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Desafio de Escrita

Tema #9 Triptofano

26
Nov19

O céu estava perfeitamente limpo, com a excepção de uma ou outra gaivota que desafiava as leis da física de tão anafada que era.

Uma onda mais rebelde devorou-lhe metade da perna esquerda fazendo-a acordar sobressaltada, com a cabeleira cheia de areia e o corpo totalmente desnudo a escaldar do sol impiedoso.

Olhou em volta numa mescla de surpresa e incredulidade - o que é que estava a fazer naquele areal? como é que tinha ido ali parar? quem era ela?

Atada ao pé, como se fosse um presunto duma loja gourmet, uma etiqueta dourada ostentava um nome em letras cursivas - Jocilene

Seria ela Jocilene? Não se conseguia lembrar do seu nome, mas a conjugação sonora das sílabas trazia-lhe alguma tranquilizante familiaridade.

Sem aviso, uma dor azul lancinante trespassou-lhe a cabeça fazendo-a cerrar furiosamente os olhos.

Ícaro.......Ondansentrons.......Neotigason

A glande do seu clitóris emergiu do prepúcio, e Jocilene percebeu instintivamente que estava em perigo. Olhou em redor e viu, no fundo do areal, umas figuras disformemente humanoides em tons de cinzento a flutuar lentamente na sua direcção.

Foge.....foge......foge......foge!

Correu o mais depressa que pôde em direcção à floresta que ficava a meia dezena de metros de onde estava, transitando da fofura da areia da praia para a aspereza do solo coberto de folhas de palmeira que lhe causou pequenos cortes nas palmas do pés, com a boca inesperadamente inundada de um sabor a chocolate-hortelã e a Gatorade de laranja.

Continuou a correr desvairada, assustada, embrenhando-se por completo na vegetação, até bater de frente com uma figura que também ela corria.

Não era um humanoide disformemente cinzento, mas sim um homem cuja principal característica era um Prince Albert, um piercing dourado que lhe fazia sobressair os atributos varonis.

Ícaro?

Não, Emanuel, ou pelo menos é o que a etiqueta diz. - apontando para a identificação do pé, exactamente igual à de Jocilene - Também viste as criaturas?

Os Ondansetrons? Sim, estavam no areal...

Como é que sabes o nome deles? Já os conheces? O que é que estamos aqui a fazer?

Eu não sei...- balbuciou Jocilene -...simplesmente sei.

Ok, não interessa. Vem comigo, há uma cabana a pouca distância daqui. Lá estaremos em segurança.

Emanuel recomeçou a correr pela vegetação e Jocilene seguiu no seu alcance, fitando-lhe o cu redondo saltitante.  Teve de se obrigar a controlar os pensamentos pecaminosos, precisava primeiro de ficar a salvo e perceber a situação em que se encontrava.

A cabana encontrava-se totalmente camuflada de olhares curiosos e no seu interior apenas existia um pequeno frigorífico.

Quando Jocilene passou a porta a dor lancinante voltou a trespassar-lhe a cabeça, como uma bomba atómica lançada na sua cavidade craniana.

Eles estão aqui.....eles estão aqui.....eles estão aqui....

O seu clitóris começou a vibrar descontroladamente. Estava em perigo, estava em perigo, ESTAVA EM PERIGO.

Jocilene, está tudo bem? - Emanuel pousou-lhe uma mão no ombro, mas não era uma mão humana, era um apêndice de três tentáculos com artroses que se lhe colavam à pele. Ele era um deles, ele era o perigo, ele ia matá-la....

Em cima do frigorífico estava um taco de golfe, que Jocilene ia jurar que antes não se encontrava lá, mas era a sua única chance.

Num salto agarrou a arma, e com um movimento digno de um filme de Hollywood, ao mesmo tempo que o clitóris explodia num orgasmo insano, rachou a cabeça do filho da puta do alienígena que a queria matar.

