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Desafio de Escrita

Tema #3 A Outra

04
Out19

Tinha apenas 17 anos (certo que quase a fazer 18, mas o que é que se sabe aos 18?) quando entrei na faculdade. Sabia que curso queria seguir desde o 7.º ano. Não me interessava que me dissessem que não tinha “saídas” ou que havia demasiadas pessoas na área. Eu sabia que queria Direito. Mas ter nascido (e viver) numa ilha fazia com que aquele objetivo se tornasse um bocadinho mais difícil de atingir. Não seria a primeira, nem a última, portanto sempre pensei que se os outros conseguem ir, eu também vou. E fui.

Lembro-me que dispensei a companhia do meu pai para me levar porque tinha uma rapariga bem conhecida que entrara para a mesma cidade. Então, juntas de certeza que seria mais fácil, pensava eu.

Mas não foi bem assim. Enquanto não tínhamos tratado do alojamento (que para mim seria uma residência universitária) ficámos na casa de uma amiga da amiga…ora de manhã saíamos e só podíamos regressar ao fim do dia quando a amiga voltasse. Parece que éramos umas sem-abrigo que não tínhamos para onde voltar. Era tão difícil…longe de casa e com esta sensação. Continuo a lembrar-se da sensação como se tivesse sido ontem…

Chorava todos os dias a pensar que queria voltar para casa…era uma angústia constante. A amiga que nos deixou dormir lá em casa ajudou ao nos deixar lá ficar mas…caramba…há menos de um ano ela tinha passado pelo mesmo…como se podia ter esquecido do que era sair de casa e começar uma vida tão diferente…cidade nova, faculdade, colegas…

Pensei que se algum dia me pedissem “abrigo” ao chegar, tentaria fazer diferente…ao menos encaminhar minimamente a pessoa e tornar menos difícil o início.

Depois de encontrar casa e ter finalmente onde colocar as minhas coisas e poder entrar e sair à hora que bem me apetecesse, senti-me logo melhor. Mesmo que tivesse meio quarto (porque era partilhado) era tão bom! Engraçado que a minha colega de quarto também vinha de longe e compreendeu-me bem…ela é, ainda hoje, a minha melhor amiga…

Hoje, 20 anos volvidos desse momento, reconheço que há dores que fazem parte do crescimento, e esta para mim foi uma delas. Das que me ensinou muita, muita coisa.

 

Tema da semana: Uma aventura/momento que te tenha marcado

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Tema #3 - Miluem

04
Out19

Uma pequenina aventura

Ou é impressão minha ou os temas estão a ficar mais pessoais?

Mau Maria que o gato já mia.

Problemas, só problemas!

Em Dezembro de 2018, integrado num dos projetos finais de um curso superior, participei na versão fofinha de um rallly-paper, que é um Petpaper as receitas revertiam a favor da Associação Zoófila de Leiria – Fiéis Amigos e o “pagamento” da inscrição era feito em mantas, produtos de limpeza (sem amoníaco), comida ou dinheiro para esterilizações.

A Associação Zoófila de Leiria – Fiéis Amigos é uma associação sem fins lucrativos como tantas outras que existem país fora, que lutam diariamente com dificuldades para cuidarem de animais que são abandonados ou resgatados de maus tratos. Estão permanentemente lotadas e carentes de voluntários e de dinheiro. A limpeza não se faz sozinha nem com vento, o veterinário não é gratuito e comida e o carinho que os animais precisam, não caiem do céu. 

Um primo desafiou-me a fazer par com um ele para o Petpaper, agarrámos nos questionários e canetas e lá fomos nós a todo o gás. (mais ou menos devagarinho)

Foi uma forma muito divertida de conhecer Leiria, pois atravessámos a cidade do Castelo ao Moinho do Papel com uns zig zag pela Zona Histórica.

Subimos até à PSP que fica a caminho do Castelo, descemos à Rua Direita, passámos pelo Terreiro, pela Praça Rodrigues Lobo, pelo antigo Banco de Portugal, pela Fonte Luminosa, pelo Jardim… ufa… o dia ameaçava chuva, mas pôs-se uma tarde maravilhosa.

A cidade estava cheia de pessoas e de grupos em atividades diversas, os Escuteiros também andavam a vender biscoitos para angariar fundos para as suas atividades.

