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Desafio de Escrita

Tema #1 - Fátima Bento

20
Set19

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Tenho um problema.

Tenho um problema debaixo da pele, daqueles que crescem connosco, engordam e emagrecem quando isso nos acontece.

Tenho um problema debaixo da pele que às vezes se ramifica, se multiplica, se expande e há pouco que fazer senão esperar que se canse e se recolha, ou que alguém o corte. E quando é ex cisado, dói mas é melhor assim.

Tenho um problema debaixo da pele, e já tive quem me ajudasse a ordenar pontos de interrogação e a firmar certezas. Mas já não tenho.

Tenho um problema debaixo da pele que me tira o ar, que me abre buracos no peito, que me faz sentir que não consigo respirar, e que vou ter de abrir a boca debaixo de água para recuperar o (último) fôlego.

Tenho um problema debaixo da pele, e tenho de viver com ele até morrer.

 

Tema da semana: Problemas, só problemas

Fátima Bento escreve aqui

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Tema #1 - Fátima Cordeiro

20
Set19

Bem-vindos a uma cidade longe de Lisboa, mas não muito. Que fica no Litoral mas toda a gente pensa que fica no Interior. Que ficou conhecida por aparecer num programa de um canal público de televisão a divulgar Brisas do Liz. Guilherme vive no concelho há 50 + IVA anos mas vai à cidade todos os dias. Guillaume é francês e tem 40 + IVA anos. Está na cidade temporariamente: veio com os primos portugueses em Agosto. Os primos portugueses já se foram embora mas ele decidiu ficar até o “Desafio de Escrita dos Pássaros” terminar.

Guillaume hoje está de carro porque vai passar o dia a uma das praias da região. E para o carro no meio da estrada para pedir informações:

Guillaume: Olhe, sabe como se vai para a praia de S. Pedro?

Guilherme: De cor não sei, não tem um mapa? Não tem GPS no carro?

Guillaume: Tem GPS mas não consigo configurar. Problemas, só problemas! Sabe ao menos quantas rotundas vou apanhar?

Guilherme: Isso não sei. Mas não se esqueça que nas rotundas deve ceder a passagem aos veículos que nela circundam, qualquer que seja a via. E só os automóveis pesados e os velocípedes podem ocupar a via mais à direita.

Guillaume: Obrigada. Não me esclareceu o que eu queria mas já me ajudou.

 

Tema da semana: Problemas, só problemas

Fátima Cordeiro escreve aqui

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Tema #1 - Candeias

20
Set19

Eu meti-me numa incómoda situação (porque isto de problemas é uma questão para desenvolver já a seguir) de me inscrever no desafio dos pássaros e de, à partida, já saber que sou uma desastrada quando há dia/hora certa para enviar textos, trabalhos, o que for. Ser pontual é um stress, um incómodo, porque isto de problemas reais, para mim, é outra coisa. Mas eu queria e quero interagir com pessoas, ler as suas histórias...e foi por isso e para isso que me candidatei. Espero que ainda vá a tempo de publicar este texto (se o virem a sair para a luz do dia é porque, sim, ainda fui a tempo).

Mas vamos falar de problemas, só problemas (reais). Para mim um problema é ter-se uma doença grave, é ser-se dependente, é haver pessoas a pegar fogo a florestas, é meninos e meninas a terem de partir cedo demais, é existirem pessoas idosas em lares sem condições ou fechadas em casa sem possibilidade de irem à rua por falta de acessibilidade, é existirem terroristas, assassinos, violadores, destruidores do planeta e desigualdades extremas no mundo...isso e, muitas outras coisas. Graves e reais. Agora o ter de se esperar muito na fila das finanças, da segurança social etc, isso é um incómodo.

Olhemos mais para os problemas do mundo e para a forma como podemos ajudar a resolve-los. Os incómodos passam, nós só nos lembramos deles quando os "vemos" à nossa frente. Agora, os problemas alastram-se, destroem pessoas, mudam vidas (para sempre). Sozinhos somos uma gota no oceano mas juntos podemos melhorar muita coisa. Juntos podemos mudar vidas, mudar destinos...podemos TUDO.

Um problema só é um problema se não o combatermos com união. Porque, se é verdade que há coisas que fogem ao nosso controlo (como a morte) não há nada que não se amenize com um amor verdadeiro. Porque o amor não traz de volta quem está morto mas, cura as feridas de quem cá ficou...inconsolável.

Sejamos a cura para todos os problemas!

