Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desafio de Escrita

Tema #2 dESarrumada Maria

10
Out19

O texto de hoje vai ser simples. O tema é: Amor e um estalo. Amor, só assim, simplesmente, parece-me bem. E... um estalo?

Sei que o historial dos meus textos poderia levar-me aqui a dissertar sobre o porquê de um estalo durante o Amor, se for bem dado, saber tão bem. Mas a palavra estalo não me soa bem. Neste contexto de escrita "à la desarrumada" poderíamos encontrar uma palmada, uma nalgada, um tapa na bunda.... Mas estalo? Estalo parece-me tão... violento.

Admito... estalo faz-me pensar em violência doméstica. E violência doméstica faz-me pensar que, só este ano, em França, já morreram 101 mulheres pelas mãos dos seus companheiros. Dados recenseados até ao dia 3 de Setembro. Se calhar hoje o número já aumentou.

Tudo isto para dizer que a palavra estalo me fez pensar nesta realidade tão dura para algumas mulheres.

E algumas pessoas perguntam: mas porque é que ela não foi embora?

Isso serão episódios de um próximo capítulo..

 

Tema da semana: O Amor e um estalo

dESarrumada Maria escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2 - Fátima Bento

27
Set19

Um tema como o desta semana empurra-nos para a violência domestica.

Amor e um estalo.

E então algumas cabeças mais ou menos pensadoras resolvem começar a tentar dar a volta ao titulo, e falar de uma coisa completamente diferente. Podia falar do amor com que o meu gato dorme enrolado ao meu corpo, e a forma abrupta com que me acorda quando acha que está na hora de eu sair da cama? Sim se umas dentadas fossem equivalentes a um estalo.

Podia falar de todas as estaladas que apanhei por amor, por me pôr à frente das pessoas que amo, para cortar o golpe (não estou a falar em estaladas físicas, mas as psicológicas, não doem menos...)?

Podia falar do amor que às vezes não sinto por mim. e no mal que me faço, no quanto me boicoto?

Tudo isto podia encaixar no titulo, não podia?

Provavelmente. Mas esta semana andei com isto às voltas na cabeça e não saiu nada. Desculpem, por isso. e pelo atraso... não gosto de escrever textos vagos e vazios para desafios de escrita...

Tema da semana: Amor e um estalo

Fátima Bento escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tems #2 - Pó de Arroz

27
Set19

O Amor. Esse sentimento que nos faz mover e transformar o nosso mundo. Virá-lo de pernas para o ar. O Amor é a emoção mais completa e complexa do que imaginamos. Sem ele nada faz sentido. Felizmente, hoje em dia, já existem imensas pessoas que tentam viver segundo as regras do Amor. Não é tarefa fácil porque o Amor não se resume ao simples ato de amar um namorado, um marido, os filhos, a família.... Amar é tão completo que descobrimos que se não nos amarmos e respeitarmos a nós mesmos em primeiro lugar, tudo o resto é uma ilusão. E eu, estou muito grata por estar a assistir a toda esta revolução de pensamento. Em que o material dá lugar ao emocional. Em que começamos a dar valor a um abraço verdadeiro. Talvez eu esteja só a sonhar e a divagar. Mas o interessante disto tudo é que estou a gostar imenso desta fase da minha vida. É como diz uma velha frase, que só conseguimos ver a nossa Luz, depois de passarmos pela escuridão. Não tem sido fácil, por vezes a vida é madrasta. Como se nos desse um estalo e quer obrigar-nos a acordar. E depois… a escolha é nossa. Temos sempre escolha, acordar ou mantermo-nos a dormir. Hoje o meu maior desafio é manter-me na linha do Amor. Como viver o meu dia-a-dia a Amar? Como ser um exemplo de Amor? Como fazer tarefas de que não gosto em nome do Amor? Como me relaciono com pessoas que me incomodam com Amor? Como perdoo quem me tenta prejudicar de alguma forma, em nome do Amor? Não tenho resposta a estas perguntas…

Mil e uma ideias surgiram para este tema. Histórias mirabolantes. Mas depois, quando comecei a escrever, lá levei novamente o tema para as minhas questões essências. Que a vida, seja vivida com Amor.