Só tive pena que o percurso tivesse que ser feito a dar corda aos sapatos, porque havia tanta coisa interessante para visitar dentro dos edifícios por onde passámos, mas havia um tempo limite para cumprir a prova!

Mesmo assim fomos os últimos a chegar! Aqui a prima gosta muito de fazer perguntas!

Mas não fizemos batota! Errámos respostas, mas foi por aselhice e nabice, porque nos esfalfámos a andar por todo o lado, não tenho uma única foto desse percurso porque estava concentrada no meu papelinho e caneta para anotar as respostas.

Entretanto já passei por 3 desses locais com calma, Sé Catedral de Leiria, Igreja da  Misericórdia e a Casa dos Pintores.

Nota: Nas palavras a rosa existem links para postes meus com fotos dos locais que menciono.

 

Tema da semana: Uma aventura/momento que te tenha marcado

Miluem escreve aqui

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Tema #3 Fátima Cordeiro

04
Out19

Intervenção da narradora-autora: Passaram-se duas horas. Guillaume e Guilherme beberam seis cervejas (todas pagas por Guillaume).

Guilherme contou como aos 18 anos saiu de casa para trabalhar nas obras e conheceu a sua primeira namorada. Namoraram dez anos. Nessa altura ele mudou de emprego. Depois ela casou com outro e ele casou com a esposa. Guilherme e a esposa tiveram dois filhos.

Aos 40 anos tudo mudou: voltou a encontrar a ex-namorada e tornaram-se amantes. O caso durou 10 anos + IVA. E terminou cinco anos antes desta conversa com Guillaume. A mulher de Guilherme nessa altura descobriu tudo e decidiu sair de casa. Mas a separação durou cerca de nove meses. Nessa altura a esposa voltou, convencida pelos irmãos, que não a queriam em sua casa. Também motivada pelas palavras e atenções de Guilherme, que quase e ajoelhou perante ela! Entretanto a amante foi viver noutra cidade com o marido.

As relações de Guilherme mudaram muito desde que convenceu a mulher a voltar. Teve de abandonar o machismo e aceitar fazer todas as tarefas da casa que a esposa de pedia. E periodicamente havia crises, em que ela se lembrava das traições passadas.

Guillaume não ficou surpreendido com a história. Os seus primos portugueses tinham muitas histórias semelhantes. Perguntava-se o que aconteceria quando decidisse revelar a sua história a Guilherme, o que aconteceu duas horas depois das primeiras cervejas.

Guillaume: Grande história! Ter uma amante… Eu tive… J'aime les hommes ... je suis gay ... Sou gay… J'ai découvert à 12 ans… Será que não se importa de me ouvir?

Intervenção da narradora-autora: Guilherme deixou de beber cerveja. Assustou-se. Pensou ir embora. Tudo isso em dois minutos confusos. Mas decidiu ficar e ouvir Guillaume.

 

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Fátima Cordeiro escreve aqui

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Tema #3 Maria João

04
Out19

Melhor que relatar qualquer acontecimento recente, é rever um de há quase quarenta anos.

Estava no ensino Secundário, em Humanidades (Humanística na época) e tinha, nesse ano, duas disciplinas aos Sábados, lecionadas pelo mesmo professor, que se repetiam às Segundas-feiras. Como cristã, criada numa família Adventista do Sétimo, guardo o Sábado, como dia de adoração a Deus e tinha dispensa das aulas ao Sábado. Ninguém se incomodava ou me incomodava com isso, a não ser quando se marcavam os testes, normalmente dois por período escolar.

Lembro-me que normalmente fugíamos dos testes às Segundas-Feiras para podermos aproveitar o fim-de-semana para fazer o que durante a semana não tínhamos tempo para fazer e embora a maior parte da turma, não se importasse de os fazer nesse dia, por minha causa, havia duas colegas especialmente desagradadas com essa possibilidade, que cada vez que se marcava um teste, batiam o pé. Nessa altura, a democracia e a maioria, eram abafadas e deitadas por terra, com as reclamações delas. Ainda recordo a expressão do professor na minha direção e eu a encolher os ombros. Então ficou definido que um dos testes seria em dia de Sábado e o outro à Segunda-feira.

No fim do ano letivo, reunimos à porta da sala dos professores, esperando que o professor desse a nota acompanhada de uma das frases: tem de ir a exame ou dispensou de exame.