Tema da semana: Problemas, só problemas

Candeias escreve aqui

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Tema #1 - Happy

20
Set19

Problemas, só problemas, pensava a velha enquanto bebericava o seu cappuccino. Mesmo sem nunca ter ido a Itália, sabia que gostava do ritual da espuma e da canela. Desfazer aquele pretensioso desenho que boiava na caneca era para ela a sensação de que para tudo havia uma segunda hipótese. No dia seguinte, na mesma caneca, estaria uma espuma igualzinha, pronta a ser igualmente desfeita.

A vida aconteceu-lhe intensamente e desde muito cedo. Aprendeu ainda adolescente que a vida não se engoma sozinha e todos os vincos têm de ser, mais cedo ou mais tarde, desestruturados. Mas as suas rugas, vincadas, calcadas, quase tatuadas não têm a mesma hipótese que a espuma do cappuccino. São indeléveis, imiscíveis e nem drenando todas as suas angústias e todos os nós, poderia voltar a ser feliz. Nem afastando os fantasmas que de noite lhe roubavam a tranquilidade. Os fantasmas de uma vida já quase toda vivida. Os fantasmas de tantos e tantos que já a tinham abandonado. Dos filhos, cuja distância já não era apenas física, mas que já se tinha imposto como parte da relação.

Só naquele momento em que mexia o cappuccino e desmanchava com pena, aquele contorno, vislumbrava alguma esperança, de que nada era irremediável - nem aquela velha, solitária e doente cuja memória se ia deteriorando, no limbo entre o querer e o não querer lembrar.

Tema da semana: Problemas, só problemas

Happy escreve aqui

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Tema #1 - dESarrumada Maria

20
Set19

Problemas. Incógnita. Duas palavras que se escrevem com 9 letras. Tantos problemas a resolver, para encontrar uma incógnita de uma só letra. X.

9 letras. Tal como o meu nome, o verdadeiro, não o pseudónimo do blog. Quando era criança acreditava que o meu nome era um problema, porque tinha muitas letras, enquanto que o dos outros meninos tinha menos. E sentia-me injustiçada. Chegava a casa e rogava pragas à minha mãe por me ter escolhido um nome tão grande. Problemas de uma criança de 3 anos que está a aprender a escrever.

Já o nome do blog, esse tem 11 letras! Já é para meninos crescidos. Mas também parece ser um problema para algumas pessoas. Já cá chegaram pessoas a procurar por uma desarumada, ou dsarumada, ou dessarumada. Se calhar não é um problema assim tão grande, porque o senhor Google sabe bem para onde esta malta quer ir e manda-os para aqui na mesma.

Mas isto, é um problema menor. O problema maior, é que aprendi o teorema de Pitágoras, sabia aquelas fórmulas matemáticas de cor e salteado, e até procurei o valor de X vezes e vezes sem conta... Para, hoje em dia, a resolução desses problemas, não me servir para rigorosamente nada. O X que procuro, e que completaria a minha equação, teima em não aparecer.

Confesso que... No 12° ano, andava tão fartinha de procurar o tal valor de X, que a minha escolha profissional acabou por não ser completamente inocente. Olhei para todos os cursos de saúde, e escolhi o que me parecia ter menos matemática. E acertei em cheio. No curso com menos matemática... Relativamente a ser a profissão para a qual tenho mais vocação e que vou exercer para o resto da vida, isso já é outro problema.

Tento saber com que fórmulas se escreve a vida, com que regra de três simples é que se chega ao valor da felicidade, com que calculadora é que encontrarei o resultado que procuro...  Como poderei continuar a viver se nunca encontrar o X da minha vida?

Incógnitas. Cada um tem as suas. E neste momento as minhas poderiam ser um problema, mas decidi inventar o meu próprio mundo de números imaginários. E para já, essa solução chega para ter um Suficiente que me Satisfaz Muito Bem. Mesmo sem ter encontrado o valor de X.

 

Tema da semana: Problemas, só problemas

dESarrumada Maria escreve aqui

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Tema #1 - Silvana

20
Set19

Quando não são apenas coisas de miúdos(as)

Tema: Problemas, só problemas

Esta semana marca o início de mais um ano letivo. Muitas escolas voltam a encher-se de risos, de brincadeiras e de momentos de aprendizagem. Porém, para algumas crianças/adolescentes é também um local de tristeza, de abusos e de ameaças.

O bullying sempre existiu. As crianças/adolescentes alimentam uma espécie de crueldade sem limites ou barreiras. Porém, muitas vezes esta realidade é muito camuflada e desvalorizada. Já me cruzei com professores(as) que, perante o pedido de ajuda de pais e mães desesperados por verem os seus filhos(as) a sofrer, proferem a célebre frase “Não se preocupe, são coisas de miúdos…”.