 

 

Tema da semana: O Amor e um estalo

Pó de Arroz escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

 

Tema #2 - Osapo

27
Set19

Cumprimentou-o e sentou-se no sofá indicado. Os olhos, enormes, fitavam-no fixamente enquanto lhe explicava os procedimentos. Ouvia atentamente mas não escondia o nervosismo. Estava desconfortável também pela frieza do consultório.

Era a primeira vez que se submetia e, sendo tão racional, tudo aquilo parecia não fazer qualquer sentido.

Fechou os olhos quando lhe pediu. Ouviu uma voz monocórdica mas forte que conduziu, imediatamente, a sua imaginação por umas escadas largas, em pedra, com um tapete vermelho contornando silenciosa e religiosamente cada degrau. A voz suave induzia-o a descer sem receio mas não conseguia ver o fim dos degraus.

Lembrou-se que se conheceram há 3 meses. Uma atração inexplicável levou-os pela galáxia durante a primeira relação sexual. E em todas as vezes seguintes também. Não tinham tabus no sexo e o prazer autêntico era simultâneo. Mas, inexplicavelmente, no momento do orgasmo dava-lhe um estalo forte na face.

Nunca lhe tinha acontecido. Tentou dominar esse ímpeto, mas sem sucesso.

Sexualmente era muito excitante no início, mas aos poucos foi turvando a relação. Para testar-se, em segredo, procurou sexo por fora. Com estranheza, no clímax, a vontade de esbofetear nunca ocorreu.

Por amor deixou-se convencer a procurar ajuda. Estava sentado naquele sofá esverdeado esbatido pelo sol e pelo uso, para isso.

A voz despertou-o, ainda perdido pelas escadas intermináveis. Sentia uma paz e não respirava, certamente.

- Está num estado de hipnose consciente, ouviu.

123.png

Que absurdo pensou. Tentou levantar a mão. Não conseguiu. Tentou mexer os pés. Os olhos. Tentou falar. O corpo não obedecia. Invadiu-lhe um pânico assustador.

Escutou um som seco mas forte. Sentiu um leve ardor na face e não conseguiu emitir qualquer som.

- Sempre que tiver vontade de esbofetear vai doer-lhe a face e sentir a boca terrivelmente seca, escutou.

Estava em sobressalto. Obedecendo à voz iniciou a subida, degrau a degrau, e sentiu a respiração acelerada.

- Está consciente agora, explicou-lhe.

Ergueu-se num salto e sem uma palavra correu aos encontrões pelo consultório fora. Nem quis saber a origem daqueles atos irrefletidos.

Na rua, sentiu o sol e tentou sorver todo o ar possível. Lembrou-se então que estava no desafio dos pássaros e sorriu.

Olhou-se na montra da loja e viu a face muito vermelha e os dedos bem marcados. Ardia-lhe.

Encaminhou-se para o carro onde esperavam.

Tinha uma dor insuportável na face do estalo que tinha levado... e a boca estranha e terrivelmente seca...

 

Tema da semana: Amor e um estalo

Osapo escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2 - Candeias

27
Set19

O amor e um estalo...

Quem diz sentir amor e nos dá um estalo não nos ama...pensa que é nosso(a) dono(a).

O amor é sinónimo de respeito, de liberdade de se ser quem se quer, de se agir como se quer, tendo em conta o objectivo de vida em comum (se é que esse objectivo existe). O amor começa com amizade e, tal como na amizade, no amor não há "és meu e sou tua" e se não fores minha/meu...toma lá um estalo que é para aprenderes. No amor não se proíbe a pessoa com quem se partilha uma vida em comum (ou se começa a pensar em partilhar) de falar com fulano, de trocar mensagens com beltrano. Se se proíbe, não é amor! Se não é amor não vale a pena lutar.

Estalo e amor não são sinónimos.

Não combinam!

Não dão certo!

E, nunca darão!

Se há estalos...não vale a pena dizer que se ama.

Se há estalos...ama-se a ideia de posse.

Nada mais!

 

Tema da semana: Amor e um estalo

Candeias escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

 

Tema #2 - Maria João

27
Set19

Uma contradição logo para começar. E nesse sentido, que sentido dar a este texto? Um conto, onde essas duas palavras tomem ação, ou uma pequena dissertação sobre a contradição entre as duas? Como os contos, têm que ter alguma coisa que puxe por mim, para os escrever e aqui não vejo nada disso, opto por uma dissertação. Vamos lá, então.