O corpo de Emanuel caiu inerte no chão e nesse preciso instante o crânio de Jocilene quase que implodiu com a estrastosférica dor azul que a invadiu!

***

Enfermeira, desligue o simulador de realidade virtual.

Samuel carimbou furiosamente uma data de papéis rubricando uma mão cheia de outros, que teria de levar de volta para o escritório amorfo onde trabalhava. Aquele escritório que parecia ainda mais deprimente desde que Beatriz lhe tinha dito que não.

Injecto mais uma dose de medicamento e volto a ligar o simulador para ver como a paciente se comporta desta vez Dr.Samuel? - perguntou a raquítica e macilenta enfermeira.

O telemóvel de Samuel vibrou. Uma mensagem.....de Beatriz!

Encontramos-nos numa hora no local do costume.

Samuel agarrou atabalhoadamente os papéis e dirigiu-se para a porta.

O estudo acabou Sra.Enfermeira. O novo medicamento está oficialmente aprovado. Obrigado pelo seu trabalho.

Mas, mas....o medicamento não é eficaz. Você viu que ela voltou a matar!

O nosso trabalho aqui não é saber se o medicamento é ou não eficaz, mas se é ou não seguro. Ele não matou a paciente, se a paciente mata alguém ou não isso já não é connosco. - disse Samuel - Como se a Sra.Enfermeira não soubesse como funciona a indústria farmacêutica. - acrescentou com um riso escarninho enquanto se dirigia para a porta.

Então e o que é que eu faço com ela? - perguntou exaltada a enfermeira.

Queime-lhe os miolos! Depois eu invento qualquer coisa no relatório. - disse Samuel batendo a porta atrás de si, correndo ao encontro de Beatriz.

A enfermeira encolheu os ombros. Ordens eram ordens!

Ajeitou os sensores fotovoltaicos nas têmporas de Jocilene, aumentou para o máximo a potência e preparou-se para carregar no botão.

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta 

Triptofano escreve aqui

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Tema #9 Peixe Frito

23
Nov19

Isto de se ser peixe, acordar em uma ilha deserta e núzinha em pêlo, como se veio ao mundo, têm muito que se lhe diga e pano para mangas - agora até dá jeito o pano para as mangas, com o frio que têm estado.

Não me importava que isso acontecesse, desde que tivesse comidinha, me pudesse abrigar numa palhota que tivesse uma cama de rede e ter como voltar - isto é mega importante. É a minha lista de exigências - de resto até às vezes sabia de facto bem estar numa ilha deserta, principalmente quando há malta a melgar como se não houvesse amanhã. A parte do nua, é que é menos agradável. Bom para o aspecto do bronze ficar uniforme mas nada apelativo andar com grãos de areia no bafunfo e na passarita. Digo eu!  Já viram bem o que é? Nada confortável.

Tinha era de ter cuidado com os coqueiros, porque isto de levar com um côco no alto da pinha mais o facto de ser peixe, dá cabo da memória em três tempos.

Se isso algum dia acontecer, de acordar nua, sem me recordar de nada, numa ilha deserta, que seja em um dia que eu tenho a depilação em dia, está bem? Não dá jeiteira nenhuma uma gaja andar em pelota com ervas daninhas nas pernas, tapete alcatifado na bichana e algas debaixo dos braços. Só de imaginar a situação, tenho logo pena de quem me iria resgatar.

Como lá fui parar? Isso agora... Também eu queria saber. Só Deus sabe. Aliás, acho que nem ele, mas deixem lá isso, que me vou deitar ali na cama de rede a beber uma água de côco fresca. Não me doa a cabeça.

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Peixe Frito escreve aqui

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Tema #9 Osapo

22
Nov19

Assustado, vi um mar verde pérola …

A música suave e o aroma de incenso relaxaram-me profundamente. Estava deitado e lentamente fechei os olhos e apaguei-me.