Como é que um pais e/ou mãe que assiste todos os dias ao sofrimento do filho(a) se pode contentar com esta frase? Como é que podem lidar com os sentimentos de inutilidade sempre que pretendem resolver este tipo de situação? E os professores(as), qual é realmente o seu papel?

Muitas são as perguntas, mas nem sempre as respostas são as mais óbvias. O bullying é um problema real que precisa de soluções todos os anos. O meio escolar deverá reunir, continuamente, esforços que sensibilizem a comunidade escolar (pais, professores e alunos) para o fenómeno dando-lhe a real importância. Quer em casa, quer na escola as crianças/jovens devem sentir-se seguras e confiarem nas pessoas ao seu redor. Se isto acontecer, mais facilmente se sentirão capazes de pedir ajuda.

Acima de tudo, não devemos desvalorizar os sinais de que algo está diferente com aquela criança ou jovem. É dar atenção a esses sinais, procurar compreendê-los e, sempre que necessário procurar ajuda profissional. Esta atenção não deverá ser unicamente direcionada para as vítimas. Também os(as) agressores(as) precisam de serem ouvidos e ajudados, porque ser vítima ou agressor é apenas a ponta de um icebergue onde podem estar escondidos muito outros problemas (ex: doença mental, abuso físico, violência doméstica, baixa auto-estima… entre muito outros).

Por fim, não devemos deixar de lado um fenómeno mais recente, o cyberbullying. Este é um tipo de agressão em que os(a) agressores(as) usam a internet para “atacar” as suas vítimas. É um fenómeno ainda mais complexo porque as a identidade daquele(a) que agride fica protegida. Contudo o sofrimento é o mesmo.

Em suma, é importante que todos estejam atentos às crianças e aos jovens e em que nenhum momento desvalorizem aquilo que eles sentem e que estão a passar.

 

Tema da semana: Problemas, só problemas

Silvana escreve aqui

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Tema #1 - Vespinha

20
Set19

Este tema não podia vir mais a propósito.

Há semanas que me queixo da minha filha Maria, que desde que começou as férias me acorda quatro e cinco vezes por noite só porque quer um beijinho. As noites e as sestas têm sido um martírio, e eu quase que amaldiçoo a miúda por aquelas chamadas noturnas. Não há pesadelos, não há chichi para fazer, há somente um beijinho por dar.

Pois esta semana a Maria ficou doente, com algo do trato respiratório que lhe tem causado febre, pieira e uma grande prostração, e por vezes nem de dia ouço a sua voz. Sei que lhe vai passar, pois está medicada e é uma questão de tempo.

Mas a moral da história é que por vezes os problemas que dizemos ter são apenas problemazinhos, ou nem isso são. Problemas, problemas a sério, é ter filhos ou familiares doentes, com doenças crónicas ou terminais que nenhuma noite de sono, mesmo que intermitente, nos deixam ter.

Há que relativizar.

Tema da semana: Problemas, só problemas

Vespinha escreve aqui

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Tema #1 - Blá Blá Blá

19
Set19

Problemas, só problemas...

Como se já não fosse um problema suficiente uma pessoa sem as devidas competências artístico-literárias meter-se num desafio de escrita, decidi ainda aceitar o tenebroso desafio do Triptofano de que escreveria acerca de sexo, solidária com a causa #sexosemculpa iniciada pela dEsarrumada.

Mas do mal o menos, e realmente para uma mulher com um trabalho a tempo inteiro, que perde 1/3 da sua vida a andar de transportes públicos, com filhos, lida da casa e um blog para gerir, problemas e sexo estão invariavelmente interligados.

Para poupar palavras passo a enumerar:

* é um problema arranjar energia ao fim do dia para ter sexo;

* é um problema pôr as crianças a dormir nas respectivas camas para poder dar cambalhotas com o Querido na nossa cama à vontade;

* é um problema quando não conseguimos pôr as crianças nas respetivas camas e tendo a nossa cama ocupada não ter outra alternativa e termos de acabar embrulhados no sofá;

* é um problema quando estamos lançados, estamos no auge, quase quase a chegar e ouvimos um barulho suspeito à porta do quarto que nos obriga a parar abruptamente, agarrar numa peça de roupa à pressa e ir com a voz arquejante ter com uma criança que não percebe porque estás com um ar alucinado de quem veio a correr a meia maratona;

* é um problema não poder fazer barulho e extravasar à vontade;

* é um problema o sexo ter de ser renegado para a noite, quando as crianças dormem;

* é um problema arranjar esconderijos para os nossos brinquedos numa casa com crianças que arranjam mil e um motivos para meter o bedelho em tudo.

