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Desafio de Escrita

Tema #11 José da Xã

23
Nov19

A luz da manhã incidiu nos seus olhos ainda fechados, acordando-o.
Dormira bem! Espreguiçou-se e saiu da cama de forma calma. Voltou a espreguiçar-se…

Entrou no corredor e reparou numa roupa estranhamente espalhada pelo chão: umas calças de ganga aqui, uma blusa acolá, cuecas mais à frente, meias… e finalmente um soutien!

Pensou:

- Mas quem é esta que está cá hoje? Cada noite é uma diferente, pobre homem. Desde que a Beatriz se zangou com ele por causa daquela tal Constança…

Preocupado acabou por voltar atrás e foi-se novamente deitar.
Enroscou-se e adormeceu.

Já ia alto o Sol quando ouviu chamar:

- Aissú, Aissú acorda… vamos à rua dar uma volta.

Abandonou novamente a sua cama devagar, aproximou-se de e recebeu uma longa e saborosa festa. Finalmente a rua onde pode aliviar-se e rever a cadela do segundo andar, uma cocker que ele tanto adorava. E ela a ele!

Malquíades sempre fora de poucas palavras, mas de muitos afectos.
Tardes inteiras deitados no sofá com o seu amigo a ler e ele a dormitar, numa modorra contagiante.

Regressaram ambos a casa.

- Vá companheiro… deixa-me arrumar esta roupa espalhada que à tarde tenho de sair…

Nova festa por baixo do seu focinho. Aissú devolveu-lhe uma lambedela em compensação. Era assim a amizade entre ambos… repleta de troca de mimos.

Voltou para o seu costumado lugar no sofá, quando não estava a dormir e aguardou que Malquíades o brindasse com aquele biscoito que ele tanto adorava.

Chegara àquele lar havia pouco tempo, mas a relação entre ambos assumira-se profunda e sem exigências. Havia ainda coisas para perceber e habituar-se, que compreendia essencialmente horários. Mas com o tempo Aissú acreditava conseguir lidar com facilidade com Malquíades. O único problema seriam aquelas meninas que todos os dias, ou melhor noites, surgiam na casa. Algumas temiam-no, é certo, mas também havia razão para tal porque ele nunca lhes mostrava grande simpatia e um rosnar era o sinal.

Sempre gostara de Beatriz… Mas esta deixara de aparecer… e ele tinha pena.

Um barulho confuso veio de dentro da casa, provavelmente do quarto onde uma amiga colorida dormia ainda… Não se moveu. Apenas abriu um olho e esticou uma orelha para se certificar.

De repente apareceu na sala envolta num roupão de Malquíades e com uma caixa repleta de biscoitos:

- Bom dia Aissú!

O cão ladrou de alegria:

- Beatriz!

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

José da Xã escreve aqui

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