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Desafio de Escrita

Tema #2.3 - Inês Pereira

01
Mar20
Foi só falar de relacionamentos para entrar em greve geral e não dar as caras por estas paragens por semanas. Dá para acreditar nisto? Pois não acredites que não foi essa a razão da minha ausência, o que não significa que tenha muita coisa para dizer sobre esta coisa de iniciar relacionamentos. Associando este tema com a "suposta" data para a publicação, parece-me óbvio que o objectivo seria falar de relações amorosas e esse não é um tema que domine tanto assim que tenha 400 palavras para aqui debitar. 
 
O único problema que encontro nisto de se ser solteiro é que a pessoa habitua-se e depois fica difícil abrir espaço para que pessoas ocupem um lugar de destaque ao nosso lado. É essa a razão pela qual tenho pouco a ensinar sobre como começar relacionamentos, tanto tempo passou desde que comecei o meu último. Assim sendo, vai ser difícil criar uma manual, muito embora tenha dúvidas que alguém consiga fazê-lo com sucesso. 
 
Nesta coisa de nos relacionarmos com pessoas não existem fórmulas mágicas que garantam o sucesso nem a felicidade eterna. Tudo se resumo a muita tentativa-erro, uma certa dose de sorte e imensa vontade e disposição para aceitar o desconhecido e com ele construir algo que acrescente. No entanto, se tens ou conheces algum truque infalível fica à vontade para partilhar, que conhecimento nunca fez mal a ninguém! 
 

Tema da semana: Manual para iniciar relacionamentos

Inês Pereira escreve aqui

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Tema #2.5 - Charneca em Flor

01
Mar20

“O aroma a café atravessa toda a casa e chega ao quarto onde eu ainda durmo. Aquele odor que tanto aprecio desperta-me e descubro-me sozinha na cama. Por momentos, sinto-me confusa. Sou invadida pela sensação de que este é um dia especial. De repente, o meu cérebro ilumina-se. Este será um dos dias mais especiais da minha vida. Ultrapasso a preguiça, levanto-me e caminho na direcção do aroma. Quando chego à cozinha, sou recebida pela luz difusa do dia que nasce e pelos sorrisos dos meus filhos gémeos. O pai deles tinha preparado, amorosamente, o meu pequeno-almoço preferido. As três pessoas que mais amo na vida tinham feito tudo para que eu me sentisse a mais adorada das mulheres. Tudo aquilo que alcancei a eles o devo. Para eu realizar o meu sonho, abdiquei de muitas horas em família. Nem o pai nem os filhos me cobraram a atenção que não lhes pude dispensar.
De seguida vou ultimar os preparativos para o meu grande momento. Vou cuidar de mim para que, mais logo, possa estar no meu melhor.
Sei que vou estar rodeada de amor. Toda a minha família estará comigo. Vai ser maravilhoso perder-me no abraço da minha avó já tão velhinha. Também poderei contar com o apoio incondicional dos meus pais. O caminho que percorri para chegar até aqui distanciou-se muito do percurso que o meu pai sonhou para mim. Mas cada um deve ser o dono da sua própria vida. Só eu sou responsável por aquilo que desejei. E sei que, dissimulado pela sua aparente desconfiança, ele sente um imenso orgulho da sua menina. A ponto de ter organizado um almoço para juntar a família na celebração deste acontecimento.
Nem nos meus maiores desvarios imaginei ser possível viver esta imensa alegria. Ainda me custa a acreditar. Hoje, ao fim da tarde, vou receber o Prémio Literário Raízes Profundas que premeia autores que publicam um primeiro romance depois dos 40 anos. O reconhecimento dos meus pare é extremamente motivador mas o prémio possibilita-me dar uma reviravolta à minha vida e dedicar-me à escrita a 100%.”
E depois acordei. Sim, foi um sonho feliz mas tratou-se apenas de uma fantasia do meu inconsciente. Aquela seria uma bela vida mas a que tenho também me faz sentir plena e abençoada. Nunca imaginei aquilo que tem sido a minha existência. Nem nos meus maiores sonhos. E ainda bem que é assim.

Tema da semana: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

Charneca em Flor escreve aqui

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Pregão alado

01
Mar20

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Suas Altezas Aladas,

A Passarada

 

Faz saber a toda a comunidade de blogueiros, bloguistas, e gente que escreve blogs, entradas, postais ou posts que, face à pandemia generalizado de medo, fobias e ansiedades e outras perturbações ansiosas, decorrentes do novel coronavírus, corona, covid-19, ou aquela coisa que veio da china, vem por este meio convidar todos quantos queiram, todos quanto arrisquem e que lavem as mãos, para participarem no excelentíssimo, magnífico e excepcional Desafio de Escrita Criativa dos Pássaros.