Mas, para mim e a acima de tudo, é um problema não ter sexo!

Eu tenho muito, não se preocupem!

Mas acho que anda a fazer falta a muito boa gente!

Acredito que o sexo resolve muitos problemas e, nos problemas que o sexo não resolve, ajuda pelo menos a atenuar tensão acumulada. Por isso é que às vezes no meio de discussão eu viro-me para o Querido e digo "Pára tudo! A gente já continua. Vamos dar uma foda!” Obviamente ele não discute, a te(n)são liberta-se, a te(n)são alivia-se e quando acabamos às vezes não nos lembramos do que estávamos a discutir mas mesmo quando nos lembramos já não estamos tão zangados!

Por isso, se querem evitar problemas, só problemas (gravidezes indesejadas não estão incluídas!), vocês fodam!

Tema da semana: Problemas, só problemas

Bla Bla Bla escreve aqui

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Tema #1 - Isabel Silva

19
Set19

A escola e os seus problemas

E lá ia eu, (seria de mochila?) lembro-me de outras coisas onde levava os livros e os cadernos, curiosamente não me lembro de mochila alguma. Era entrar e sentir aquele cheiro a escola, (a que cheira a escola?) de qualquer maneira era um cheiro bom, e ainda hoje o sentimos em dia de eleições.

 As mesas de madeira com bancos incorporados, o estrado onde estava a secretária da Senhora professora, (anos 70) e o respeito de alguns. Outros nunca percebi se tinham respeito ou se era medo, vi coisas que não quero contar.

Gramática, ditados, composições, história, geografia, aritmética e o Sr. Manel que tinha limões, mas que não sabia quantos eram e nós é que tínhamos que saber,e a D. Maria que tinha umas galinhas, mas que tinha aparecido uma raposa que se tinha alambado com algumas, e a mulher precisava da nossa ajuda para saber com quantas tinha ficado.

E nós sempre a reclamar que não tínhamos nada com isso, que com um limão tínhamos suficiente, e que as raposas tinham o direito de se alimentar, para não andarem magrinhas e escanzeladas.

E os problemas com os carros, camiões, bicicletas e afins? Nós nem tínhamos carta, para que saber o tempo que levávamos de aqui para ali? Os nossos pais é que se deviam preocupar com isso, não as crianças que andavam a pé. 

Enfim, problemas, só problemas que caíam sempre em cima de nós, como se quisessem que fossemos nós a salvar o mundo.

Tema da semana: Problemas, só problemas

Isabel Silva escreve aqui

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Tema #1 - Avó Cool

19
Set19

Mercearia

- Por favor, queria dois quilos de problemas.

- Com certeza. Não quer acompanhar com um bom néctar de sonhos? Tenho aqui a colheita ideal para equilibrar…

- Agradeço, mas não.

- E uns desejos light? São fresquinhos, alcançáveis, diria até que fáceis de cumprir. Acredite que vai gostar!

- Passo.

-  Um saquinho de prazeres simples? Depois de provar não vai querer outra coisa; tenho clientes que se deleitam com eles todos os dias.

- Não! Dois quilos de problemas. Isso, pese lá direitinho.

- O cliente manda, mas não leve a mal a pergunta: nunca varia de regime de vida? Isto é como o outro, sempre arroz, sempre arroz…

- Talvez seja, mas o fatalismo nunca perde a elegância. Gosto de jogar pelo seguro; as alegrias não me beneficiam muito e o excitamento causa-me arrepios. 

- Então e depois? Mais vale um frisson pela espinha abaixo do que um andar cabisbaixo, digo eu.

- Diz mal! Se eu for por aí com a cabeça afundada nos ombros, maldizendo a minha sorte e o meu fado de tristezas, ninguém me incomoda com nada, faço-me entender? Melhor, acabo por colher umas boas doses de comiseração, o que é sempre um excelente condimento para uma pessoa  sensível. Sou muito sensível. Além de que não me exponho a esse disparate de procurar ser solidariamente feliz, uma trabalheira, percebe?

- Honestamente, não atinjo. São então só os problemas?

- Isso mesmo: problemas, só problemas!

- Sabe que para quase tudo há uma solução…

- Nada de soluções, transformações, revelações ou novas resoluções. Não uso nada disso.

- Enfim, lamento.

- Olhe! Uns lamentos não iam mal. Arranje-me aí uns 600 gramas.

 

Tema da semana: Problemas, só problemas

Avó Cool escreve aqui

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