Metade da turma foi a exame e a outra metade dispensou. As minhas contrariadoras colegas ficaram na primeira metade e eu fiquei na segunda.

Eu sei que foi a ação do professor que assim o ditou, eu sei que se ele contabilizasse as minhas notas numa média de 6 testes eu nunca seria dispensada de exame. Ele limitou-se a fazer a média pelos três testes que eu fiz, considerando que se tive 13 ou 14 valores nesses, não iria de certeza ter menos de 10 se fizesse os outros.

Escolhi este acontecimento, não para exibir a minha vitória, que foi o que eu fiz nessa altura, perante toda a turma, mas para refletir que não foi vitória minha, foi ação de Deus que usou como instrumento, o meu professor. E nessa altura, eu não percebi, nem agradeci, estava por demais focada em mim e em me exibir perante os meus colegas, em especial perante duas delas.

 

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Maria João escreve aqui

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Tema #3 Isabel Silva

04
Out19

Bodas de prata.

Sempre disse que gostaria de celebrar as bodas de prata em Paris. E foi, (não sei é se foi a melhor das celebrações), mas foi lá.

Nunca tinha andado de avião, nem ido tão longe, portanto, aí já está a parte da aventura. Lá fomos por conta própria, e de livrinho da praxe na mão, com as indicações da cidade luz.

Chegamos à hora do almoço, o hotel era central, (não, não era o Ritz), e foi só deixar as malas e começar a xeretar. Como só tinhamos a parte da tarde, pensamos em fazer a parte de cima, Sacré-Coeur, e foi maravilhoso. Montmartre roubou-me o coração e um pintor roubou-me dinheiro. Na Place do Theatre, andam aos molhos a desenhar turistas, e nós...fomos na conversa. O resultado não tem nada a ver com as nossas ilustres figuras, não sei para quem é que o homen estava a olhar, mas juro que não somos nós naqueles desenhos.

Andamos sempre a pé, mas à noite descansamos no tour de autocarro e barco, pela cidade da luz.

No dia seguinte, dia do aniversário, andamos, andamos, andamos, Notre Dame, Louvre, Place de la Concorde, Arco do triunfo, Eiffel, encontrar uma igreja onde pudessemos trocar as alianças, e museu D'orsey . Tudo a pé. Por volta das 6 horas, já de noite, voltamos ao hotel, e descobri... que já não conseguia andar. Juro que as botas eram super confortáveis, mas os músculos dos pés, quando subiram para a cama, começaram aos gritos e a dizer que já não íam para o chão.

O resto é tão triste que nem me apetece contar, mas lá vai. O meu querido marido, que estava um pouco melhor que eu, foi a um Lidl que havia ali pertinho e o nosso jantar de comemoração de 25 anos foi...pão presunto, e sumo de laranja de pacote. Poderia ter sido melhor? provavelmente poderia, mas o cansaço era tanto, que não houve imaginação para mais.

 

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Isabel Silva escreve aqui

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Tema #3 Osapo

03
Out19

Uma moca junto ao canal …

Entramos (Diana e eu) num Bulldog perto da Dam Square, da cadeia The Bulldog Amsterdam, a coffeeshop mais antiga de Amesterdão, cidade onde há mais de 200 estabelecimentos (alguns com 40 anos).

É um espaço pequeno, onde o cheiro entranhado se agarra à roupa e se cola à pele. Em destaque o menu e um letreiro de proibição de fumar … tabaco!

Aconselhados pela empregada (Anna) escolhemos reefers (cigarros de cannabis pura) e joints (cigarros de cannabis misturados com tabaco), ambos light (THC baixo), e chá de hortelã.

Trouxe-nos os 2 cigarros (já enrolados), o chá e um prato com 2 bolos (space cakes feitos com cannabis), oferta da casa, disse-nos.

Lá fora chovia o que ajudou o nervosismo a fluir. O chá, juntamente com os cigarros (fumo espesso), os bolos (com travo a especiarias), a música, as pessoas e, claro, o odor que inundava o espaço, caiu-nos tremendamente forte. E os efeitos apareceram rapidamente.

Parou de chover e saímos a rir. As gargalhadas marcavam o ritmo dos passos.

Estávamos próximo da Red Light. Numa das montras vi uma mulher em exposição. Tinha uma pila enorme que chegava-lhe aos joelhos. Passamos pelo Museu do Sexo. A porta de entrada tinha a forma de uma vagina gigante ladeada por uns enormes pelos loiros.