Assim, para aqueles que aceitem este desafio único, singular e exclusivo, claramente previsto por Nostredamus nas suas profecias sobre o fim do mundo, as regras são:

- Enviem um email para o desafiodospassaros@gmail.com a expressar, consentir e anuir a vossa participação nesta perigosa monta.

- Para os que enviarem o email, até quarta-feira dia 4 de Março, voará missiva com o tema desta semana.

- O texto deve ter, no máximo, 400 palavras.

- Deve ser publicado no próprio reino (como quem diz, blog), sexta-feira dia 6 de Março, pelas 15h.

- Deverá identificar o desafio de escrita criativa dos pássaros no título e nas áchetágues #desafios dos pássaros

 

E que os Pássaros estejam convosco!

Tema #2.5 - Daniela Maciel

01
Mar20
Mariana sentiu a água a molhar-lhe os pés antes mesmo de acordar.
 
Abriu devagarinho os olhos protegidos pelos óculos de sol. Sentia a pele a escaldar.
 
Doeu-lhe o corpo quando se ergueu da espreguiçadeira. Há quanto tempo estaria a dormir?
 
Deixou-se estar sentada e olhou em seu redor. A piscina à sua frente parecia não ter fim. A água era azul e límpida. Um autêntico paraíso.
 
Observou os pés molhados. Encontrava-se num local muito próximo da borda da piscina e certamente alguém a teria molhado ao atirar-se para a água. As gotículas que lhe cobriam a pele começavam já a desaparecer.
 
Mas que local era aquele? Não se recordava de como ali fora parar.
 
Tudo à sua volta era incrível. Até o céu era diferente. Decididamente não era português. Talvez estivesse num resort de luxo nas Maldivas!
 
Ouviu alguém chamar o seu nome. Virou a cabeça na direção da voz. Dentro de água, duas mulheres acenavam-lhe efusivamente. Reconheceu as suas melhores amigas.
 
Alguns pormenores começavam a assomar-lhe à mente. Tinha vindo de férias com as amigas para festejar o seu divórcio. Finalmente concretizara o seu maior desejo: livrar-se do marido.
 
Não havia problema se por vezes não se conseguia recordar das coisas. A medicação costumava deixá-la confusa.
 
Pegou no protetor solar pousado no chão junto aos chinelos e aplicou uma camada generosa no corpo. O tom do seu bronzeado sugeria que aquele devia ser o terceiro ou quarto dia que passava estendida ao sol.
 
A confusão voltou a apoderar-se dela. Não se lembrava sequer de ter andado de avião.
 
Estaria a sonhar?
 
Não! Os sonhos não transmitem este tipo de sensações. Não sentimos o calor na pele. Não sentimos a água a molhar-nos os pés. Não sentimos o cheiro dos cremes bronzeadores.
 
Ou será que sentimos?
 
Não. O mais certo era ter abusado do álcool na noite anterior, o que fora claramente um erro.
 
Levantou-se, decidida a dar um mergulho. Aquelas eram as suas férias de sonho, mais valia aproveitar ao máximo.
 
Caminhou devagar, tentando ignorar que as pessoas pudessem estar a olhar para ela. Era uma mulher atraente, embora tivesse de usar fato de banho para esconder as cicatrizes. Tinha sempre receio de que os outros fossem capazes de ver as marcas que o marido deixara nela.
 
Aproximou-se da borda da piscina, sorriu e atirou-se para a água fresca.
 
 
Acordou estremunhada. O sol desaparecera. Tudo à sua volta era cinzento e desinteressante.
 
Doíam-lhe as costas de ter estado deitada naquela cama de péssima qualidade.
 
Fitou as grades cinzentas à sua frente.
 
Agora recordava tudo com clareza. Em breve iria ser presente ao juiz.

Talvez não tivesse sido nada boa ideia esfaquear o marido sete vezes.
 

Tema da semana: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

Daniela Maciel escreve aqui

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Tema #2.5 - Tótó

01
Mar20

Joana não conseguia processar o que se estava a passar com ela. De repente vê-se num sítio onde nunca esteve, com pessoas que nunca viu e que mesmo sendo uma estranha também para eles, (e louca, segundo o que lhe parece) estão a ajudá-la a regressar a casa. Sem segundas intenções, sem pedir nada em troca. O casal Lurdinhas e Eustáquio Vida Larga, têm sido incansáveis com ela e ela, às vezes tão azeda para eles. 

Joana precisava de entender o que se estava a passar e a Sofia conseguiu acalmá-la ligeiramente. Não estava sozinha. Sofia contou-lhe naquela manhã, que também foi muito atabalhoado o encontro com as pessoas da aldeia, e que também pensava que tinha adormecido, mas ao fim de um ano descobriu que afinal tem estado em coma. Tinha sido o Sr. Eustáquio que a levou ao Padre Serafim, porque começou a perceber que algo estava muito errado. O Padre Serafim parecia ser um bocadinho inconveniente e indiscreto mas ele estava ali com uma única missão, e não era dar missas.

