Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desafio de Escrita

Tema #2.7 - José da Xã

14
Mar20

Enquanto a viatura negociava as curvas lentamente, Elizário mirava os campos verdes salpicados por inúmeras cabeças de gado.

A ladear tufos de hortências, ainda por desabrochar. Enquanto subiam a serra, o céu toldava-se numa chuva miúda ou num nevoeiro denso.

- Olha o nevoeiro…

- Junho é o mês deles.. – acrescentou a conterrânea.

Quilómetros passados a estrada principiou a descer.

- Sabe onde vamos, Elizário?

- Oh, oh, nem imagino.

- Lembra-se da Fajãzinha?

- Se me lembro… - o olhar do florentino acabou por adquirir uma enorme tristeza.

- Hum! Cheira-me que houve para aí uma história de saias… – calculou o condutor com um sorriso.

Silêncio. Na estrada uma tabuleta indicava o caminho.

- Vamos revisitar este lugar… Pode ser senhor Elizário?

- Vamos onde mesmo?

- Já vai ver.

A estrada descia e tornava-se agora mais íngreme e as curvas mais perigosas. Finalmente o alcatrão desembocou numa espécie de largo. Pararam o carro e saíram todos. Ao fundo, não muito longe… o mar de um azul forte. A perder-se no horizonte…

Perguntou ela:

- Onde é a sua Fajá?

- Para aquele lado… encostadinha ao mar – apontou Elizário.

De súbito tocaram três badaladas. Subiram então uma pequena encosta e perceberam que bem perto da igreja estava o cemitério.

- E aqui haverá alguém da sua família?

- Isto lembro-me… por causa daquelas imagens – e apontou para uns anjos encrustados no velho e pesado portão de ferro.

O portão rangeu sob o peso e a ferrugem, encostaram-no e em silêncio, procuraram alguma indicação. Voltou a ranger. Uma idosa, quase tão velha como o tempo, penetrou no cemitério e encarou com aqueles estranhos:

- Bom dia!

- Bom dia – responderam para logo a seguir - a senhora é de cá?

- Sou sim…

- Haverá aqui alguém da fajã de Santo Elói?

- Oh se há… veja aqui… - e apontou para uma campa que já tivera melhores cores.

Leram numa lápide desenhada na pedra negra:

- “Aqui jaz Fulgêncio Mota”.

- Era o meu avô… - confessou em surdina.

A viúva partira, deixando-os sós.

- Quando morrer adoraria ser aqui enterrado…

- O que é que gostaria que dissessem de si?

- Oh sei lá… Pergunta cada coisa, a menina!

- Vá pense…

Por fim.

Aqui dorme para sempre Elizário Mota. Nasceu pobre e morreu rico, mas sem sequer ter um tostão.

Olhou o casal e genuinamente sorriu.

Tema da semana: Escreve o teu elogio fúnebre

José da Xã escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.7 - Maria Araújo

14
Mar20

Não sei escrever elogios fúnebres, não tenho coragem nem feitio para os dizer.
O que sei é que sempre que vou a um funeral as lágrimas vêm-me aos olhos, quem quer que seja o falecido.
Não sei se isto soa a falso, e não me considero uma pessoa falsa. Talvez seja sensibilidade.
Ou a recordação dos meus familiares defuntos.
E quando vou aos funerais é porque sinto que aquela pessoa merece a minha presença nas cerimónias fúnebres. Se puder fujo dos velórios
Mas quando escuto alguns elogios de familiares e/ou amigos que enaltecem aquela pessoa , embora não fosse o melhor alguém, há falsidade.Só por que fica bem fazer um elogio fúnebre dito por quem tem o dom da palavra mas não tem o dom do perdão.
E há quem aproveite a cerimónia para mandar bocas a quem está presente. Já vi e ouvi de tudo. É triste, isto.
Fiquei sem familiares e amigos, poucos foram os que tiveram elogio fúnebre.
E ainda bem.
Os elogios devem ser feitos em vida.

