Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desafio de Escrita

Tema #8 Outra

18
Nov19

Fecha os olhos. Relaxa. Imagina que tens à tua frente um caminho estreito, ladeado de árvores. Vais caminhando, absorvendo o ar puro, apreciando as cores da natureza à tua volta, a beleza da copa das árvores e sente os raios de sol que te vão acarinhando ao longo deste passeio. O trilho é de terra batida e está coberto de ervas. Quanto mais avanças, mais te embrenhas nesta floresta, onde sem saber bem porquê te sentes tranquila…

No fim do trilho há uma clareira. Ao te aproximares percebes que está lá alguém, que pelo tamanho só pode ser uma criança. Ela vira-se para ti. O seu rosto é familiar, estás a ver-te pequenina, criança. O que é que dirias àquela criança?

Primeiro, sorrio. Depois volto lá, àquele tempo em que, pequena, já me sentia pouco merecedora de coisas boas…O sorriso dá lugar às lágrimas, e não consigo parar. Digo(-me): mereces ser feliz, mereces coisas boas! Gosta de ti. E sorri. És especial, como cada indivíduo e nunca penses merecer menos, ser menos. Gosta de ti, e Sorri. A vida vai dar-te coisas boas.

 

*Este post é a transcrição pequena de uma meditação que fiz há tempos, portanto é real…

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Outra escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

tema #8 Miluem

17
Nov19

unnamed.jpg

Tico & Teco à conversa

Miluem, tens andado armada em carapau de corrida a falar da Tradição do Pão por Deus e até puseste uns versos para ajudar os iniciados na Arte da Pedinchice, mas quando eras pequena, encaravas a tradição de outra forma.

Ajudavas a fazer o bolinho porque eras obrigada, achavas que dava muito trabalho e levava muito tempo a fazer (eras uma pessoa muito ocupada, com muitos afazeres…) mas quando se tratava de comer a massa crua e de os comeres quando saiam do forno quentinhos, os afazeres iam todos para as couves!

No dia 1 de Novembro, nem era preciso dizerem-te que eram horas de levantar, nesse dia o colchão tinha picos.

Logo cedinho com a saca do pão (de pano e de retalhos, pois está claro!) pendurada no braço ias ter com os miúdos da vizinhança ao local previamente combinado, já não eram amadores, tinham uma rota e sistema!

Começavam cedo a bater às portas com a cantilena do costume,

Ó Tia, dá Bolinho?

Ó Tio, dá Bolinho?

Nas casas onde sabiam que as pessoas não davam bolinho, divertiam-se a bater à porta e a fugir, depois ficavam a rir e a espreitar as pessoas a virem à porta ainda em pijama.

Lembras-te das Estaladas de Amor? Algumas foram porque as pessoas te viram e contaram aos teus pais …

Miluem, como criança que eras, não entendias que uma Tradição, não é a mesma coisa que uma Obrigação.

As pessoas não eram obrigadas a darem-te bolinhos, além disso existem pessoas que não tinham e continuam a não ter, possibilidades para gastar dinheiro em coisas extra.

Pelo facto de ser Tradição, não quer dizer que as pessoas gostem ou concordem com ela.

Se as pessoas não gostam e não concordam com certas tradições nós temos que respeitar a postura delas da mesma forma que gostamos que elas nos respeitem.

Agora já adulta consegues refletir sobre coisas que em criança não conseguias, sabes porquê?

Nós (Tico & Teco) amadurecemos.

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Miluem escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

 

Tema #8 Osapo

08
Nov19

Carta a uma criança que ainda não sabe ler …

Oh pah… Uns marmanjos inventaram um jogo a que deram o nome piroso de desafio de escrita dos pássaros, e alguns manecos, eu incluído, seguiram-nos.

Pediram-me para te escrever uma carta… Escrevo-te sabendo que tens 4 anos… e naturalmente ainda não sabes ler… dá-me jeito assim porque não vai perceber nada do que te relato… mas pronto, vou ler-te o que escrevo

Que totós… com esta não esperavam… se pensar bem, o maior totó sou eu porque estou a escrever-te e sei que ainda não aprendeste a ler!

Pensei em escrever-te em turco… Sana türkçe yazdığımı sanıyordum… ou noutra língua qualquer… afinal não sabes ler, pouco importa, mas dava muito trabalho ir ao Google traduzir.

