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Desafio de Escrita

A Vingança - A Caracol

13
Nov19

Paraíso. 

Soube que estava no céu assim que o viu. 

A imagem que trazia guardada na memória, gasta e envelhecida, não fazia jus à sua figura. 

O cabelo negro, levemente ondulado. A tez de pele morena, imaculada, uma barba perfeitamente aparada. Os olhos negros, como duas azeitonas reluzentes, brilhavam quando lhe retribuiu o olhar. 

Era por ele que ali estava. Só por ele valeram os anos de espera para chegar àquele instante em que o tempo pára e tudo parece fazer sentido. 

- Nunca pensei que conseguisses! - disse-lhe por entre lágrimas, num abraço apertado. 

- Por ti, tudo! 

Demoraram-se naquele primeiro encontro, entre risos e gracejos, sempre de mãos dadas, com cumplicidade que caracteriza os grandes amores. 

- Como vamos fazer com o teu pai? 

Finalmente verbalizara a pergunta que tanto lhe perturbava a mente e tantos pesadelos lhe causou. 

Aquela era a pedra no sapato deles. 

- Terá de se habituar. Eu já sou crescidinho... Os tempos mudaram, até para quem vive eternamente. Em última instância, podemos sempre mudar de lugar, um sítio mais quente... Ou não queres, 'Dolfinho? 

- Por ti, Jesus, tudo! Até o vale dos judeus ou o campo de trabalhos forçados eterno. Ao teu lado, meu querido judeu primogénito e amado, qualquer balneário a gás é o paraíso. 

A Vingança #Just Smile

10
Nov19

        Desde que me lembro de ser gente que gosto de doces. Praticamente qualquer doce, sou uma gulosa de primeira. Adoro rabanadas, leite creme, aletria, bolos de chocolate e afins. Adoro tudo o que adoce a minha alma, tudo o que tenha açúcar é bem vindo para aconchegar os dias maus e para celebrar os dias bons. Adoro sentir o cheirinho pela casa de um bolo acabadinho de sair do forno. Sou apaixonada por crepes com compota, chocolate ou simplesmente açúcar e canela. Nos dias em que me sinto mais em baixo é nas coisas doces que me refugio, não como feita maluca, mas dificilmente me escapo de comer qualquer coisa docinha durante o dia. Até que o horror surgiu na minha vida, ‘intolerância à lactose’, este nome pomposo surgiu na minha vida há alguns anos e os doces passaram a ser o meu amor proibido, pelo menos tudo o que é confecionado fora de casa. Tenho saudades de comer um bom éclair, cheio de chocolate e creme, morro um bocadinho por dentro de cada vez que vejo bolachas amanteigadas e que não as posso acompanhar com o chá. E os gelados? Tenho tantas saudades de um Magnum Double de Caramelo! Sei que há substitutos, a maioria das coisas confeciono em casa, ainda assim? Não é a mesma coisa, o que eu queria mesmo era neste momento ir a uma pastelaria, com um bom livro e comer o belo de um éclair acompanhado com uma chávena de chá. Desde alguns anos que vejo os doces nas pastelarias como um amor proibido, um amor que me quer matar de cada vez que é provado e por isso, só por isso, morro de amores por algo que não posso ter. É tão triste haver estes amor proibidos…

Tema da semana: Amor Proibido

Just escreve aqui

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A Vingança #Magda

08
Nov19

Desde o primeiro dia que fez aquele caminho e que a viu, percebeu que ela era diferente. Não sabe ainda explicar bem o que se passou mas ela chamou-lhe a atenção com aquele ar feliz e despreocupado. E ele, que nunca ali tinha passado, decidiu que aquele caminho seria feito todos os dias até que ela reparasse nele.

E assim foi. De manhã, no seu passeio, lá passava por ela. Tentava falar com ela mas ela respondia numa língua estranha. Não faz mal, pensava ele. Haveremos de nos entender.

À tarde, lá passava ele de novo. Falava para ela e ela respondia. Mas nenhum se entendia.

E ela? Bem, ela achava-o um gato! Não o entendia bem – isto de falarem línguas diferentes tinha este problema – sabia que não devia gostar dele mas era um gato! Como não se apaixonar por ele? Aqueles momentos em que ele passava por ali eram a alegria de ambos.

Porque o portão estava sempre fechado…. Ela bem queria sair para ir ter com ele mas não a deixavam. Ele queria entrar para estar com ela mas não o deixavam.

Até que um dia…

O portão ficou aberto por acidente. Ela quis sair à procura dele mas antes de o fazer, ele entrou. Aninharam-se os dois para que não os separassem.

No fim daquele dia maravilho, chegou um carro e o portão finalmente fechou-se.

- Olha agora… a nossa Daisy aninhada com um gato. Não querem lá ver a patuda. Não era suposto um cão e um gato não se darem?

- deixa, se eles se entendem, ficamos com ele também. Não os vais separar, não é? Estão ali com um ar tão feliz que seria um crime.

- Não, claro que não. Temos é de voltar a sair para comprar comida para o Donald, o gato.