Os dois não podem viver juntos. O amor não pode sofrer um estalo, seja em que sentido for e o estalo não tem lugar perto do amor. Senão vejamos.

A Bíblia diz (e para mim, a Bíblia é a única fonte da razão, da coerência e da verdade) no Primeiro livro aos Coríntios, no capítulo 13 que o amor é: paciente, é prestável, não é invejoso, não se envaidece, nem é orgulhoso, não tem maus modos, nem é egoísta, não se irrita, não pensa mal.

Analisada cada uma destas palavras, só posso concluir que se é amor, não há lugar para um estalo, se há um estalo é porque não é amor, mas sim qualquer um outro sentimento ou paixão menos nobre, mas igualmente avassaladora, porque o verdadeiro amor é avassalador. Transforma a nossa vida, faz-nos olhar os outros (ou o outro) com olhos de ver e coração de sentir o que eles (ou ele) sentem. E o que vemos e o que sentimos passa a ser nosso e passa a ser uma prioridade e um desejo de viver para os outros (ou o outro), e nesse desejo não há lugar para um estalo. E podemos considerar o estalo, tudo o que seja negativo, em relação a um sentimento tão positivo como é o amor.

E mais, não há espaço ocupado e sem espaço para mais, porque o amor abre espaço. O amor é um sentimento que quanto mais se partilha, mais aumenta. É por isso que no parágrafo anterior, falo em outros e outro, em eles e ele. Concluindo, amor é o nosso viver para além de nós e nesse viver, um estalo não pode ter lugar.

 

Tema da semana: Amor e um estalo

Maria João escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

 

Tema #2 - Fátima Cordeiro

27
Set19

Intervenção da narradora-autora: Guillaume está a falar com Guilherme à apenas dois minutos mas já se formou uma fila de carros atrás de si. Parar o carro no meio da estrada é sempre má ideia – esteja-se onde se estiver – mas esta cidade de província do Litoral reproduz, à escala pequena, todos os problemas da capital do país.

Vendo os apitos e vozes histéricas, Guillaume com algum fleuma francês, decide devagarinho estacionar o carro. A decisão é tão lenta que Guilherme tem tempo de lhe perguntar se quer ir tomar uma cerveja.

Guilherme devia estar a trabalhar. Mas ao ver Guillaume, decidiu que ocuparia a tarde de outra maneira. A ideia de tomar umas dez cervejas todas pagas por Guillaume sorri-lhe, como a melhor notícia da semana. Com sorte, poderá dar largas ao seu espirito fanfarrão e machista, que ultimamente tem tido poucas oportunidades de mostrar.

Guillaume e Guilherme sentam-se num café e pedem logo duas cervejas.  Guilherme respira fundo e começa a conversa.

Guilherme: Amo a minha mulher mas às vezes dá-me vontade de lhe dar um estalo. Serei normal?

Intervenção da narradora-autora: Guillaume não percebe do que o outro fala. Por isso pede para o outro repetir. Guilherme repete várias vezes. “Aimer” é a única palavra que sabe dizer. O resto tem de fazer compreender ao outro através de gestos. Primeiro Guillaume pensa que o outro lhe quer bater. Por fim, lá percebe tudo. E responde.

Guillaume: Oh mon dieu, aimer c'est complique!

 

Tema da semana: Amor e um estalo

Fátima Cordeiro escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2 - Miss X

26
Set19

Este texto tem banda sonora.

Por favor, ler ao som da música.

 

Naquele distante,

quando o teu olhar

tocou no meu, escrituraste o meu ser.

Deixei de me pertencer.

Era já tua sem o saber. 

Enlaças-me pela cintura, o meu ar em fuga.

Desfalecida

sem um respiro,

prendes-me a face,

cada cílio teu a tocar nos meus, 

naufragando-me

em mares intempestivos só teus.

Mordes-me os lábios rubros, 

maçã de Eva trincada em sangue.

És minha

sussurras ao ouvido,

deixando-me cair exangue,

para me agarrares

no último instante.

Num rodopio inconstante

de um acorde de Piazzolla.

Agarras-me os cabelos,

flor arrancada

em carinho agreste.