Google? Pois não sabes o que é mas também não querias saber… até porque não te saberia explicar bem. Mas é uma coisa que os americanos inventaram para controlar as mentes humanas…. e conseguiram ou estão a conseguir.

Está alojado na internet e acho que é a principal causa das alterações climáticas… provoca muitos gases e esses vapores afetam a camada de ozono. Ozono? Oh pah não interessa… esquece!

Voltando à marmelada que me trouxe aqui. Nunca foste um puto com muitos sonhos e por isso sei que não esperas muito desta treta. Mas tenho que “cumprir calendário”.

A vida discorre pelo tempo. Não me queixo. Podia ser muito melhor, mas podia não ser a mesma coisa. Não comandamos a vida. Somos comandados. Por quem? Sei lá pah…

Lembro-me que querias seguir a profissão do teu pai. Não aconteceu. Sou segurança e faço extras na entrada de discotecas a fim-de-semana …

Vivo num apartamento com um quarto. Se fechares os olhos consegues imaginar o jardim e a piscina de água aquecida. E o Ferrari estacionado. É tudo uma questão de perspetiva

Ainda não tenho filhos mas ando a treinar afincadamente para isso… Lol

Lol? Oh pah… fazes cada pergunta… Lol quer dizer que me estou a rir… Yah, tens razão é uma parvoíce, mas toda a gente diz isso! Não contra-argumentes… não era suposto … isto é uma carta. Caraças, porra!

Yah? Oh pah está calado… não faças mais perguntas. Tenho que acabar esta cena e assim não consigo.

Como pudeste ouvir não estou a viver a vida com que tu não sonhaste … mas sonho com a vida que não vou ter!!!

Como alguém disse “A vida é uma f*da f*dida de f*der” …

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Osapo escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #8 Peixe Frito

08
Nov19

Eu nunca fui muito dada a essas cenices de escrever cartas para mim do futuro e muito menos para a criança que fui. Devo dizer que eu escrevendo para o eu alevim, correria o pleno risco de eu não conseguir ler a minha letra – era algo que me fazia espécie, caligrafias. Naquela altura eu achava que toda a gente devia de ter a mesma letra, para eu perceber, apesar de ler muito bem – e poderia dar-se a eventualidade de eu não ligar um rabo à situação mesmo. Porque raio, iria eu do futuro, escrever a eu do passado? Não… a curiosidade não me venceria. Ficava era logo a pensar que provavelmente alguma manhoseira vinha na carta, como pimenta ou aranhas ou coisas desse género.

É que é assim, alguém descobriu que existem viagens no tempo e não disseram nada à restante malta? Se não, qual o intuito dessas cartas para as crianças? – cheira-me a situação de psicólogo ou psiquiatra… só de surra. Ou então uma cena género regresso ao futuro. Nossa! Se houver cena à Regresso ao Futuro, espero bem que não haja a Exterminador Implacável!

Se de facto existem viagens no tempo, digam-me, para eu anotar as alturas da existência deste planeta, as quais eu não quero ir visitar. Nomeadamente a idade da pedra ou a idade dos dinossauros – com a sorte que tenho, acabava por ter de andar a fugir dos dinossauros e isso não dá com nada, uma canseira ou então ia logo dar à altura em que os tipos se extinguiram e invés de fugir deles, fugia dos meteoros – também não gostava de ir parar à Idade Média, onde toda a gente era potencial bruxa, sem mencionar na badalhoqueira que era viver nessa época, dado que pobreza era extrema para alguns e banhinho… nem vê-lo mas a falta dele era só cheirá-lo por todos os lados. Não estando a seguir um sentido cronológico, também não me apetecia por os coutos no velho oeste ou andar à punhada com índios ou cowbois. Gosto de poder estar sossegada, estarraçada na cama de rede do alpendre, sem estar a preocupar-me com indígenas ou cowbois no horizonte. Nem com moscas, quanto mais. Felizmente, fui poupada às guerras mundiais, mas também não era altura que gostava de ir visitar. Nem para ir dar um calduço ao Hitler.

Posto isto, nada de cartas. A vida é Agora

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Peixe Frito escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #8 Sónia Figueiredo

08
Nov19

Vamos então escrever uma carta...hum...eu a pensar que isso estava em desuso...mas como vou escrever para alguém nos anos 70 faz sentido.