 

Tema: Um amor proibido

Magda escreve aqui

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A Vingança #Alexandra

07
Nov19

Ele sabia que não o podia amar a não ser platonicamente. Sabia que se lhe tocasse tudo acabaria e não mais podia apreciar a forma linda com que enfrentava o mundo, como que flutuando ao vento.

Ele ia pela mão daquela miúda, que se achava tão dona dele, sem sequer imaginar que, do outro lado da rua, alguém o desejava abraçar, mesmo sabendo que não o podia fazer.

- Não podes viver esse amor, lamento.

- Mas amar não devia ser proibido.

- Neste caso é. Amar tem que ser uma coisa boa, não podes estragar a vida dos outros só porque tens desejos por alguém.

- Mas e os meus sentimentos?

- Só pensas neles? Não queres saber dos sentimentos da miúda se o perdesse? E ele? Como seria quando o magoasses?

- Mas eu não o vou magoar...

- Claro que vais. Se avançares com essa ideia de o quereres para ti, vais acabar com ele. Sabes bem que, mesmo não querendo, magoas sempre os outros.

- Oh... Olha, a miúda largou-o da mão...

- Para, não vás lá...

- Vou. É a minha oportunidade...

Lá foi, o mais rápido que conseguiu. Abeirou-se dele e assim que lhe tocou...

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Quem viu, nem queria acreditar.

A rapariga chorou e ele afastou-se lentamente. Nada mais podia fazer pelo ser amado.

Triste, olhava para trás, ainda assustado diga-se, com o barulho e o estrago que o seu ato irrefletido causara. Foi motivado por sentimentos profundos, mas ainda assim, tinha acabado com a existência daquele que tanto queria.

Foi um momento de dor, mas aprendeu que afinal existem amores proibidos. Jamais um porco espinho pode concretizar o seu amor por um balão.

 

Tema: Um amor proibido

A Alexandra escreve aqui

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A Vingança #Mula

06
Nov19

Quero-te!

 
"Não posso ficar!"
 
Mas fica só mais um pouco, depois vais. Cobre-me só mais um pouco com os teus beijos, agarra-me mais um momento com as tuas mãos. Deixa-me fechar os olhos e imaginar que és meu só durante mais um bocadinho.
 
 
"Sabes que não posso ficar..."
 
Não vás já. Não me deixes já. Não estou preparado para ficar já assim sem ti e voltares para ela.

 
"Sabias desde o princípio que seria assim!"
 
Não fales do princípio. Não agora. No princípio é sempre diferente, mais consciente, mais coerente. No princípio era só cabeça, adrenalina, objetividade. Agora é corpo, é coração. É saudade. Fica comigo esta noite!
 
 
"Sabes que é proibido!"
 
Sabes que gosto do que não posso ter. Mas, sim é proibido, sei que o teu corpo nunca será meu, totalmente só meu. Apesar do teu coração não ter outro dono. Quero ser também o dono do teu corpo...
 
 
"Sabes que nunca poderás ser..."
 
E sei que por isso nunca serás feliz. Ao lado dela não és tu, não poderás nunca ser tu, sabes que só te expressas livremente comigo, sabes que só és verdadeiramente tu, comigo. Sabes que não serás feliz com mais ninguém... Ou pelo menos não com ela. Deixa-a. Fica comigo...
 
 
"Sabes que é impossível..."
 
Não é impossível... É apenas cobardia. E nem é por medo dela... Mas sim da sociedade. Advogado, pai de filhos e gay... O que dirão do advogado, casado com filhos e gay? Um dia vais-te cansar de seres infeliz... Impossível é que isso dure para sempre. Fica comigo, agora!
 
 
"Sabes que te amo..."
 
Não é suficiente para seres feliz, e já não é suficiente para eu ser feliz...
 
 
"Um dia eu luto por nós..."
 
Quando esse dia chegar já eu estarei cansado de amar um cobarde... Deixa-me lutar a teu lado. Eu protejo-te!
 
 
 
*
Deu-me um beijo e saiu. Fiquei com a certeza que foi o último. Sim, foi o último. Não viveu, não lutou, não foi feliz. Viveu apenas, na memória, o amor que o seu coração deixou, mas que a sociedade nunca aprovou. 
 
 

 

Mula escreve aqui

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A Vingança - FatiaMor

05
Nov19

Uma lágrima aflorou naqueles olhos azuis e caiu no abismo, sulcando o rosto e manchando a camisa de seda de branca. Clara passou a mão pelo rosto, como quem confirma o destino final da lágrima e se conforma com a sensação de desesperança.

Chorar é tempo perdido. Auto-comiseração é uma batalha perdida, numa guerra que está longe de terminar.

Recordou a noite anterior, quando sentada naquela mesa, soberbamente preparada, jantou meia sopa, sozinha. A amarga refeição de quem anseia por um amor obliterado pelo tempo, por uma tentativa de suplantar o passado.

O espelho daquela cabine de provas estava impecavelmente iluminado; uma luz forte e branca incidia sobre os seus olhos e dava-lhe uma tez de mártir, capaz de figurar num quadro das paredes do Louvre. A empregada perguntou, discretamente, se podia entrar. Já tinha o vestido consigo, pronto para a uma última prova.