Os nossos passos

cadenciados

num tango de Gardel,

pensamento triste

que se dança

num abraço de vingança.

E atirada ao chão

submissa, 

numa obsessão que não é minha.

Amas-me de tanto me bater 

e eu amo-te no meu doer.

Meretriz de homens inventados,

condenada a desejos teus.

Em todos os meus nãos o teu sim,

será o amor assim,

será o amor assim.

 

Tema da semana: Amor e um estalo

Miss X escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tems #2 - Gabi

26
Set19

Tema 2 - O amor e um estalo ou quem se ama, pica-se.

Conheceram-se no casamento de amigos comuns, ficaram na mesma mesa e detestaram-se. Ele achava-se engraçado, ela quase que lhe deu um estalo. A partir daí a aversão foi recíproca.

Com o correr da noite beberam além da conta e acabaram a passar a noite juntos.

Ela despertou primeiro e saiu de mansinho, antes que ele acordasse, pronta a esquecer o mau passo, sem se lembrar bem se fora mau ou bom. Ele acordou enquanto ela se vestia e fingiu que ainda dormia. Continuavam em sintonia. Primeiro odiaram‑se, e em seguida, queriam era ambos esquecer aquela passagem da noite.

Só que depois veio ela a descobrir que apesar do endométrio, e de três médicos lhe terem garantido que não podia ter filhos, e que mesmo com inseminação artificial seria difícil, senão impossível, estava grávida.

Não era o pai que escolheria, mas nem pensar em interromper a gravidez.

Quando lhe contou, ele levou um susto tão grande que nem conseguiu esboçar um sorriso amarelo e saiu-se com a frase infeliz: “tens a certeza que é meu?”.

Era, como com exames de DNA ela fez questão de lhe provar.

Reencontraram-se depois só a seguir ao parto e apaixonaram-se os dois pelo bebe.

Ele queria ver o filho crescer, ela começou a sentir-se grata pela ajuda e companhia. Afinal ele não era assim tão odioso, às vezes até conseguia ser querido. Ele espantou-se como é que ela sendo mãe para passar noites acordadas a tomar conta do filho, conseguia depois parecer tão doce e bonita.

E depois?

Juntaram-se e tiveram mais um filho. De vez em quando ainda se picam, mas a brincar e sem estalos, por quem ama, não agride, antes protege e cuida.

 

Tema da semana: Amor e um estalo

Gabi escreve aqui e aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2 - Marina

26
Set19

O arguido, Tiago Silva, 24 anos, sem profissão, residente no Lugar de Tábua, número 38, vivia em regime de coabitação com a vítima, Maria Francisca Santos, 23 anos, há um ano, tendo desferido de forma premeditada, por motivo fútil, vários estalos na face da vítima e , após a queda desta no chão de um dos quartos da habitação, sem mostrar qualquer arrependimento pelo seu ato, continuou a agredi-la violentamente e de forma desprezível, revelando desumanidade. Após este ato vil o arguido telefonou para o seu pai, José Silva, relatando o sucedido de forma tranquila, tendo o seu pai acorrido ao local, que dista 500 metros da sua residência, tendo imediatamente chamado o INEM e a GNR. A vítima, Maria Francisca Santos, teve fraturas múltiplas por todo o corpo e hemorragia interna, tendo falecido nas urgências do Hospital de São Vicente, 2 horas após a entrada nas urgências.

Face ao exposto, Sr. Tiago Silva, o que tem a dizer?, disse a juíza.

Foi Amor, Srª Drª Juíza. Ela queria deixar-me, queria ir estudar para Lisboa. Não podia ser, tínhamos jurado amor para sempre, respondeu Tiago

Com um olhar reprovador e enojada a juíza leu:

Face ao exposto e sendo este caso de extrema gravidade , mais um caso de violência doméstica em pleno século XXI, revelando o arguido desumanidade , extrema frieza, aplica-se a pena de vinte cinco anos de prisão no estabelecimento prisional de Vale do Ermo, sem saídas precárias. A sessão está encerrada.

“Viste aquele que chegou agora?”, repetiu o enfermeiro.

“Sim, já não há nada a fazer. Foi esfaqueado na cela.”

Tema da semana: Amor e um estalo

Marina Malheiro escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook