredo da Alquimia. Sempre se sentiu atraída pela magia e pelo desconhecido. Tudo o que sabia vinha do que tinha lido nos livros. Queria aprender, saber e quem sabe um dia ela própria ensinar os seus alunos. Tornar-se Mestre!
Tinha-lhe sido informado que o velho Alquimista vivia no cimo da montanha Verde, para lá do bosque Encantado. Já percorrera mais de 500 kms a pé. Estava exausta e com fome e nem sombra da dita cabana. Sabia que vislumbraria de longe o fumo a sair da chaminé, tal como a Professora lhe havia referido durante a longa conversa durante o encontro combinado ao fim dos longos 6 meses de espera. Teve de fazer um "pequeno" curso (como a Professora gostava de lhe chamar) antes de ser considerada apta a entrar no núcleo.

Chegara finalmente o momento por que tanto desejara e agora que estava quase lá a sua única vontade era de dar meia volta, voltar ao seu quarto na velha estalagem e tomar um banho!

Sentia-se esgotada e enganada! Percorrera um longo caminho para ali chegar e agora que aqui estava parecia que o seu objectivo estava cada vez mais longe de ser alcançado! Queria desistir!
Mas não o iria fazer. Já há muito tempo que sonhava com isto não iria agora perder esta oportunidade!

Continuou, assim, a subir pelo caminho de pedra até que se sentiu de repente vigiada. Parou por um breve minuto e olhou para trás. Não viu ninguém, nem as folhas das árvores pareciam mexer-se. Ao voltar-se de novo, um homem alto com uma longa barba branca olhava para ela com um sorriso nos lábios.

- Pensava-a já perdida, menina!- disse este continuando a sorrir e voltando-se de seguida na direção oposta.

Ela ficou por momentos imóvel sem saber se estava ainda a respirar, o coração parecia ir salta-lhe do peito. Como sabia ele que ela chegaria? Pelo que a Professora lhe tinha contado, o velho Alquimista não tinha qualquer contacto com a civilização, à parte os peregrinos que de tempos a tempos percorriam longos quilómetros para verem com os seus próprios olhos se era verdade a lenda que lhes era contada desde crianças.

Quando voltou a si já o Alquimista ía a uns bons passos de distância em direcção a um pequeno portão quase imperceptível entre dois grandes carvalhos. Percorreu um pequeno jardim muito florido e entrou numa pequena casinha de madeira.

A primeira coisa que lhe veio à cabeça ao entrar na pequena casa, ao contrário do que sempre imaginara que aconteceria quando finalmente chegasse a este momento, não foi, afinal, onde estaria o fogão onde faria todos as suas experiências químicas, mas sim que não lhe parecia ali haver espaço nem para duas pessoas se sentarem, quanto mais para aprender alguma coisa de Alquimia!

No entanto, entrar na cozinha seguindo o velho, percebeu, olhando pelo canto do olho, que não era naquele fogão onde iria começar esta fase da sua nova vida!

 

Rita escreve aqui