Clara suspirou com intensidade, pediu mais uns minutos para despir o resto da roupa e deixou que empregada entrasse e a vestisse.

Gritos de antecipação ouviam-se no exterior, na expectativa de ver as outras mulheres que experimentavam vestidos. Uma e outra vez palmas, gritos, outras risos de exclamação e negação.

Clara estava só. A empregada, condoída da situação, tentou fazer as vezes da entourage em falta. Que linda que está! Veja bem como este modelo a faz tão elegante!

Agradeceu a cordialidade de quem vende, como quem agradece um remédio amargo. Consentiu todas as modificações e vestiu-se, em seguida, para logo acertar data da entrega. Quando é o casamento? Daqui a quinze dias. Estava quase a tornar-se uma mulher casada, mesmo contra o escárnio da mãe e da irmã. Ia casar. Ser feliz. Ou quase. O que a vida lhe permitisse. A empregada sorriu ao ver a sombra nos olhos, procurando animá-la. Estes dias são os piores, mas não se preocupe, tudo vai correr bem.

Clara saiu da loja, derrotada. Entrou, 200 metros depois, na pastelaria. Sentou-se e admirou os éclairs, as tartes de limão merengado, o red velvet com cobertura de queijo creme. A empregada abeirou-se para cumprir o pedido. Que vai ser, menina?

Clara suspirou, novamente, a segunda vez naquele dia. Uma água, por favor.

Entreolharam-se com surpresa. Clara desconhecia aquela força interior. A empregada com assombro, registou o pedido e retirou-se para junto da colega. Já viste? Uma água.

Clara continuou a admirar os bolos coloridos, enfeitados, perfeitos, enquanto sentia o seu corpo e a sua alma em desalinho. Aquele havia de ser um amor proibido para toda a vida… E se ela traísse… só hoje… só uma vez… Não voltaria engordar 50kg de uma só dentada…

 

Traga-me um éclair, por favor!

 

Tema: Um amor proibido 

A Fatia escreve aqui

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A Vingança #Drama Queen

04
Nov19

Para algumas pessoas o amor não é proibido mas devia de ser totalmente interdito até terem capacidades para amar, vou contar uma história verídica, vou mudar os nomes para não serem identificados.

- Drama por favor fala com minha filha que não temos condições para ter um bebé, ela e o namorado aquilo mais dia menos dia parece-me grávida. – diz me uma utente que ia lá na recolha de alimentos.

- Eu não sou mãe dela, é melhor falar com a doutora que ela é psicóloga pode ajudar eu não tenho essas competências. Eu só sou uma administrativa!!! – Eu tentado sair a bem da situação.

- Ela não gosta doutora, ela contigo abre-se mais e tu não andaste na universidade? – estava a insistir.

- Andei mas não estudei essas áreas! Fazemos assim ela vem falar comigo, eu aconselho a falar com uma amiga minha que é enfermeira ela faz uma consulta de planeamento familiar. O que parece ? – Era a única solução que encontrei naquele momento onde sou apanhada de surpresa.

- Não sei mesmo! Era melhor falar contigo só – Eu não gosto muito de pessoas prefiro os cães, estão a ver a falar com uma adolescente...

- Eu não sou a melhor pessoa para falar desses assuntos com ela. Vou ligar agora para enfermeira marca-se logo. – para ver que a enfermeira é uma pessoa de confiança, até porque eu conheço a filha dela sei que a rapariga é muito bonitinha mas burra que nem um calhau com olhos. Lá marquei a consulta disse lhe o dia, eles (bonitinha e o namorado) foram a consulta os dois. Passados uns tempos...Liga-me a minha amiga enfermeira completamente histérica.

- Tenho uma noticia para te dar a bonitinha mas burra que nem um calhau com olhos está GRÁVIDA. - Disse me a precisar de um estalo para ver acalmar-se.

- Como?- Ela teve consulta, ela explicou-lhe como era a pílula, deram lhe caixas de pílulas para ela tomar...Como?

- Oh Drama! Tão simples um dia tomava ela a pílula no dia a seguir tomava ele.- Disse-me ela eu fiquei estúpida com a informação, com o acesso que eles tem a informação que existe hoje haver histórias destas neste século. O amor para eles devia ser proibido.

 

 

Tema: Um amor proibido

Drama escreve aqui

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A Vingança....

04
Nov19

Todas as semanas os participantes recebem um tema para escreverem. Alguns temas não tem sido fáceis, sabemos disso (e ainda vamos a meio...) por isso os pássaros alvoraçaram e decidiram dar uma hipótese de vingança. Houve inscrições e sorteio e quem ganhou o direito de nos indicar um tema foi o Osapo.

que escolheu o tema: 

Um amor proibido

As regras foram as mesmas. Em prosa ou poesia. Ficção ou realidade. E o máximo de 400 palavras. Podem ir ler as respostas nos blogs respectivos ou, em alternativa, neste blog nos próximos dias (intercalado com o tema #8).

E os Pássaros são: a Caracol, a Mula e Magda, Fatia, a Alexandra, a Drama Queen,JustSmile, e o Coiso.

 

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