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Desafio de Escrita

Tema #2.6 - Ana Catarina

08
Mar20

“Oh não, um vírus outra vez.”

Pensei eu ao massajar a testa enquanto lia a mensagem da Olivia a combinar um café para me contar sobre um gajo que conheceu.  Mais do mesmo, é uma constante por aqui. Mas pessoalmente é pior.

O brilho nos olhos dela frustra-me, não por não gostar de a ver feliz, mas por saber como acaba. Não é que eu seja adivinho, mas é que é sempre igual.
E começa sempre com “Lucas!!! Nem sabes!”.  Só que eu sei. O problema é que eu sei sempre. Sei mesmo sem que ela fale. São os olhos dela. Os olhos falam por ela.

Quando ela chega, como o sol depois de uma semana de chuva, com um sorriso que começa no olhar dela e termina no meu coração. Já sei que vem algo que me vai custar imenso engolir. E ela nem sabe.

Com aquele olhar ela consegue demolir qualquer esperança de um dia ser eu o motivo do brilho nos olhos dela. Mas com aquele olhar ela também consegue iluminar uma cidade inteirinha.

Eu faria tudo, para a ver feliz, mas falha-me a coragem. E quando a ganho nunca chego a tempo. As flores acabam sempre por ir para a minha mãe. Que no início estranhou, mas passado dez ramos, começou a acreditar que eram para ela. Anda mais feliz, haja alguém.

Queria tanto abrir-lhe os olhos. Mas não consigo, a Olivia acaba sempre infetada com estes vírus que passam de pessoa para pessoa como se todas fossem iguais. Não são, especialmente ela. É diferente, tão diferente. Eles não veem isso, fazem juras e promessas, alimentam-lhe a esperança e entram como um cavalo de Troia para no fim destruírem tudo aquilo que eu tinha acabado de reconstruir desde a última vez.  

A culpa não é dela, é amável, quer ver sempre o lado bom, tem sempre o copo meio cheio.

É melhor eu encher o meu porque já sei que a conversa vai ser longa.

“Lucas!!!” Sinto-a apressar o passo para entrar na pastelaria, esta, onde lanchamos desde pequenos. Nada mudou, nada muda. Infelizmente.

“Livi” – Levanto os olhos do copo enquanto ela se aproxima e ouço o mesmo de sempre.

“Nem sabes, conheci um rapaz a semana passada, e ainda não parámos de falar é surfista vive em Corona - CA, veio passar férias. Acho que me estou a apaixonar…”  Lá vamos nós outra vez.

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Ana Catarina escreve aqui

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Tema #2.6 - Charneca em Flor

08
Mar20

Última hora: A Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de declarar que identificou um novo vírus. A disseminação deste agente é extremamente rápida e atinge pessoas de qualquer idade.


Não, não estamos a falar do Covid-19 embora tenha aparecido, de algum modo, associado ao vírus que surgiu a Oriente.
As pessoas que sofrem desta nova patologia viral não têm nem febre, nem tosse, nem espirros nem sequer dores musculares embora se tenha detectado algumas situações de tendinite* que podem, ou não, estar relacionados com a virose.
A doença provocada apresenta uma sintomatologia nunca vista. Há que estar atento a sensações de ansiedade, medo ou mesmo pânico nos casos mais graves. Algumas pessoas têm dores de cabeça e secura ocular devido ao tempo que despendem a olhar para aparelhos electrónicos. Quem sente compulsão para comprar máscaras cirúrgicas ou desinfectantes para as mãos pode já ter sido atingido pelo terrível vírus. Os doentes foram vistos a encher o carrinho de supermercado com pacotes de leite ultrapasteurizado, água, enlatados, pacotes de bolachas, massa ou arroz, tudo em quantidades impressionantes e muito superiores às necessidades quotidianas.
A OMS tudo tem feito para tentar travar a progressão deste microorganismo virtual mas os especialistas crêem que poderá mesmo provocar uma infodemic, uma situação inédita neste século embora se tenha andado muito perto de um caso semelhante em 2009 aquando da Gripe A.
A origem do vírus ainda não está completamente estabelecida mas tudo indica que se deve à rápida difusão de informações pouco rigorosas ou mesmo falsas em variadíssimos suportes.
A melhor prevenção para evitar esta infecção é manter a distância, não só de pessoas doentes como no caso do Covid-19, mas principalmente de redes sociais como o Facebook ou o Twitter, de caixas de comentários de jornais ou mesmo de certos meios de comunicação social. A profilaxia consiste também em procurar informação em páginas fidedignas como a DGS, Direcção Geral de Saúde, o ECDC (Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças) ou a OMS.
Os especialistas daquele organismo internacional já estão a discutir uma possível designação para este novo agente patogénico. Até agora o nome que reúne maior consenso é VHE, ou melhor dizendo, Vírus da Humana Estupidez.