Tema da semana: Escreve o teu elogio fúnebre

Maria Araújo escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.7 - Ana de Deus

14
Mar20

desafio dos pássarospalavras da minha mãe
(porque não fui capaz de o fazer sozinha)

tinha um sorriso contagiante e a todos cativava. gostava de dizer 'bom dia' e 'boa tarde' a toda a gente. amava a família e disso dava provas. falei no sorriso, pois era o sorriso puro de uma criança, que se estendia da boca aos olhos. viveu a vida deliciando-se com as belezas do planeta, considerando todos os humanos seus irmãos.

as minhas palavras
(a única coisa que diria)

morreu como viveu, no seu mundo de sonhos bons.

 

Tema da semana: Escreve o teu elogio fúnebre

Ana de Deus escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.7 - Biiyue

14
Mar20

"Já alguma vez pensaste como vai ser quando já não estiveres neste mundo físico? De que modo é que as pessoas te irão celebrar? Como será a tua memória para elas?"

"Não, mas imagino que seja algo lindo e com um profundo, porque sei que irei deixar a minha presença seja por ter sido uma mudança de pensamento ou cura, em que precisa."

...

As cores no horizonte começavam a mudar para os tons laranja e rosa, as típicas de verão. A maré começava a baixar e a praia a encher-se de sombras por causa da falésia. O vestido laranja comprido esvoaçava a cada passo dado até chegar à beira-mar. O seu cabelo ruivo com reflexos vermelhos, estava com algumas trancinhas e alguns apliques de penas tribais. Senta-se na areia molhada a saborear a sensação que lhe provocava no corpo.

pôr-do-sol sempre seria um momento mágico, não importava quantas vezes o vi-se porque havia sempre diferenças. Era ainda mais especial por estar de volta ao local onde começou a despertar e começou a sentir a magia do universo a fluir na sua vida. Desde desse momento que cresceu, viveu, mudou, desapegou, chorou, riu, investiu imenso em si própria, encontrou o seu caminho e foi mudando a vida das pessoas que lhe apareciam à frente fosse através de umas simples palavras ou através das técnicas que tinha aprendido durante o seu percurso pelo mundo holístico. 

Quando ela começava a refletir sobre a sua vida, as lágrimas caiam pela gratidão que sentia. Por tudo o que foi aprendido através dos bons e maus dias, pelas pessoas que mudaram à sua vida e à sua visão de si mesma e do mundo, pelas que conseguiu ajudar a encontrar à sua própria cura. Pela criança e adolescente que foi, tão ignorada e não compreendida, pelos anos bastante confusos de não saber se estava realmente a viver, pela mulher que se começou a tornar. Pelos diferentes percursos que percorreu, por ter encontrado o seu caminho que apesar de ser controverso e nem sempre bem visto pelas pessoas onde perdeu coisas pelo meio, também ganhou coisas ainda mais especiais com o passar do tempo. 

Ela era finalmente livre, dona de si mesma, carismática e envolvida num brilho radiante. Estava no caminho que lhe tinha sido destinado e estava verdadeiramente feliz por ter descoberto quem era

Tema da semana: Escreve o teu elogio fúnebre

Biiyue escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.7

14
Mar20

Para esta semana convidamos os participantes a escrever sobre o tema:

 

Escreve o teu elogio fúnebre

 

As regras foram simples: em língua portuguesa (com ou sem acordo), prosa ou poesia e, no máximo, 400 palavras.

Podem ir visitar os blogs dos participantes abaixo listados para conhecer os textos que foram agora publicados ou podem, nos próximos dias, conhecê-los aqui.

 

3ª Face escreve aqui

Alexandra escreve aqui

Alice Barcellos escreve aqui

Ana Catarina escreve aqui

Ana de Deus escreve aqui

Ana Isabel Sampaio escreve aqui

Ana Sofia Neves escreve aqui

Biiyue escreve aqui

Bla Bla Bla escreve aqui

Caracol escreve aqui

Catarina Reis escreve aqui

Charneca em Flor escreve aqui

Daniela Maciel escreve aqui

Drama Queen escreve aqui

Fatia escreve aqui

Fátima Cordeiro escreve aqui

Flora Aka Alfa e Bárbara escrevem aqui

Gabi escreve aqui

Gonçalo Gonçalves escreve aqui

Inês Pereira escreve aqui

Isabel Silva escreve aqui

Joana Rita Sousa escreve aqui

João Lopes escreve aqui

José da Xã escreve aqui

Lara Monteiro escreve aqui

Magda escreve aqui

Maki do blog escreve aqui

Mami escreve aqui

Maria Araújo escreve aqui

Maria escreve aqui

Mariana escreve aqui

Miss Lollipop escreve aqui

Miss X escreve aqui

Mula escreve aqui

Pedro Vorph Valknut escreve aqui

Silvana escreve aqui

Silvergirl escreve aqui

Teoria do nada escreve aqui

Tótó escreve aqui

Triptofano escreve aqui

 

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.6 - Alexandra

11
Mar20

“Volt’imeia é isto. Ligo o com´tador e ele abre janelitas sem parar.”