 

Oeste, 01 de Novembro de 2019

 

Querida Amiga,

Em primeiro lugar espero que te encontres bem...aí no lugar onde nunca deverias ter saído.

Estou a escrever-te passados todos estes anos, porque estou rodeada aqui de um bando de pássaros malucos e eles disseram que eu tinha de te escrever, vê lá se isto não é gente que saiu directamente do filme: O Joker.

Eu nem sei por onde começar, porque isto não faz muito sentido..., mas penso que eles não sabem nada de física quântica, e não percebem que é impossível enviar uma carta à criança que fui.

Posso te dizer que pouca coisa mudou nestes anos, o mundo continua louco, basta o facto de te estar a escrever para comprovar isso mesmo.

As crianças hoje em dia tem muitos brinquedos, mesmo muitos. Ainda te lembras de teres pedido tanta coisa no Natal que nunca tiveste? Agora o Natal é todo o ano e depois dão tudo como adquirido.

Lembras-te de andares a correr descalça, de andares de bicicleta, de fazeres um monte de actividades ao ar livre com os amigos? Lembras-te do cubo mágico, do pião, do jogo da macaca, de jogar às escondidas, dos berlindes, do elástico e tantos outros? Agora existem umas coisas chamadas telemóveis e tablets e as crianças ficam horas a ver filmes no Youtube e falam através de redes sociais. Por vezes estão na mesma sala e mandam mensagem escrita em vez de falarem. É estranho? É, mas é isto...a loucura está instalada, mas ainda ninguém percebeu.

Uma coisa que se mantêm são os trabalhos de casa, ou TPC.

A televisão agora tem muitos canais, já não são só 2. E temos a Internet, já não precisamos de enciclopédias.

Hoje em dia as crianças também são uma espécie de super-heróis, daqueles que líamos nos livrinhos, pois têm actividades extracurriculares que não acabam mais: Desporto, música, línguas...e por aí vai. Elas hoje já não têm tanto tempo para brincar como nós. E algumas, ainda andam em campeonatos de um qualquer desporto ou de outra qualquer coisa.

A Olá tem muito mais gelados e isso é bom, já não é só o Perna de Pau, o Super Maxi, o Corneto, o Epá e o Fizz. Nesse aspecto estamos melhor.

Já não usamos apenas um par de sapatos até eles nos deixarem de servir, agora temos muitos pares até deixarem de servir. Mas está a voltar a moda de um armário cápsula, em que só temos que realmente precisamos. Como vês estás outra vez na moda.

O planeta está a ser destruído por nós, seres humanos. Sei que te parece estranho, mas é verdade. As estações já não são como antigamente. Existem muitos problemas com o ambiente devido aos excessos. Temos tudo em demasia e na altura tínhamos muito menos e não precisávamos.

Como vês, aí onde estás eras mais feliz, apesar de teres menos coisas materiais, mas em compensação também não tinhas tantas coisas más como doenças, mil actividades, pouco tempo em família, solidão em jogos num qualquer telemóvel e uma vida vivida através das redes sociais.

Eu sei que não estás a perceber metade, mas eu não consigo explicar porque não posso ultrapassar as 400 palavras, e já devo ter ultrapassado. E posso ser penalizada.

Vês como isto está? É um stress constante.

Beijinhos e continua aí.

Ass. A adulta de hoje

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Sónia Figueiredo escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #8 Miss X

07
Nov19

missx.jpg

Querida X,

Há anos que te evito escrever com receio que te zangues comigo, porque o que tenho para te escrever não é aquilo que queres ler.

O mundo é mais terrível do que pensas e não vai mudar nunca, apesar de todas as tuas tentativas que te parecerão vãs. Mas peço-te que não pares de tentar.

As pessoas mais importantes são aquelas que nunca te abandonarão e já as conheces. Menos uma, que ainda vais conhecer. Vai nascer de ti e será o teu maior deslumbramento. Quando o conheceres saberás finalmente o que é amar.

Pouco ou nada do que planeias vai acontecer. Respira fundo muitas vezes, deixa a tristeza passar - ela sempre passa  - e vive sempre à tua maneira.