P. S. – Este texto é um exercício de escrita criativa mas nem tudo o que está escrito é ficção.

*Por estarem muito tempo a clicar nas teclas do computador ou no ecrã do telemóvel.

 

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Charneca em Flor escreve aqui

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Tema #2.6 - Maria Araújo

08
Mar20

Século XXI, o século das epidemias, de que se foram lembrar os Pássaros para o tema da semana?! Oh não, um vírus!!!... que pode ser do computador.
O Coronavírus (COVID-19), o segundo do século XXI (em 2009, a gripe A (H1N1)), é tema nas notícias, deixa o mundo preocupado e atento. Sobre este, estejamos cautelosos e cumpramos as regras de higiene, fazemos muito por nós.
Outros vírus existem, infecciosos, os que nascem no ser humano, os da consciência, aqueles que afectam as pessoas que desejam uma vida simples, com o suficiente para ser feliz. É o da inveja, o mais perigoso.
No trabalho, na rua, no supermercado, todos os dias cruzámo-nos com pessoas que gostam de mostrar poder, usando de arrogância, achando-se os melhores, invejando o que os outros têm, denegrindo a imagem de quem tem . São pessoas tóxicas que atazanam a nossa mente.
Há muitos anos, vivi uma amizade de confidências e de cumplicidade com uma colega de trabalho e que parecia ser para toda a vida.
De repente, percebi que essa pessoa fazia comentário indevidos, tornou-se arrogante, não me olhava de frente.
Eu fazia perguntas a mim mesma sobre o que fizera de errado, via maldade naquele coração.
E não tendo respostas às minhas perguntas, perguntei-lhe o que se passava, o porquê da sua indiferença: " não é nada" . E o seu comportamento continuava.
Dentro de mim existia um sentimento de culpa daquilo que não fiz, a indignação e a dor aumentavam à medida que o tempo passava. Foi uma facada que recebi nas costas.
E foi então que comecei a prestar mais atenção à pessoa. A pessoa que eu pensava ser amiga e altruísta, não passava de uma manipuladora invejosa, que vivia mal com o sucesso de alguns, e bem com o infortúnio de outros, intriguista, criticava tudo e todos que trabalhavam com ela.
Com alguma tristeza pelos anos de amizade ( falsa) que dedicamos, continuar a trabalhar com ela era um suplício, a sua inveja e raiva em alguns momentos eram de ódio.
Acabei o curso, mudei de emprego e profissão, escapei a este venenoso vírus.
Ficou viúva.
Com o respeito que tinha pelo marido, fui ao velório.
Abracei-a.
Os meus olhos foram atingidos por faíscas de ódio.
Olhei o corpo do defunto, da pessoa excelente que foi e disse-lhe: "Desculpa. Não estou aqui a fazer nada".
E saí com o coração mais triste que nunca.

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

Maria Araújo escreve aqui

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Tema #2.6 - Mariana

08
Mar20

— Estou a morrer, Ana Marta! Foi o vírus, aquele malandro... Apanhou-me, o maldito apanhou-me! E agora, o que vai ser de mim? Já vejo a luz... Estou-te a dizer, Ana Marta, já vejo a luz!

— Olha, sabes que vírus é esse? Chama-se vírus vouterebentartodocabrão!

— Vou-te rebentar todo cabrão?

— Sim, caralho! Não andaste a meter like na foto de uma tal Maria Joana no Facebook? Tu achas que eu não te vejo, mas olha que eu sei cada passo que tu dás, filho da puta!

— N-não sei d-do que falas, não conheço nenhuma M-Maria Joana... Onde é que vais, Ana Marta? Ana Marta? Ó mulher, para que é que trazes a colher de pau?

 

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Mariana escreve aqui

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Tema #2.6 - José da Xã

08
Mar20

Havia algumas semanas que Elizário fora recolhido pelo casal, em que a jovem esposa tinha raízes na bela ilha açoriana das Flores.

Após uns dias de adaptação a uma vida que jamais conhecera, o veterano chegou-se junto do marido e num tom sereno perguntou:

- Senhor… até quando irei ficar aqui em casa?