Desde que tem o portátil, comprado quando andou nas "Novas Oportunidades", Amélia não se cansa de "surfar na internet". Deixou de fazer ponto cruz, passa horas a procurar gráficos novos. Procura receitas durante muito temo e, por isso, não tem tempo para cozinhar. Como é pouco cuidadosa, para além de novidades também é brindada amiúde com vírus, malware e spyware.

Ligou ao sobrinho, que está em Erasmus em Malta:

- Ai" Filho. Fico tã preocupada agora co’esse conavírus que para aí anda...
- Esse quê?
- Essa doença dos chineses.
- Oh tia Amélia, só tu!!... o coROnavírus não é o vírus que mais te devia preocupar. Já te avisei que não abrisses tudo o que te enviam.
- ‘tão!! S’as p´ssoas mamandam as coisas, gosto de ver.

Pedro sabia que era uma batalha perdida.
- Vai ao Mister PC, no Fórum, e perguntas pelo Celso. Eu vou avisá-lo que lá vais.

Perto dos 50 anos, o pouco que Amélia aprendeu das novas tecnologias foi com a patroa que a convenceu a ir para as Novas Oportunidades tirar o 12º ano. O sobrinho Pedro era um querido, e acudia-lhe quando a máquina a atraiçoava.

“Embalou” o seu portátil como uma preciosidade, com plástico de bolhas e tudo, enfiou-o na pastinha, vestiu o melhor vestido, até pôs perfume e lá foi ela para o centro comercial.

Na loja perguntou pelo Celso.

- Sou eu. Deve ser a “tia” Amélia.

Amélia ruborizou. Pensava encontrar um puto como o sobrinho e afinal, Celso era um quarentão, alto e espadaúdo, com olhos verdes e um sorriso afável.

- O mê Pedro disse-lhe o que ê queria sr. Celso?
- Disse, mas sou só Celso.

Enquanto “desembrulhava” a “relíquia”, o informático reparou que por trás daquele “look” e trato simples havia uma bela mulher.

- Dona Amélia. Enquanto isto aqui fica a limpar, vamos tomar um café? Eu explico-lhe como evitar vírus e outras coisas más…

Amélia aceitou. Há muito tempo que não estava sozinha com um homem, nem sabia bem o que dizer, mas foi “um café“ agradável, e a conversa acabou por ser divertida, com Amélia a aprender bastante de como devia usar o computador.

De regresso à loja, Celso tratou de encerrar e embalar o computador, sem o plástico bolha, que ela já sabia ser desnecessário. Disse que a conta acertava com o sobrinho Pedro e despediu-se de Amélia com um beijo na mão.

“Estou perdida!! Venho aqui com um vírus no portátil e vou-me daqui com um no pensamento. Atão mas agora vou-me ficar a sonhar com o informático, que nem sequer é home para mim”

Só no dia seguinte voltou ao computador, para pesquisar como tratar orquídeas, que deixara morrer ocupada que está em pesquisas de como tratar de plantas. Quando abre, encontra uma surpresa no ecrã

IMG_20200305_233307.jpg

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Alexandra escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.6 - Miss X

11
Mar20

Letra da canção: Oh não, um vírus outra vez!