Vais descobrir que toda a tua vida será feita de inesperados, rica em aventuras que nunca imaginaste e pródiga em momentos inesquecíveis, com finais imprevisíveis e inícios interessantes. Provavelmente, mais intrigante do que muitos dos livros que leste.

Ah, os livros, essa paixão avassaladora que te está marcada no sangue e que nunca te abandonará!

Por leres tanto, terás viajado pelo mundo inteiro, terás conhecido pessoas que nunca terias conhecido, terás presenciado momentos que de outra forma nunca terias sentido.

À guisa de despedida, deixo-te o meu maior desejo: sê quem tu és.

Saudades de ti,

X

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Miss X escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #8 Silvana

07
Nov19

Braga, 1 de Novembro de 2019

Podia escrever-te muita. Podia contar-te sobre aquilo que a criança que fui não fez e que hoje me deixa uma adulta mais vulnerável e com (muitas) falhas. Podia avisar-te sobre como fazer escolhas mais acertadas para que hoje em dia as dificuldades não fossem tantas. Tanta coisa que poderia escrever, mas não quero. E sabes porquê? Porque, apesar de todas as dificuldades atuais eu gosto da pessoa em que me tornei. Há sempre aspetos a melhorar, há sempre espaço para evoluir. Mas sabes, vais aprender que é essa a magia da vida, ou seja, a nossa capacidade de reinventar a nossa vida e as nossas forças.

Vais aprender muito, vais chorar e sorrir, vais arrepender-te, mas tudo isso faz parte da vida. Tudo isto vai ser um enorme processo de construção de uma pessoa que nunca estará acabada.

Serão os momentos que irás colecionar que te tornarão mais forte e mais sábia. E, em cada momento de tristeza, em cada momento de escolha irás aprender e irás retirar alguma coisa que te tornará em alguém único. E isso é o mais importante a reter.

Acima de tudo, vive! Sem medo e sem pressa de chegar.

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Silvana escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #8 Happy

07
Nov19

Quero tranquilizar-te.

Apesar das tempestades que algumas vezes assolarão tua vida, da imprevisibilidade das coisas, sempre verás a verdade com as lentes certas. A verdade tem destas coisas: parece um laço a desfazer-se e sempre que o tentamos refazer,  nunca fica exactamente igual ao outro.

Para além dessa lição, vais aprender que o que parece mais fácil levar-te-á décadas a aperfeiçoar. Vais construir e desmontar. Negar e finalmente aceitar.

Vais aprender a ser perseverante, fortalecida, de pé apesar das feridas e dos desvios no caminho, aprender vencer os teus medos, o medo de mudar, aprender a valorizar os princípios que importam, aprender a acreditar em ti. Vai levar tempo mas felizmente, vais aprender a ignorar aquelas vozes que gritam à tua volta que não és suficiente. Todos têm essa voz que diz que não se é suficientemente inteligente, persistente ou capaz. Não dando crédito a essas vozes, acabarás por usar a tal lente para a tua auto-estima. Segue o teu instinto e ama, acarinha esse arco-íris que te acompanhará toda a vida, aprende a ser gentil. Essa será a tua maior sabedoria.

Aprende a controlar as palavras – as palavras são ambivalentes e podem fracturar sentimentos e relações – as mesmas palavras podem ser mel, e podem ser veneno.

Quando vier a grande tempestade (saberás identificá-la, descansa), terás vontade de desistir. Saberás que não podes e a coragem definir-se-á nesse momento. Superarás, contra todas as expectativas. Chorarás muito nos momentos necessários, mas isso é a catarse, o luto.

Por fim, aceita-te. Vais aprender que não precisas ser perfeita, a tua entourage só precisa que sejas tu, estranha, decidida, com dias de vitória e outros de ficar no quente da cama, desejando que o universo sirva de cobertor emocional.

E vai chegar a uma altura da vida em que o teu coração estará tranquilo, as ondas que te cercam balançarão a tua existência e com isso poderás contemplar as estrelas e o omnipresente mar.

E, por fim, não te esqueças: não pintes o cabelo de azul. Arrependeste-te no dia seguinte.

