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Desafio de Escrita

Tema #2.5 Miss X

04
Mar20

O dia mais utópico da minha vida é o futuro, o imaginário dos meus desejos, indomável perante qualquer realidade que se queira impôr. E se nesse dia os meus desejos se concretizassem, nenhum deles seria meu.

Talvez acordasse para a descoberta do sentido da vida. Talvez assistisse ao fim da alienação humana e ao fim da guerra e do egoísmo. 

E estes meus desejos, tão profundamente humanos, não levariam à desumanização da própria humanidade?

O que seria da humanidade se nela abundasse senso comum e espírito crítico?

Como viveria ela sem crueldade ou injustiça humana?

Como viveria um ser humano na sua própria impossibilidade?

Se Deus acordasse do seu sonho, que é a nossa realidade, e despertasse para esta utopia, veria a realidade impossível que Ele jamais conseguiria criar.

Talvez fosse um dia absurdo, o fim supremo de todos os fins, o dia em que o nada não poderia buscar o tudo.

 

 

Tema da semana: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

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Tema # 2.5 - Triptofano

04
Mar20

Carolina acordou exactamente às sete da manhã, ao som do rádio despertador que inundou o quarto com a inconfundível voz de Carminho.

Bom dia, amor
Dizem as rosas da janela ao ver o sol nascer
Bom dia, amor
Tal como as rosas, espero sempre por te ver

Levantou-se de um salto, abriu a janela para que o sol da manhã entrasse sem impedimentos e espreguiçou-se demoradamente. Hoje era o dia porque tanto esperava.

Vestiu o roupão que tinha abandonado sonolentamente no chão na noite anterior e dirigiu-se à cómoda, onde acendeu três velas vermelhas e colocou uma pitada de sal dos Himalaias num copo com meia dúzia de cristais coloridos e uma foto plastificada do seu grande amor, ao mesmo tempo que declamava o feitiço:

Meu amado, meu amado

Serei o teu fado

Meu amado, meu amado

Estaremos sempre lado a lado

Carolina nunca tinha acreditado no amor até o ter conhecido, aquele homem que virou o seu mundo de pernas para o ar. Sabia que ele era casado, mas as conversas durante horas, os jantares longe dos olhares do mundo e as noites de sexo escaldante fizeram-na acreditar que era possível um futuro a dois.

Quando começou a abordar o tema divórcio ele mudou de atitude, ficou mais esquivo, as conversas foram substituídas por mensagens, os jantares por rápidos encontros em áreas de serviço e as noites de sexo por fodas onde ela nem conseguia atingir o orgasmo.

Desesperada resolveu ligar para um daqueles números de valor acrescentado que figuravam em folhetos distribuídos no metro ou despejados indiscriminadamente em caixas de correio. A mulher que a atendeu pareceu-lhe verdadeiramente interessada no seu problema, e depois de mais de uma hora de conversa foi sugerido a Carolina que fizesse um feitiço de amarração. Demoraria três meses mas seria tiro e queda garantiu-lhe a mulher.

Carolina passou por todos os recantos do corpo o creme de veneno de cobra que a tornaria irresistível, vestiu as cuecas bordadas a fio de linho virgem da Noruega e colocou o fio com um pequeno coração dourado que tinha benzido à luz da lua cheia - tudo coisas que tinha comprado através da mulher do telefone e que lhe tinham custado uma autêntica fortuna. Mas como a mulher lhe dizia, o verdadeiro amor não tinha preço.

Pegou na mala e saiu de casa mesmo sem tomar o pequeno-almoço, porque o único alimento que verdadeiramente necessitava era o amor daquele homem.

Quando entrou no táxi, em direcção ao encontro que tinha marcado num café a meio da rua, porque as esquinas aparentemente eram locais a evitar por terem energias de separação, a dúvida tomou conta dela. Será que o feitiço iria funcionar?

Enviou uma mensagem para a mulher que em poucos segundos lhe respondeu:

Não se preocupe. Hoje terá o coração dele nas suas mãos.

O táxi chegou ao destino e lá estava ele, fumando um impaciente cigarro. Carolina saiu do veículo na sua direcção, com um sorriso apaixonado estampado no rosto.

Foda-se Carolina - disse o homem - já te disse que está tudo acabado entre nós. Que parte é que tu não entendes?

Carolina estava preparada para esta reacção. Do bolso tirou um pequenino frasco de água benzida num vulcão e borrifou o seu amado, enquanto dizia silenciosamente a reza que lhe tinham ensinado, de forma a quebrar qualquer impedimento externo que tivesse sido convocado.