De repente sinto uma mão forte agarrar-me pelo tornozelo e a erguer-me desamparado. Estou no meio de um turbilhão de fumo que rodopia a grande velocidade. Grito, mas só ouço aquele som forte do vento a zumbir enquanto me elevam pelas argolas de névoa. Com pânico nos olhos vejo cada vez mais longe a cama onde me deitara.

Sou atirado de costas contra algo macio mas duro. Assustado, vejo um mar verde pérola e pequenas ondas que ritmadamente esfrangalham-se nos pés. Estou numa praia de areia clara e águas quentes, rodeado de vegetação tropical. Não vejo ninguém e reparo que estou nu.

Porra não fiz a depilação!”, penso.

Imediatamente surge um tentáculo rosado da areia que me agarra a coxa. Apavorado, vejo emergir um polvo gigante. Outros tentáculos enrolam-se no meu tronco e puxam-me para o mar. Em pânico espeto as mãos na areia e tento segurar-me. Em vão …

Arrastado,sou engolidomar dentro. Abro os olhos e vejo raios de luz que iluminam corais e peixes de cores e efeitos inacreditáveis.

Estou sem ar mas vejo uma sombra que rapidamente enfrenta o polvo que me liberta. Sou empurrado para a superfície. Respiro ofegante várias vezes.

A mulher sorri-me com uns lábios maravilhosamente desenhados e diz-me com voz cristalina:

Desafio dos pássaros, hein?”.

Dá-me a mão e conduz-me para a areia. Também estava nua e o corpo é deslumbrante. O toque e a elegância dos gestos sossega-me. Sorrio…

Deita-se em cima de mim. Coloca os lábios macios e quentes nos meusbeijando-me intensamente. Aos poucos as línguas enrolam-se dançando imersas num mar de saliva.

As mãos quentes percorrem-me o corpo com as unhas a sulcarem-me a pele, enquanto espeta-meos mamilos no peito.

Com os olhos focados nos meus, agarra-me o tesão e penetra-me nela, devagar, abrindo a boca enquanto a preencho. Encaixada, dança suavemente sob o meu ventre e geme baixinho acompanhado o ritmo …

Ouço um berro… que me desperta violentamente.

Abro os olhos e vejo a Márcia, com uma fita branca na mão cheia de pelos colados, olhando-meatordoada e curiosa.

Foco-me e percebo imediatamente que tinha sido eu a gritar daquela forma:

Oh f*dasse estou na esteticista!.

Sigo-lhe o olhar e coro quando percebo que o sonho está refletido no volume que se erguepujantedo meu corpo …

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Osapo escreve aqui

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Tema #9 Happy

21
Nov19

Não sei como vim aqui parar.

Estou nua, numa ilha deserta e a sorte deste tempo tropical, não me pressiona a arranjar imediatamente um abrigo. Tapei-me com uma folha enorme de bananeira (seria uma bananeira?) e fui palmilhar um bocado para tentar encontrar outros humanos. Não encontrei. Daí a minha afirmação de que estou aqui numa ilha deserta. Mas a ilha é grande e talvez do outro lado "deste agora meu mundo", consiga encontrar alguém. Talvez uma alma que como eu, tenha vindo aqui parar sem saber onde nem como...

Mesmo depois de ter percebido que não precisaria da folha, não a abandonei. Uma certa timidez não mo permite. Talvez se me transformar nalguma Robinsona Crusoéa acabe por me libertar. Estou a gostar do silêncio, mas tenho esperança de ser resgatada. 

De forma imediata, procurei comida. Encontrei bananas, côcos, umas bagas de que desconfiei e vou deixar para mais tarde - nada como esperar a ver se algum animalzinho as come... estou sozinha, mas não quero morrer envenenada! 

Depois de partir o côco contra umas pedras, consegui a água (que já sabia não gostar, mas não tenho grande escolha), lasquei a polpa e deixei ao sol para secar um bocado. Arranjei uma pedra e cortei umas rodelas de banana. Com texturas diferentes, não me farto tão rápido! Com as duas metades de côco, atei com um fio que encontrei por ali e apesar de ser demasiado pequeno (nota mental para tentar apanhar um côco maior!!) faz perfeitamente as vezes de soutien. Sinto-me a versão básica de uma boneca havaiana!!