A luz dos candeeiros, em rotação, emitiam uma rosácea com milhões de cores diferentes. E alguns postes dobraram-se para nos sorrir.

Esticava os braços e quase tocava nas estrelas com os dedos. Estava lua cheia e caminhei para uma ponte que não existia. Por pouco não malhava no canal.

Nenhum de nós via as mesmas coisas. Não percebíamos as nossas conversas, porque o riso sufocava as palavras.

Resolvemos ir de Táxi para o hotel. No percurso via semáforos vermelhos flutuantes que o motorista teimava não respeitar.

Quando chegamos surge uma mota a sair pela parede de tijolo vermelho da receção. Lancei-me ao chão para escapar.

Lembro-me de ver pela janela do quarto um cogumelo gigante a formar-se ao longe. Respirávamos ao ritmo das gargalhadas.

Os efeitos da moca ainda iam demorar.

Acordei bem para lá do meio-dia. Estava em paz, apesar das dores nos maxilares.

Já voltei várias vezes a Amesterdão depois desta viagem. Hoje, às memórias, por causa deste desafio dos pássaros.

As imagens nunca mais foram iguais àquelas. Sempre psicóticas e sempre diferentes.

Mas ao despertar, os maxilares continuam a doerem-me exatamente da mesma forma …

 

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Osapo escreve aqui

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Tema #3 Candeias

03
Out19

A minha maior aventura é viver.

Apesar de como é óbvio não me lembrar o momento que mais me marcou a mim e à minha existência foi sem dúvida o meu nascimento (como provavelmente marca toda a gente mas...). A forma como vim ao mundo ditou sem dúvida muito do que viria a ser a minha vida. Prematura. Com paralisia. E, mais tarde, filha de pais separados. Poderia esta ser uma história dramática que faria chorar as pedras da calçada (e há dias em que é) mas, vive-se. Vive-se olhando o mundo com curiosidade e muitas dúvidas: como será esta aventura daqui para a frente? Que obstáculos terei de ultrapassar mais? Como será andar? Como será não ter de depender de ninguém? São muitas e muitas as questões. Não deixa de ser desafiante (e simultaneamente agoniante) ser-se diferente. Ver-se o mundo de baixo para cima! Olharem-nos com pena, curiosidade e às vezes escárnio mas...é assim a vida. Não me foi dada opção de escolha, nunca me foi perguntado "queres mesmo viver esta luta?" mas quantas e quantas pessoas no mundo não têm por onde escolher? Muitas. Muitas pessoas travam lutas inglórias! E eu não sei...se o meu destino está ou não traçado mas, sei, que muita gente nasce e morre a lutar contra algo que nada podem fazer para mudar.

Sei também que o mais difícil não é nascer-se limitado fisicamente, o mais difícil é ser-se diferente. O lento é gozado por ser lento, o rápido por ser mesmo muito rápido; O esperto é gozado por ser inteligente, nerd, cromo; O menos inteligente é gozado porque sabe muito menos que o outro...e, a vida é assim. A vida é para todos uma grande aventura misturada com um pouco de drama e outro tanto de comédia. E eu já me aventurei: já me atirei para o mar sem saber nadar (e assim aprendi à força), já fiz equitação, mergulho, natação, já viajei sozinha, já namorei, já ri e já chorei.

Já vivi e noutros dias só sobrevivi! Mas este (EU) fui o resultado do espermatozóide que lutou e venceu...quanto a isso tenho de estar grata!

Acho que temos todos...

E se a aventura a que mais nos dedicar-vos for…viver em pleno…acho que não existirá, nunca, nada tão maravilhoso!

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Candeias escreve aqui

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Tema #3 Triptofano

03
Out19

Vamos pessoal, ele tem de sair!

A agitação na sala era palpável, como pequenas ondas de electricidade que percorriam os epitélios e a superfície das ranhosas luvas de plástico, soltando pequenas faíscas aqui e ali.

Os corpos moviam-se numa dança mudamente sincronizada, pautada por gritos que nada diziam entre a agitação das toucas azuis e das batas dum branco sujo que nem a lixívia mais forte conseguia purificar.