Joana ficou em choque. Estaria ela também em coma? Teria morrido e aquilo era o céu? Mas Sofia aquietou-a. Junto do Padre Serafim aprendeu a distinguir os “perdidos”. Há os sonhadores, os que estão em coma ou inconscientes e os que morreram. Há diferenças entre eles mas não podia ensinar-lhe, podia só dizer-lhe que ela estava bem de saúde, estava só enrolada num sonho e não tardava em acordar.

Ao regressar a casa dos Vida Larga, Joana sentia-se numa ambiguidade, por um lado queria ficar com Sofia e descobrir mais sobre a aldeia e sobre o mistério da distinção de pessoas, por outro só queria voltar à sua vida, por mais reles que fosse. Eustáquio sentou-se a seu lado, pressentindo as suas dúvidas.

- Sabis, o tempo né o relójo que manda, és tu! Tu é que decidis, tá claro, mas sa fossi a ti na ma apressava! É cassim de repenti acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se. Vá, conta-nos o tê dia.

Tema da semana: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

Tótó escreve aqui

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Tema #2.5 - Joana Rita Sousa

01
Mar20

- A questão é saber se chegas a ter consciência disso. Ou se achas natural.

- Acho natural o quê? – perguntou ele.

- Pronto. – disse ela – Já percebi que não tens consciência.

- Mas consciência do quê? – insistiu nele.

Ela sacou de um cigarro. Negro, com cheiro a baunilha. Nem se percebia bem que era um cigarro, dada a ausência do cheiro a tabaco.

- Não gosto nada de ter que te explicar isto. És um falso. Apregoas aos sete ventos uma coisa que não és. Ainda não percebi se te queres proteger ou se isso é uma forma de ataque.

Ele olhou-a. Sentia-se transparente.

- E não olhes para mim assim. Nem imaginas como me custa ter-te aqui e dizer-te isto na cara. Custa-me tanto saber que és outro. Nem imaginas como isso me chega a irritar. E afasta-me de ti. Só penso em formas de estar longe de ti. Mil e uma ginásticas.

O cigarro estava a chegar ao fim. Era tarde e a alma – que pesava toneladas - pedia descanso. A dela. Já a dele pairava algures naquele quarto a tentar compreender o sentido daquilo que tinha ouvido.

Era (cada vez mais) tarde. Ela puxou o cobertor e o lençol. Apagou a luz. Ele permaneceu sem resposta, com o olhar fixo na escuridão, que era o reflexo da sua própria falta de luz. No outro dia, pela manhã, ele não estava lá. Um bilhete na mesa de cabeceira a dizer "adeus". Ela respirou fundo: realizou-se o que há muito desejava. 

Tema da semana: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

Joana Rita Sousa escreve aqui

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Tema #2.5 - João Lopes

01
Mar20

Acordei com menos cabelo o que mais desejava, o primeiro assunto que me lembrei, foi do texto que agora escrevo, «Acordas e tudo o mais que desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia». Para além da intromissão na vida alheia, tenho que escrever um texto sobre o meu dia. Escreverei verdades ou escreverei como se de verdades conversasse, quem ler o texto o que pensará da pequena história do meu dia? Vou escrever que o meu dia foi passado entre amigos, almoçamos num bom restaurante, comida boa, vinho excelente e de preço elevado. Só não coloco fotos, dos amigos, da comida e do vinho, porque o texto é sem fotos. Não aconteceu nada do que escrevi, não passei o dia com amigos, almocei na minha casa e bebi água, tenho de conduzir a biblioteca ambulante, segurança acima de tudo. Sem conscientizar o que escrevi, revelei um pouco do meu dia, com as histórias, minhas confidentes, amigas. A intimidade entre mim e elas está presente todos os dias, muita confiança, ao ponto de sermos cúmplices, nas inúmeras viagens já realizadas. Um dia de condução, por estradas largas, por estradas estreitas, distâncias longas, tantas vezes percorridas noutros dias, a indiferença tem alturas que se quer sobrepor. Mas não é bem assim, apesar da repetição dos percursos, os momentos são sempre diferentes, com os panoramas a serem alterados, pelo homem, pela natureza, por mim, olho para eles sempre de maneira diversa quando me aproximo. Um dia em que sou um intruso, ou um amigo, nas aldeias que me acolhem por breves períodos, um dia em que estão todos, ou não está nenhum. Um dia de muito frio,   ou calor, um dia cheio de amor pelo que realizo. Um dia de tristeza pelo que podia realizar e não realizei,um dia que queria ter o que não me querem dar. Um dia sem perder a confiança no futuro, um dia em que as histórias continuam a fazer parte da minha história.

Tema da semana: Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

João Lopes escreve aqui

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