Mas que merda é essa porra? Tu só podes ser completamente chanfrada. Põe isto na cabeça mulher, já não há nada entre nós. Se tu não desapareceres eu...

O homem não conseguiu terminar a frase porque uma faca de cerâmica tinha-lhe sido espetada no peito só ficando com o cabo ensanguentado de fora.

Carolina sorriu ligeiramente. Afinal a mulher do telefone tinha razão. Ela ia ter o coração dele nas mãos. De uma forma ou de outra...

 

 

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Tema # 2.5 Teoria do nada

04
Mar20

O voo vai a meio, mas hoje o meu dia é especial. O meu maior sonho realizou-se, a cura para o cancro foi finalmente divulgada.
Sim, aquela que diziam que ainda não tinham encontrado.
Senão vejamos:
- Inventou-se a bomba atómica
- Puseram o homem na Lua
- Inventou-se a Internet
- Inventou-se quase tudo e não descobriram a cura para o cancro?
Mas a partir de hoje, a cura existe e muitos deixarão de sofrer. E não só os que padecem da doença, mas todos os amigos e familiares que os rodeiam.
Todos sem excepção ou já tiveram cancro ou tiveram alguém próximo com a doença.
Se forem a um qualquer IPO, poderão verificar que cada dia que passa há mais doentes. Há mais doentes, mas não há mais médicos, mais serviços, mais enfermeiros, mais pessoal auxiliar, mais salas de cirurgia, de tratamento, mais numero de camas.
Se não tivesse aparecido a cura, como seria?
Muitos iriam morrer num futuro próximo, por falta de meios humanos, físicos e técnicos.
Mas hoje estou feliz, porque já não vou chorar sempre que chego ao meu destino, na primavera, e descubro que desde que me fui embora, uma daquelas pessoas que me dava migalhas de pão, morreu, vitima desta doença.
Hoje estou a voar de felicidade e já fiz um monte de piruetas e voos rasantes. Porque hoje estou feliz e assim estarei até ao fim da minha viagem.
Cheio de saudades de todos os que vou reencontrar.
Até para a semana.
A Luta começou em 1971...onde estamos? passados quase 50 anos...

 

 

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Tema #2.5 Gonçalo Gonçalves

04
Mar20

"Acordo, olho para o despertador e ele marca 7h00. Viro e reviro-me na cama, não me consigo levantar. Estou demasiado bem debaixo dos lençóis para sair e enfrentar o frio das manhãs de fevereiro. Mas, após uns bons 15 minutos na ronha, lá me consigo ganhar coragem. Coloco os pés no chão, sinto o frio do soalho de madeira. Frio esse que me percorre a espinha e me dá consequentemente um pequeno arrepio. Soube bem. Dou dois pequenos passos até à janela, levanto as persianas e dois raios de sol encadeiam-me imediatamente. Que lindo nascer que sol que estava. Vou à cozinha, faço um café e vou bebê-lo para a varanda. Contemplando a perfeita manhã que estava. 5, 10, 15 minutos passam e aceito cair na realidade. Preparo-me finalmente para sair de casa e começar o meu dia.

Saio a porta do prédio e está um dia lindo. Calmo. Uma leve brisa fresca para contrastar com a quente manhã. Uma pessoa no fundo da rua, num banco de jardim, a dar comida a dois gatos. Dois siameses. As restantes pessoas andam pela rua com um sorriso nos lábios, uma até me desejou "bom dia". Um gesto muito querido, pois a senhora nem me conhecia. Restou-me colocar um sorriso nos lábios e retribuir o "bom dia".

Chego ao trabalho, sinto-me feliz. Feliz porque trabalho no que amo, com as pessoas que amo.

Após umas longas horas no trabalho, horas essas que se passaram muito bem, por sinal, cheias de entre-ajuda, companheirismo, união e risos entre assuntos sérios, [Nem todos os dias são assim, mas este parece que foi especial], chego a casa. Preparo um bom jantar, sento-me no sofá e disfruto-o. Ao mesmo tempo que me delicio, aproveito o silêncio da noite. Há coisa melhor para recuperar de um dia de trabalho e preparar-me para o dia seguinte? Não me parece.

Por volta das 23h, preparo-me para me deitar. Preparo tudo para o dia seguinte: roupa, mala entre outras coisas. Lavo os dentes. E lá vou eu todo fresquinho para dentro dos meus lençóis também eles fresquinhos. Fecho os olhos. Respiro fundo. Agradeço pelo meu dia. Viro-me para o lado e adormeço.

Que dia perfeito que foi."

 

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