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Desafio de Escrita

Tema #11 Fátima Cordeiro

27
Nov19

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Intervenção da narradora-autora: Quando pensara num fim-de-semana fora da rotina, romântico, Guilherme pensara em sexo e comida. Já Matilde pensara em comida, conversas que começassem de manhã e terminassem de madrugada e algum sexo. Mas nenhum teve o que quis. Isto porque depois de quatro horas de expresso, mais uma hora para encontrar o hotel, uma hora para check-in e uma sesta (que ninguém é de ferro) e meia hora para um almoço rápido na tasca mais próxima, apareceu um animal nesta história. Chamava-se Constante, era um cão vadio e tinha acompanhado Pedro Orce na Jangada de Pedra. O cão veio gorar todos os planos do casal, como o próprio vos explica:
Constante: Fui ter com eles quando estavam a sair do restaurante. Falavam pouco. Havia tensão no ar. Mas ao mesmo tempo andavam de mãos dadas, como dois namorados. Fui atrás deles, era irresistível. Eram novos na terra, por isso não me mandaram uma pedra para eu fugir. Andei atrás deles por três ruas até que ela deu por mim. Ela tinha uma sandes que eu comi. Foi tudo o que eu quis! Continuei atrás deles enquanto eles visitavam a cidade.
Quando entravam em monumentos eu ficava cá fora e depois que saiam, continuava atrás deles. Foram lanchar a uma pastelaria e ela pediu um croissant para mim. Mas ele já começava a ficar cansado da minha presença e chateou-se com ela. Depois saíram da pastelaria. E eu atrás deles. E ele zangado. Mas ao mesmo tempo começou a olhar para mim com outros olhos. Continuei atrás deles: mais umas voltas à cidade e anoiteceu. Eles decidiram ir jantar ao hotel. Eu continuava atrás deles.
E então ele tomou a decisão mais inesperada (isso disse ela depois): trazer-me para o hotel escondido. Eles jantaram no bar do hotel. E tudo o que sobrou trouxeram para eu comer.
Nessa noite nenhum de nós dormiu. Eles preocupados que eu fizesse barulho.
O último dono deixou-me nesta “Cidade dos Arcebispos”. Cidade cheia de gente hostil porque conhecem a minha gula infinita. Ah, verdade. Não dormi porque estava com fome. O jantar sobre a pouco. Ele teve de vir ao bar do hotel buscar alguma coisa para mim às 5h da madrugada.
A vida de cão vadio é boa, mas um cão também precisa de quem cuide de nós. Por isso quando o dia nasceu tive esperança de finalmente ter encontrado novos donos.

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Fátima Cordeiro escreve aqui

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