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Happy escreve aqui

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Tema #9 Miluem

20
Nov19

Acordo depois de um belo sono profundo com raios de sol a baterem-me no rosto.

Que delícia, um amanhecer de sol depois de tantos dias de chuva.

Relutantemente e com preguiça abro os olhos, e vejo ... uma gaivota ??!!

"P. que pariu"! ... fecho os olhos. De certeza é um daqueles sonhos em que sabemos que estamos a sonhar.

Mas não é que volto a abrir os olhos e lá estão elas? Elas???

"Misericórdia" ... Fui abandonada de vez pelo Tico e pelo Teco...

Agora são 2 gaivotas e um coqueiro? E eu estou como vim ao mundo?

"Abrenúncia" que isto é de quem não "joga com o baralho todo", quem é que acorda nú numa ilha pouco maior que uma rotunda no meio do nada?

Problemas, só problemas!

Não faço a mínima ideia de como tal pode ter acontecido, por isso deixa cá formular algumas hipóteses, a ver se alguma "tem ponta por onde se lhe pegue":

- No Purgatório pedi o Livro de Reclamações por causa do filho da P. do Hitler.
Exigi voltar à minha vida, "na maré" introduziram mal as coordenadas no GPS e em vez de ter ido para casa vim parar à ilha,

- Fui raptada por extraterrestres que estão a estudar humanos estranhos. Como sabem que na Terra é habitual deitar o lixo para qualquer lado fizeram o mesmo, "na volta" e eu aterrei na ilha,

- Sou uma anginha papuda que durante a noite teve insónias e deu voltas a mais na núvem e "esborrachou-se" cá em baixo,

- Sou uma Sereia, uma tempestade rompeu as algas que me seguravam e deixou-me à beira-mar, estava a "dormir como uma justa" e não dei por nada.

Já estou há muito tempo fora de água, a minha linda barbatana já se transformou num par de pernas peludas.

Humm...

- Até já, o mar está tão sereno, vou aproveitar...

 

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Miluem escreve aqui

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Tema #9 Outra

19
Nov19

Tenho frio, tento puxar a manta,

Não percebo, mas que raio aconteceu?

Abro os olhos e vejo areia, é tanta!

Não consigo entender onde estou

Que dia é hoje ou como aqui cheguei,

Não me lembro de nada do que se passou!

Uma coisa é certa, não gosto de dormir nua

Pelo menos umas cuecas,

Não vá ter de me levantar e sair disparada para a rua!

Gosto da ideia da ilha deserta

Mas preferia acordar acompanhada

Ia haver diversão na certa!

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

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Tema #9 Belinha

14
Nov19

No Verão anterior, Simão, 14 anos bem encorpados, acompanhara a primita Lúcia ao Casino para receber um jogo da Majora que ela tinha ganho no concurso. Neste, apostara com ela que ficaria em 1º lugar. Nunca supus ser a sereia que um dia o mar depositara nos braços daquele beirão moreno e de olhos pestanudos, quando, de férias na praia da Claridade, anos 60, as nossas famílias, a banhos, se conheceram. Mais novo, marinheiro de água doce no amor, a voz embargava-se-lhe quando me dirigia a breve palavra, o que eu tomava por juvenil timidez.

E foi assim que acordei nua e só numa ilha deserta sem me lembrar de nada. Simão, ajoelhado, transpirava ao sol, a cabeça protegida por um boné, o tronco nu curvado. Movimentando os braços e mãos num afã amoroso, penteava os cabelos longos com os dedos, enfeitava-me o peito de conchas e búzios, acariciando cada curva com enlevo. O júri avisou bem alto o termo do tempo. Ele sentou-se junto a mim, deleitado. Quis erguer a mão para festejar os seus caracóis negros e foi quase trágico. O antebraço desfez-se no ar. Sobravam breves minutos para Simão recompor a construção de areia.