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Happy escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #8 Fátima Cordeiro

07
Nov19

Intervenção da narradora-autora: Finalmente, no dia seguinte, Guillaume conseguiu sair daquela cidade do Litoral que muita gente pensa que fica no Interior (coisa que ele desejava desde o inicio da história) e ir até à praia de São Pedro de Moel. Para isso alugou um outro carro, desta vez com um bom GPS que não o desenganou. Não havia muito transito porque era semana e a época balnear já tinha terminado. Estava frio, mas mesmo assim Guillaume decidiu tomar banho. Deu uns mergulhos mas logo ficou cansado. Nessa noite tinha dormido mal, perdido em tantas recordações do passado. No que tinha vivido e o que lhe tinham contado sobre a França ocupada.

Primeiro dormiu uma pequena sesta na praia. Depois decidiu escrever uma carta para a criança que tinha sido. Pegou no telemóvel, abriu a app e começou a escrever. (Escreveu-a em francês mas eu, como narradora-autora posso Tudo, até traduzir cartas de francês para português automaticamente.)

Guillaume (a escrever a sua carta): Queria criança que um dia fui,

Foste criado por teus pais com todo o amor e demasiado conforto. Os teus avós adoravam-te, mas estavam sempre em conflito. Uns queriam viver para sempre na França de Philippe Pétain outros na França de Charles de Gaulle. As vítimas dessa guerra foram os teus pais. Um casamento infeliz, de fachada. Todos os dias se zangavam. E tiveram apenas um filho. Tu.

Primeiro não sabias quem eras. Precisaste de muito tempo para perceberes que não eras heterossexual como a maioria dos seus amigos. Para viver com isso. Depois precisaste enfrentar os teus pais e a sua censura. Quase um ano inteiro fechado naquela casa! Depois voltaste ao liceu e começaste a tirar fotografias. Criaste o teu caminho, a tua história. Devagar se vai ao longe! Hoje és um fotógrafo reconhecido. Colaboras com revistas e jornais.

Não temas. Vais sofrer muito ainda. Mas também aprender. A vida vai-te surpreender muito. Para o bom e para o mau. A vida é mesmo assim!

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Fátima Cordeiro escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

 

Tema #8 Sarin

07
Nov19

sarin.jpg

Olá, miúda!

Não me conheces ainda, mas saberás quem sou quando te disser que a Andorinha está à espera de que saias da escola para se deitarem na relva a ler o livro de histórias, a cadela encostada às tuas pernas, depois aos teus braços e, finalmente, debaixo do teu pescoço e Oh, Mãe, foi mesmo agora!, as borbulhas no peito a dizerem que não, que não foi mesmo agora e a Mãe a fingir que as não vê.

Sim, adivinhaste. Parece magia, mas tu não acreditas em magia e por isso sabes que é apenas um sonho, uma fantasia como aquelas que lês e imaginas sabendo-as mentira e ainda assim tão bonitas. Este é um sonho de um bando de pássaros que daqui a quarenta anos e mais uns meses pedirá que escreva uma carta à criança que fui. A ti, eu com 7 anos.

Não te contarei como será a tua vida. Quero que a vivas, cada dia uma aventura, as descobertas a serem tuas na hora em que acontecem. Quero que chegues aqui onde estou pelos exactos passos que trilhei, com todas as perdas e danos e dores e suores e conquistas e alegrias e, até, alergias. Se mudaria alguma coisa? Depois de sabermos o que vai acontecer é fácil, e tu nem sequer gostavas de ver as cenas dos próximos capítulos do Marco, lembras-te? Mas posso dizer-te que a vida continuará a ser bonita de viver, miúda, e tu vais viver em frente, o passado sempre acarinhado mas nunca a puxar-te de volta.

Sei que, depois de leres esta carta, me quererás responder, nunca gostaste de deixar uma carta sem resposta. Estarei ansiosa a aguardar o que terás para me dizer – o que eu com 7 anos teria a dizer a este eu com 47.

Mas mais logo, que passaste a semana a explicar aos outros meninos que as bruxas não existem e não tiveste tempo para pensar em cartas…

... e agora, vá, para a mesa que a Mãe faz anos! Até logo!

 

Nota de roda de mão: O AO90 não pode escrever uma carta a si mesmo quando criança – este não perceberia nada.

Imagem: fotografia da primeira classe

(Esta carta teve resposta. No meu blogue)

 

Tema da semana: Escreve uma carta para a criança que foste

Sarin escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook