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Desafio de Escrita

Tema #2.6 - A Outra

09
Mar20

Oh não, outra vez um vírus!

Toda a gente fala do novo vírus, não sítio onde se esteja que não haja uma tv a passar informações sobre os novos casos, as suspeitas, as quarentenas e as especulações todas que vêm a seguir…

Eu já deixei de ver notícias há muito tempo e acho que é uma decisão sensata, a sério. Se todos os dias estivesse a receber repetidamente informações sobre o vírus, já estava mesmo paranoica!

Lá no hospital (e não, não sou da área de saúde, sei que esses estão mais expostos) criaram uma cabine, ou quiosque, ou sei lá que raio é …para pré-triar os potenciais infetados com o novo Covid-19. É que já nem chegam a entrar na urgência… É bem pensado. Prevenir que haja (potencial) contágio.

Na escola do meu filho já me avisaram de manhã, se tiver febre fica em casa. Assim, sem mais. Se estiver na escola e começar com febre temos de ir imediatamente buscá-lo, caso contrário o miúdo fica fechado numa sala à espera, com uma máscara posta à espera que vamos busca-lo.

E eu pergunto? What?! Mas é mesmo necessário este alarmismo todo? Ou sou eu que estou a subvalorizar a coisa? Cansam-se disto até ao verão? É que quero ir de férias!

Ate lá, vou-me rindo com as piadas bem boas que correm na internet a respeito…

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

A Outra escreve aqui

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Tema #2.6 - Alice Barcellos

09
Mar20

Mais de 50 mil pessoas, das 100 mil infetadas no mundo, já recuperaram do coronavírus, de acordo com as últimas informações divulgadas. Decidi abrir este texto com um dado mais positivo, uma vez que o lado negativo desta epidemia está a dominar as notícias e, por consequência, as mentes de grande parte das pessoas.

Não quero, contudo, retirar o peso dos números daqueles que não resistiram a esta nova versão do coronavírus, mais de 3 mil pessoas morreram na China e quase 300 no resto do mundo. Tudo indica que os números de infetados e de mortes vão aumentar durante os próximos tempos até que o surto venha a ser controlado.

Não há dúvidas de que temos motivos para ficar preocupados. Ninguém quer ficar doente ou ver quem lhe é próximo doente. Andamos todos mais apreensivos, principalmente, quando vamos nos transportes públicos ou em lugares fechados com maior concentração de pessoas. Estamos a ser bombardeados diariamente com notícias sobre o tema e não há máscaras suficientes que nos ajudem a filtrar tanta informação.

Pelo meio do caminho, vamos nos cruzando com a opinião das pessoas. Há quem esteja paranoico, há quem esteja relaxado. Há os que defendam o uso de máscaras e luvas, há quem defenda que lavar mais vezes as mãos e não estar a tocar na face é o suficiente.

Com a expansão do coronavírus, foi reforçada a ideia de que já estamos a ser assolados por outros "vírus": o da ignorância, o da intolerância e o da indiferença. Vivemos num mundo cada vez mais dividido e insensível ao que acontece com o "vizinho do lado". Nunca tivemos um acesso à informação tão facilitado, mas parece que nos contentamos com aquilo que nos é dado nos feeds das nossas redes sociais - uma bolha alimentada pelos nossos próprios interesses pessoais.

Sou otimista quanto à epidemia do coronavírus. Vai ser controlada. Sinto-me triste pelas consequências negativas e pelas vidas perdidas. Se tenho algum receio de ser contagiada? Sim, tenho, seria uma hipocrisia dizer que não. Mas tenho mais medo de outros vírus para os quais não vejo fim à vista. Porque a intolerância e a indiferença também matam e, ao longo da história, já provaram ser bem mais letais do que muitas pandemias.

E tu, como estás a lidar com esta ameaça? Gostava de ler a tua opinião nos comentários.

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Alice Barcellos escreve aqui

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Tema #2.6 - Silvergirl

09
Mar20

- deste vírus que me atormenta –

 

Terá sido o vento que o trouxe até mim,

Ou a saudade de me sentir abraçada?

Terá sido a ausência de um amor sem fim,

Ou a loucura de me julgar abandonada?

 

Quero respirar livremente,

Sem máscaras nem amarras que me prendam

Aos preconceitos de uma vida diferente,

À amargura de não me achar desejada.

E assim, soltei-me à chuva e dancei

Gritei que não podia mais esconder-me.

Fugi dos medos e da raiva escondida,

Travei batalhas com o meu inconsciente.

 

E quando me achava perdida,

No tumulto da saudade que afoga,

Julguei sentir o teu braço já esquecido

No meu sonho,

quase perdido,

Na minha cama,

tão vazia de agora.

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Silvergirl escreve aqui

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Tema #2.6 - Gabi

09
Mar20

 Já não me lembro muito bem de como foi o anterior, mas tenho quase a certeza absoluta que não foi tão alarmante como este está a ser.

Sinto a pairar sobre nós uma nuvem cinzenta cada vez maior e mais escura.

Primeiro estava na China e pareceu quase um filme, até pela rapidez anunciada e concretizada na construção de um Hospital.

Depois foi-se aproximando, Itália, Espanha, e chegou cá.

Invadiu os telejornais, os jornais, as revistas e as conversas. Discute-se sobre a linha de apoio, planos de contingência, hospitais esgotados, quarentenas voluntárias, enquanto crescem os casos confirmados – para já serão nove, e os casos suspeitos não validados.

Cancelam-se voos e viagens eventos são adiados.

Fala-se sobre a prevenção – ouvi dizer que beber muita água e chá de erva doce ajuda, mas ainda não fui comprar o chá. É importante lavar as mãos, desinfectar tudo com lixivia. Evitar espaços fechados com muitas pessoas, cumprimentos e proximidade, e tossir para os cotovelos. Ligar para a linha de apoio se tivermos febre alta, tosse e/ou dificuldade respiratória.

Sinto-me já ligeira e hipocondriacamente resfriada.

Com a minha sorte se apanho isto, será já quando não há quartos livres, ainda terei de ir para uma tenda improvisada, sem livros, e poderei passar a seguir para outro plano mais quente. O que não queria era contagiar ninguém.

Por isso espero que descubram depressa um remédio e uma vacina.

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Gabi escreve aqui

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Tema #2.6 - Daniela Maciel

09
Mar20

— João, vê se vais para casa descansar — disse-lhe a colega de laboratório, mesmo antes de se ir embora, ao final do dia.

João acenou-lhe com a mão, enquanto abanava a cabeça, prometendo obedecer ao seu conselho. Contudo, não tinha qualquer intenção de abandonar o que estava a fazer. Tal como no dia anterior. E no dia antes desse. E em nenhum dos dias que se seguiram ao desabar do seu mundo.

Recordava-se perfeitamente do dia em que ouvira pela primeira vez falar do vírus porque fora também o dia em que descobrira que iria ser pai.

Há uma semana que não saía daquela sala de laboratório. Tornara-se o seu refúgio. O seu santuário.

O seu purgatório.

Se ao menos tivesse sido suficientemente rápido…

Nos primeiros dias ninguém atribuiu muita importância ao aparecimento do vírus. Porém, à medida que os casos se começaram a multiplicar, o pânico instalou-se nas populações. As primeiras mortes revelaram que se estava perante algo realmente grave. E quatro meses depois não havia um único país no mundo que não tivesse dezenas de casos confirmados.

Há uma semana que João não dormia, excetuando aquelas duas horas que se autorizava a parar. Alimentava-se de café e de uma ou outra sandes, mas sabia que não aguentaria muito mais tempo. Sentia que o seu corpo se assemelhava a uma bomba atómica pronta a explodir.

Mas não podia parar. Sabia que estava prestes a alcançar a descoberta que todos ansiavam. Uma descoberta que, contudo, lhe era inútil, uma vez que nada lhe poderia devolver o que perdera.

O mundo não estava preparado para ouvir aquela declaração de pandemia. Mas ao quinto mês o vírus infetara já dois milhões de pessoas. E ao sétimo mês os investigadores lutavam contra três estirpes diferentes.

João afastou-se da bancada onde trabalhava e dirigiu-se à casa de banho. Tirou as luvas e a máscara e atirou-as para dentro do caixote do lixo. Lavou as mãos e a cara. Sentia a testa e as bochechas demasiado quentes. Havia momentos em que se sentia à beira de desfalecer. O cansaço era muito e o corpo não parava de lhe tremer.

Recompôs-se e fitou o seu rosto no espelho. O rosto do desespero. Um destroço humano. Um homem que, apenas alguns dias antes, se agarrara ao corpo moribundo da mulher. Chorou. Berrou. Gritou por ela e pelo filho que nunca viria a conhecer.

Tinha sido vencido pelo vírus.

A única coisa que lhe restava, mesmo sabendo que chegara tarde demais, era ter a certeza de que seria capaz de o aniquilar.

Arrastou-se de novo para a bancada, sendo assolado por um ataque de tosse.

O derradeiro teste chegara. Não havia mais tempo. E tinha a cobaia perfeita.

Agarrou a seringa onde preparara a vacina e injetou-se no braço.

 

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Daniela Maciel escreve aqui

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Tema #2.6 - Catarina Reis

09
Mar20

Deixei de ver noticias! Sei que parece um autêntico disparate mas não consigo mais ouvir falar mais em Corona. Os repórter tentam por todo o meio convencer as pessoas que estamos perante um vírus altamente mortal. Estão a fazer o papel deles afinal quanto mais as pessoas estiverem em pânico maior será o numero de noticias que vão consumir. São as audiências televisivas a subir, as vendas de jornais a crescer e as consultas online a disparar.

 

Eu cá não sou muito pessimista pelo que não estou muito preocupada com o assunto. Pelo dados que fui apanhando o vírus não é assim tão mortífero e se for logo se vê. Nunca fui de sofrer por antecipação.

 

Se nos tocar é mais um que se junta a coleção já bastante extensa. Ainda agora nos despedimos de um que se alojou numa anca de um dos gémeos. Na verdade já são visitas frequentes da casa, de tal forma que já estranhamos quando estamos sozinhos. Por vezes, nem sei para que vamos ao médico já que a resposta é sempre um Vírus.

 

Depois deste virá outro e mais outro. Tem sido assim desde que me lembro e provavelmente será assim até que algum me leve. Por isso vou aproveitar a vida hoje que o amanhã ainda vem longe

 

P.S. :Não tenho a despensa cheia, nem mascaras, muito menos desinfetantes e álcool só se for nalguma garrafa de vinho. Para além disso tenho uma viagem marcada para breve. Eu e a minha mania de ser do contra 😊

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Catarina Reis escreve aqui

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