Era um mundo novo
Um sonho em cuecas
Fui de atchim em atchim
Com medidas provisórias
E provoquei grandes diarreias
Febres, espirros, panaceias
Foram mil fungadeiras
Cidades e aldeias
Foram oceanos de horror

Já fui ao Japão
China e Austrália
A Portugal, oh não!
França e Itália
Ataquei um doutor
Já sou um conquistador

Sou apenas um vírus 
Guiado pelos céus
Espalhei-me pelo mundo
Provocando dói-dóis
E procuram ainda a cura
Anda tudo à beira da loucura
Foram mil fungadeiras
Cidades e aldeias
Foram oceanos de horror

Já fui ao Japão
China e Austrália
A Portugal, oh não!
França e Itália
Ataquei um doutor
Já sou um conquistador

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Miss X escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.6 - Mami

11
Mar20

a minha rotina matinal é simples: acordo, vou à casa de banho, tiro um café e ligo a tv para me inteirar de como vai o mundo.

hoje não foi diferente. confesso, no entanto, que o pensamento que me assolou assim que comecei a ouvir o pivô do canal do costume foi: "oh não, um vírus outra vez!"

não nego que um vírus altamente contagioso nesta altura é uma ideia que muito me agrade, no entanto todo o alarido que se cria à sua volta é o que mais me preocupa. o medo torna as pessoas irracionais, e os meios de comunicação social, numa ânsia de conquista de audiências, alimenta de modo feroz o medo das pessoas.

também não acredito que a desvalorização dos riscos reais seja a forma adequada de atuar - como fazem ao comparar o número de mortos por gripe, cancro ou ataques cardíacos. há riscos que devem ser controlados pelo bem de todos, numa postura cívica e de saúde pública.

o equilíbrio, nesta situação como em todas, parece-me a aposta certa. e como atingir esse equilíbrio?! com informação correta e adequada - quer pelas entidades competentes, quer pelos órgãos de comunicação social, quer por cada um de nós nas nossas interações sociais.

sejamos parte da solução é não do problema!

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Mami escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.6 - Gonçalo Gonçalves

10
Mar20

Nem sabem o que hoje me aconteceu! Estava eu, muito tranquilo e sossegado a jogar plague inc. no meu computador. Sabem, aquele jogo em que tu dás nome a um vírus e tens a missão de aumentar os sinais, sintomas, vias de contágio dele até conseguires, eventualmente, extinguir toda a população terrestre antes que a sociedade encontre a sua cura. No início do jogo dei ao meu vírus o nome de covid-19, pensei que seria um nome bastante interessante para ser utilizado, e assim foi. 

Ao fim de uns bons 30 minutos a jogar arduamente, já tinha infetado todos os continentes à exceção da Antártida. O surto tinha começado na China, mas já tinha infetado países como Brasil, Alemanha, Itália, Portugal, África do Sul, Austrália e muito outros. A situação estava a aproximar-se a passos largos de ser considerada uma pandemia!

Estava tudo a correr como planeado, quando, o meu computador mostra uma mensagem de erro devido a um potencial vírus. Fico devastado. Ao tentar reverter a situação rapidamente para não perder os dados do jogo, o computador desliga-se. Fiquei sem reação. O pior nem foi mesmo isso. O pior foi mesmo o computador até agora não ter ligado. É preciso ter azar! Eu a utilizar um "vírus" para acabar com o Mundo e foi um vírus a acabar comigo!

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Gonçalo Gonçalves escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook

Tema #2.6 - Pó de Arroz

10
Mar20

Ora então, vamos lá outra vez. Outro vírus, o pânico e a loucura instalada. As pessoas histéricas e cheias de medo. Conseguiram outra vez lançar o terror pelas ruas. Se estivermos mais atentos, percebemos que estamos a experienciar um padrão. Quando olhamos à volta vemos pessoas a tomarem decisões meio doidas e egocêntricas. O mais engraçado é que deixei de ver televisão com regularidade e apenas vou sabendo das coisas por terceiros. E a sensação que eu tenho é que sou apenas um espectador desta série. Li em tempos, o relato de uma experiência em que simularam a morte de um prisioneiro… não sei se foi verdade ou mentira, mas o homem acreditou de tal maneira que ia morrer que acabou mesmo por falecer… apesar de não lhe terem feito nada… Isto tudo, só para dizer que acredito que dentro da nossa cabeça está o segredo para a resolução de muitos dos problemas. Mas conseguir perceber o que está dentro dela é que é mais complicado e aí reside o verdadeiro desafio.

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Pó de Arroz escreve aqui

Acompanha todos os posts deste desafio aqui

Segue-nos na nossa página do facebook