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Desafio de Escrita

Tema # 2.1 - Maria Aráujo

01
Fev20

Sempre fora um homem de garra, um exímio trabalhador, um pai preocupado, mas...

Não tinha horas para nada. O trabalho estava em primeiro lugar, os filhos e a esposa esperavam-no para jantar, cansado que chegava a casa gritava com os filhos, a esposa tentava acalmá-lo, os filhos perdiam o respeito que ele exigia, não permitia mentiras. Amava-os e conhecia-os muito bem. E se aos fins-de-semana na saída com os amigos para a noite não estivessem em casa à hora marcada, ligava-lhes para o telemóvel, não recebia resposta, pegava no carro, procurava-os, trazia-os para casa.

Com o tempo, o filho mais velho percebeu algo estranho no comportamento do pai. A mãe nunca referira nada a respeito. Começou a prestar-lhe mais atenção.

Uma noite, quando a mãe e o irmão dormiam, foi para o quarto, apagou a luz, fez de conta que se deitava. Deixou passar alguns minutos, foi espreitar o pai que, na sala, deitado no sofá, dormia . O televisor ligado era a luz que lhe permitia ver o que se passava.

E descobriu: ele bebia.

No chão, junto ao sofá, estava a garrafa de vinho. No copo em cima da mesinha restava um pouco do que poderia ter bebido: um copo? Mais?!

Impossível acreditar no que os seus olhos viam. O pai sempre fora moderado com o álcool. Em casa bebia água às refeições, socialmente pouco bebia. O que o teria levado a beber?

Durante algum tempo foi espiando, até que num dia que saíram juntos, perguntou-lhe o que se passava, que sabia que ele bebia, que alguma coisa estava a acontecer que o levava a beber.

O pai respondera que estava com problemas no trabalho, que não era nada que o pudesse deixar a ele preocupado, que a bebida fora ocasional.

Mas não fora ocasional. O pai continuava a beber, escondia-se na casa de banho de serviço, adormecia, por vezes, sentado na sanita.

Falou com a mãe.

Ela confirmou que o pai bebia há alguns anos. Eles eram mais pequenos, não percebiam, poupara-os de o ver embriagado.

Sugeriu que o pai devia participar nas reuniões dos Alcoólicos Anónimos, lera alguma coisa na internet, é confidencial, o pai precisava de apoio urgente. Pediu que falasse com ele.

Ela respondeu-lhe que ia tentar mais uma vez, mas " Acho que a coisa não vai correr bem".

 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Maria Araújo escreve aqui

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Tema #2.1 - Magda Pais

01
Fev20

Acho que já todos ouvimos as notícias sobre o coronavírus

(e não, não tem nada a ver com a cerveja Corona apesar de ter dado imenso jeito para os memes que circulam por essa internet fora)

E sobre as formas de contágio, de quarentena, de cuidados. Além, claro, das teorias da conspiração e dos malandros das farmacêuticas que querem é ganhar dinheiro.

Pelo meio e enquanto a esmagadora maioria dos políticos por esse mundo fora são da opinião que quarentena é quarentena e por isso há que manter o isolamento de quem teve ou pode ter tido contacto com potenciais doentes, cá, neste jardim à beira mar plantado, há quem defenda que sim, vamos lá buscar os portugueses, e deixemos que vão para as suas casas na paz do senhor e depois, se ficarem doentes, com certeza que eles ligam para a saúde 24.

Correndo o risco de ser fuzilada por todos vós e de me rogarem todas as pragas do Egipto e da Austrália, não concordo mesmo nada com esta decisão que tem tudo para não correr bem.

Ora vamos lá a ver. O período de encubação do coronavírus são 14 dias, durante os quais o paciente não tem sintomas mas pode contagiar outros. Para contas simples, vamos imaginar que são 10 portugueses que regressam doentes. Ora se cada um deles contagiar 10 outras pessoas e essas 10 contagiarem outras 10… estão a ver em quão pouco tempo o vírus se espalha sem controlo? E estamos a partir do pressuposto que, assim que ficarem doentes, ficam em isolamento e que só chegam 10 doentes. E se forem mais? E se contagiarem mais?

Um dos portugueses que decidiu ficar na China explicou que não está num cenário de guerra e por isso não vê necessidade de ser retirado. Concordo com ele e, muito provavelmente, seria a minha decisão se lá estivesse. E antes que venham com a lengalenga de que, se fosse a minha família a lá estar eu pensava de outra forma, estão a perder tempo que nestas coisas sou muito pragmática. Se a minha filha, em vez de estar em Leicester, estivesse em Wuhan, quanto muito tentaria chegar perto dela para a acompanhar caso ficasse doente. Não iria correr o risco de contaminar o resto da família (e, por conseguinte, ajudar a espalhar o vírus pelo mundo).

Enfim… só vos digo que, sem cuidados extremos, acho que a coisa não vai correr bem...

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Acho que a coisa não vai correr bem

Magda escreve aqui

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