O rapaz percebia que aquele homem estava demasiado habituado à rua, ao frio, à fome e acima de tudo à tristeza e más lembranças. Pensou calmamente na resposta de forma a não ofender o ilhéu. Por fim:

- O Elizário ficará aqui enquanto desejar… Não queremos, de todo, prendê-lo a nós. Gostamos de o ter cá, mas longe de nós forçá-lo…

As palavras saíram calmas, quentes. A jovem chegou entretanto e escutando as palavras do marido convidou:

- Quer ir até à nossa ilha?

O conterrâneo ergueu os olhos para a anfitriã e quase num soluço perguntou:

- Não está a falar a sério, pois não?

- Claro que estou… Todos os anos vamos lá pelas festas do São João. Se quiser pode vir com a gente…

As lágrimas voltaram a rolar. Eram pérolas de felicidade de um coração tantos anos amargurado.

- Eu não posso ir… - declarou.

- Porquê?

- Porque não tenho dinheiro… Nem cartão…

- Cartão?

- Sim aquele com a nossa cara…

- Ah o cartão de cidadão… Mas isso arranja-se, não se preocupe!

O florentino temia que tudo o que lhe estava a acontecer não passasse de um sonho. De um instante para o outro a sua vida virara para o direito após muitos anos do avesso. Por isso ao jantar enquanto comia um prato de sopa comunicou:

- Amanhã vou arranjar o vosso quintal. Já vi uma enxada e um ancinho… Depois digam o querem plantar.

Os jovens olharam entre si e sorriram. Por fim concordaram com o pedido de Elizário.

No dia seguinte Elizário não apareceu na cozinha onde costumava tomar o pequeno almoço. Admirados bateram à porta do quarto.

- Senhor Elizário, bom dia… Aconteceu alguma coisa?

De dentro escutaram:

- Oh… só estou com um bocadinho de febre…

- Febre? – perguntou a jovem num tom assustado.

Depois virou-se para o marido e exclamou:

- Oh não, um vírus outra vez!

Entretanto a porta abriu-se e de lá saiu Elizário a tremer e embrulhado num cobertor:

- Não tema menina… é só mais um ataque de paludismo.

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José da Xã escreve aqui

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Tema #2.6 - João Lopes

08
Mar20

Oh não, um vírus outra vez! Um vírus plantado pelos serviços secretos de um qualquer país, como forma de inverter a economia emergente da China. Um vírus posto pelas organizações ambientalistas, para parar o aumento da poluição provocado pela indústria chinesa. Um vírus exposto nas bancas de um mercado, numa cidade com uma densidade populacional muito elevada. Outros fizeram sucesso no passado, o vírus da Gripe Pneumónica em 1918, o vírus da Gripe Asiática em 1957, o vírus da Gripe de Hong Kong em 1968, o vírus da Gripe A em 2009. Todos eles armas letais e silenciosas ao serviço das potências dominadoras do planeta. Usados nas 1ª e 2ª Guerras Mundiais, na Guerra Fria e nas Guerras da atualidade como formas de persuasão entre estados. Um vírus terrorista que não escolhe vítimas, crianças, adultos e idosos, são alvos e armas ao mesmo tempo em movimento, implacáveis no método de agirem, desorganizando a sociedade. Um vírus sem antídoto, por desconhecimento, por ser vantajoso, não sabemos? Um vírus que não seleciona, é democrático, ricos, pobres, pecadores, santos, corruptos, honestos, todos estão em risco perante este monstro sombrio. Um vírus que já contagiou as redações e edições noticiosas das televisões e imprensa escrita, visível no histerismo com que abordam a abertura dos telejornais. Um vírus que desfalca os armazéns das grandes superfícies comerciais. Um vírus que não permite veleidades que certamente não irão mudar mentalidades e atitudes, estas duas continuarão nas mentes de alguns quer estejam sadios ou doentes. A sede de poder nunca acaba, foi sempre assim, desde o início dos tempos, a história sempre nos disse isso, olhem para traz e observem as guerras praticadas pelo homem, as pestes e outras pragas que dizimaram a europa. O homem sempre reagiu através de várias disposições, motivado pela continuidade do seu poder. Quando for conveniente, o Covid-19 será extirpado, até lá ainda muitos irão sucumbir perante o seu avanço. Depois será a vez das economias se reabilitarem, como sempre, os mesmos, ficarão melhor preparados que os outros que só sabem ser subservientes. As pessoas vão esquecer os momentos trágicos e quando todos andarem distraídos, oh não, um vírus.

Tema da semana: Oh não, um vírus outra vez!

João Lopes escreve aqui

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