Era o momento que há quase nove meses eu esperava, desde o momento da minha concepção, naquele fim de tarde em que o corpo do meu pai, numa cópula desajeitadamente apressada, tinha libertado três mililitros e meio de líquido seminal com milhões de confusos espermatozóides, dentro do corpo da minha mãe, no orifício correcto que permitia a possibilidade da concepção de um novo ser.

Podem pensar que esta exaltação da minha essência se deve ao facto de poder começar a viver de forma independente, ou melhor, quase independente, tendo em conta as limitações de sobrevivência de um bebé, mas não!

O que realmente anseio é poder sair pela vagina da minha mãe, de forma a sentir pelo menos uma vez na vida a sensação de como é estar tão perto da genitália feminina, visto que uma combinação de factores genéticos com carga hormonal mais condições ambientais e quantidade de bolacha Maria que a minha progenitora consumiu durante a minha gestação tornaram a minha sexualidade indubitavelmente do outro lado do espectro de desejos de vulvas e clitóris.

Claro que poderia ser ginecologista de forma a poder consumar esta minha curiosidade pueril, mas nenhum médico que se preze deve regurgitar perante o objecto do seu estudo, nem que seja pelo facto do ácido do estômago dar cabo dos dentes.

O momento estava iminente!

Quase que podia sentir a suavidade das mãos da enfermeira ligeiramente pegajosas devido à recente punheta que tinha batido ao chefe de serviço na esperança de não ter de fazer mais três turnos seguidos.

Dizem que a dor de um nascimento é insuportável, comparável a uma penetração anal não lubrificada por um pénis com um prepúcio que ficou colado durante a infância, mas eu estava preparado.

Estava tudo encaminhado para ser o momento mais memorável da minha vida!

Acabei por nascer de cesariana...

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Triptofano escreve aqui

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tema #3 Miss X

03
Out19

Porque só se nasce uma vez, o primeiro dia da minha existência continua a ser o melhor da vida inteira.

No dia em que nasci respirei fundo o mundo todo e na minha pele marcada, a impressão digital de quem viria a ser.

Pelo meu umbigo, o oriente da minha mãe unido ao meu ocidente, a placenta raiada de futuros improváveis, alimentou-me de utopias prováveis, deixando-me correr pelas veias a alquimia de que tudo é possível.

E ao seu primeiro acto de criação, Eva nascida, a minha mãe desvendou o maior dos pecados: sempre que se nasce o mundo fica melhor.

 

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Miss X escreve aqui

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Tema #3 Gabi

03
Out19

Quando a minha avó morreu a minha mãe teve de tratar de tudo para entregar a casa ao senhorio. Um apartamento num prédio na Av. Duque d’Avila que já foi deitado abaixo.

Nessa altura fizemos várias viagens a Lisboa, das últimas de camionete.

Para a minha mãe deve ter sido muito difícil e triste, para mim, havia algo de aventura e a morte não era ainda bem real.

Em Lisboa alguns taxistas suscitaram o problema mas aceitaram levar-nos aos cinco, o meu pai à frente e atrás a minha mãe, muito elegante, e as três filhas, a minha irmã mais velha com quinze anos, e eu e a minha irmã mais nova com onze e nove anos, ainda bem miúdas e magrizelas.

Nos Mercedes Táxi cabíamos perfeitamente.

Numa noite em que regressámos de camionete esperamos muito tempo até chegar um táxi e aqui, no Porto, o motorista foi peremptório, não nos levava aos cinco.

O meu pai disse então que iria a pé, até porque tendo levado tanto tempo até chegar um táxi, não faria muito sentido ficar o mesmo tempo ou mais à espera do próximo.

A minha mãe não queria que ele ficasse sozinho, mas com três filhas e as malas, não via como irmos todos a pé.

Aí, eu disse que ia com ele. O táxi afastou-se com a minha mãe, as minhas irmãs e as malas e nós iniciámos o passeio.

Era bem tarde e não se via ninguém pelas ruas, mas não senti receio, dei a mão ao meu pai, tentei acompanhar os seus passos e conversámos até chegarmos a casa.

Lá havia luz e a minha mãe tinha feito torradas e café com leite para comermos.

Senti-me feliz por ver que a minha mãe tinha gostado que o meu pai não fosse sozinho, ter conseguido acompanhar os seus passos e estarmos depois todos juntos, em casa, a cearmos as torradas e o café com leite.

 

Tema da semana: Uma aventura/momento que te tenha marcado

Gabi escreve aqui e aqui

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