Uma moldura humana rodeava o recinto, pais, mães e curiosos, ansiando a coroação dos pequenos grandes artistas. O júri atravessou vagarosamente o areal construindo castelos no ar com palavras de apreciação. Porém, à vista daquela ousada nudez, apenas questionaram:

– Nº 23, menino Simão Tavares, “Mulher nua numa ilha deserta”, certo?

Não, não. Aquela era Isabel, a sua paixão, que, filas adiante, apoiava a prima Lúcia, Nº 7. Chamara-a insistentemente com o olhar mas ela apenas se chegou ali já o concurso acabado:

– Tenho tanta pena que não tenhas ganho. Já pensaste um dia ser escultor?

As palavras dela souberam-lhe a tão pouco que foi dar um mergulho. Deixou a água do mar temperar-lhe o corpo e o espírito por longa hora. Quando voltou a multidão tinha dispersado e ele deitou-se ao lado da solitária escultura. Já muito tarde, o sol anunciando a retirada, o pai veio por ele, mas Simão recusou abandonar a sua mulher de sonho. Adormeceu ali. Devagar uma onda aproximou-se, e depois outra, e, sem remorsos, arrancaram-lhe aquele amor de areia dos braços. Os seus pensamentos levaram-no até casa, onde chegou, com fome e a tremer de frio, mas de coração lavado. Aquilo que o mar dá, o mar leva.

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta 

Belinha Fernandes escreve aqui

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Tema #9 - A Caracol

14
Nov19

A luminosidade cegou-me através das pálpebras cerradas. 

Os lábios estavam gretados e em ferida. 

Sentei-me a custo, tendo consciência dolorosa de cada fibra que compunha o meu corpo. 

Estava nua, mas inexplicavelmente isso não me provocava incómodo ou pudor. 

Não havia ninguém, tinha a certeza disso. Ninguém me veria despida. 

Estava sozinha. 

Ao meu lado, como se ambos tivéssemos naufragado de um qualquer navio fantasma, jazia um pequeno cofre de madeira velho e carcomido em algumas zonas. Na tampa tinha gravado a palavra "Memórias". 

Instintivamente abri-o. 

Quatro rostos sorridentes olhavam para mim através de uma fotografia. 

Não os reconheci. 

A rapariga loira de olhos castanhos, com rosto sardento era-me familiar, mas não consegui identificar de onde. No verso da fotografia podia ler-se: "Verão '79, Barcelona". 

Peguei na fotografia seguinte: um casal novo, dos seus vinte e poucos anos, felizes e sorridentes. Não tinha nenhuma legenda no verso. 

Seguiram-se mais de uma dezena de fotografias. De bebés gorduchos a crianças desdentadas. De adolescentes com borbulhas a noivos de fato de gravata. Universitários na cerimónia de entrega de diplomas, estudantes no primeiro dia de escola. Mais bebés. Diferentes dos primeiros, mas com traços familiares deles nos olhos, no nariz e no queixo. 

Eram fotografias de família.  

Talvez o mar as tivesse trazido para esta praia. Talvez já cá estivessem quando eu aqui cheguei. 
Guardei novamente as fotografias no velho cofre de madeira. 

Coloquei-me de pé a custo e observei a linha do horizonte de água infinita. 

Talvez um dia aparecesse algum barco para me vir buscar. Talvez um dia conseguisse sair daquela ilha. Ou talvez ficasse ali para sempre. 

Sem pensar em mais nada, mergulhei nas águas calmas e ali me deixei ficar, a flutuar. Deixei de sentir o sol nas pálpebras, os lábios gretados e o corpo dorido. Apenas uma paz que ocupava cada poro do meu ser. 

Desfrutei daquela serenidade tanto quanto pude, decidindo que procurar o dono daquele tesouro de imagens mais tarde. 

Talvez o encontrasse do outro lado da ilha... 

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta 

A Caracol escreve aqui

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Tema #9 Sónia Figueiredo

13
Nov19

Acordei com a boca cheia de areia, com a pele toda vermelha e aos poucos comecei a tentar perceber onde estava. Só via mar à minha frente, atrás uma floresta e não percebi onde estava, porque ali estava, o que tinha acontecido e mais grave, não me lembrava sequer do meu nome.

Enquanto estava ali perdida a tentar perceber o que estava a acontecer, oiço alguém a tossir. Era um homem, que não reconhecia, e também ele parecia estar a acordar para um pesadelo, desorientado e adivinhem? também ele estava nu, e era bem jeitoso.

Resolvi perguntar se precisava de ajuda, e ele olhou para mim com ar de espanto e depois para ele, e ao verificar que estávamos ambos nus, perguntou-me se estava no céu. Eu respondi que não, mas também não sabia exactamente onde estava. 

Ele disse que se não era o céu, então só podia ser o paraíso, para ter uma mulher tão linda e nua à sua frente. Eu corei, pelo que ele disse, mas porque também não estava de todo a desgostar das vistas.

Tínhamos sede, muita sede, pelo que seria urgente procurar água doce, entrámos na floresta, e andámos até ouvirmos o barulho de agua a correr. Encontrámos uma cascata, e vimos alguns animais a beber, portanto envenenada não estava, atiramos-nos para a água e foi um momento de pura libertação, brincámos como duas crianças na água, e a atracção entre os dois aumentava e eis que surgiu o primeiro beijo, os nossos corpos encostados um outro tremiam de desejo, e foram-se fundindo até serem um só.

A noite não tardava a chegar e encontramos uma gruta que servia de abrigo, voltamos à praia e encontramos vários destroços e baús...muitos baús de madeira. Lá dentro tinham roupas, louças, talheres, vinho, comida em latas e resolvemos juntar tudo e levar para a caverna.

Já na caverna fizemos uma fogueira, preparámos um jantar digno de reis e bebemos vinho. Ele disse que havia um baú cheio de roupas e experimentámos e vestimos o que nos servia...mas a roupa não se manteve muito tempo no nosso corpo, porque o vinho voltou a acender o desejo e portanto mais uma vez...e outra...e outra...e assim ficaríamos ali, para todo o sempre....ou não...

Despertador digital001.mp3

....acordei e afinal era um sonho...

Ora Porra para isto..quero voltar a dormir...voltar para a ilha e para os braços daquele homem

Cala-te despertador...eu já percebi que não estou na Lagoa Azul, já percebi que tenho  memória, não precisas de me estar a avisar de 10 em 10 minutos.

Como era bom poder acordar numa ilha sem quaisquer memórias e ser-se apenas feliz. Poder estar aqui e agora, viver cada momento com amor e alegria...e um homem jeitoso ajuda sempre.

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta 

Sónia Figueiredo escreve aqui

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Tema #9 Drama Queen

13
Nov19

Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta!!!

Hum! Há muito tempo que sonho acordar numa ilha deserta vai ser maravilhoso, daquelas paradisíacas com cocos e bananas, sem nada para fazer, completamente isolada do mundo não sei se tenho o que é necessário para sobreviver assim numa ilha. Não ver as pessoas que fazem parte da minha rotina e as que não consigo as ver direito, era fazer um detox de todas as tecnologias e poder aproveitar o que existe em meu redor.

E ainda não ter qualquer tipo de recordações podia ser melhor sem recordar de todas as mágoas, rancores e preconceitos. Ir de mente completamente limpa sem sentir saudades de nada por que simplesmente não me lembro de nada.

O pior para mim é mesmo acordar nu, sim porque areia enfia-se em sítios muito esquisitos, eu não gosto nada sentir nua, é a única desvantagem...

 

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta 

Drama escreve aqui

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