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Desafio de Escrita

Tema #2.2 Ana Isabel

12
Fev20

Continuou o seu caminho.  Mas será que deveria ter ficado em casa?... É que isto dos médicos nunca fiando. Será que tudo à sua volta não passava de um sonho? Será que tinha de facto saído de casa ou estaria a delirar na cama? Era difícil distinguir o que era real ou não.

Mas era, só podia. Estava mesmo a descer a rua. O chão era real. Baixou-se e tocou-lhe. Parecia verdadeiro. 

Virou a esquina, o café onde costumava ir não parecia nada familiar. Olhava para um lado e para o outro, era tudo igual, mas nada era familiar. Estava tudo a ficar cada vez mais estranho. Um enjoo comoçou a apoderar-se de si. Tinha a certeza que ia desmaiar. 

Quando acordou, parecia que tinha passado vários meses, não conseguia situar-se.

 

Tema da semana: é que isto de médicos, nunca fiando

Ana Isabel escreve aqui

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Tema #2.2. Pedro Vorph Valknut

12
Fev20

A uns vinte minutinhos pr'ó café emborco o primeiro comprimido de bem-estar, limpo-me a pestana e como um Pisco, pico o dia. Se o sinto encoberto e sem remédio engulo o outro tónico da receita. Banho-me, de telefonia aberta, na imersão das desgraças a mim fechadas e no ralo jogo a guerra, a seca, meca, a epidemia ou outra vilania. Enxotado, desço ao roupeiro e meto-me no fato da verdade. A realidade, exigindo-me certas maneiras, afivela-me num (sem)riso, dando-me perna à cabeça. Ser plácido e anormal, ora aqui está um sinal de boa criação. Chegado aonde me puseram, dou corda ao relógio, mas o tempo estreita e não desenlaça, faltando, sempre, uma última de mão. Há dias, assim, que se vão indo, em meias tintas, em sois pinados, em espécies de búzios deitados, havendo, outros, assados ou fumados por certos elementos mentais, lavados em viagens limpas e descerebrais. É que isso de médicos, nunca fiando...e verdade seja dita, maroscas que me dessem, ao duvidar, as harmonias do acabar, nunca tive! Haverá doido maior do que aquele que pára num agir desmotivado?

O meu segredo, mais secreto, é saber limpar os pensares dos grandes pesares a um raciocínio de dupla folha higiénica

 

Tema da semana: É que isto de médicos, nunca fiando

Pedro Vorph Valknut escreve aqui

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Tema #2.2 Gonçalo Gonçalves

12
Fev20
Os pássaros esta semana deram-nos um tema que me fez lembrar uma TED Talk de Mikhail Varshavski (mais conhecido como Doctor Mike aqui pelas Internets). Nesta conferência ele falou da epidemia do "Eu sei tudo". Referindo que muitas das pessoas que dispendem do seu tempo para ir ao médico, chegam lá e esperam que os médicos tenham resposta para todas as perguntas que lhe façam, quando na realidade não é isso que acontece.
 
Os médicos estudam muito ao longo do seu percurso académico e continuam a estudar ao longo das suas carreiras. E mesmo assim, um paciente pode perguntar-lhe alguma coisa e ele mesmo assim dizer "Não sei". Ou pode acontecer também eles se enganarem. Sim os médicos enganam-se. É raro, felizmente. Mas acontece. 
 
O facto deles ou outra pessoa dizer "Não sei" devia ser melhor recebido. É bom. É bom ter a coragem de admitir isso e é admirável essa honestidade e humildade. Porque, no final das contas, quem é que sabe tudo? Nem os médicos, nem ninguém. 
 
Por isto, não me parece haver caso para dizer: "É que isso de médicos, nunca fiando".
 

Tema da semana: É que isso de médicos, nunca fiando

Gonçalo Gonçalves escreve aqui

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Tema #2.2 Bla Bla Bla

12
Fev20

- Ai mulher, não sei como é que tu consegues fazer tanta coisa ao mesmo tempo! Estou cansada só de olhar.

- Ninguém as faz por mim… e ainda tenho muita coisa para fazer hoje e não tenho tempo, não posso parar. Vai falando que seu não estou a olhar mas estou a ouvir.

- Não, não quero nada. Vim só ver como é que estavas, se precisavas de alguma coisa e saber…do Paulo. (Baixa o tom de voz) Como é que ele tem estado? Está melhor?

Laura para de descascar as batatas, respira fundo e vai sentar-se ao pé da amiga já sem conseguir conter as lágrimas que lhe afloravam nos olhos.

- ‘Tá nada. Está cada vez pior Mais de 10 comprimidos por dia e não há meio de o homem melhorar…Eu tento ter esperança, ser forte mas acho que ele não vai aguentar… - desata em pranto.

A amiga acorre a abraçá-la para a confortar.

- Oh miga tem calma. Vais ver que ele melhora! Isso é só o cansaço a falar. És a mulher mais forte que conheço e contigo a seu lado vais ver que ele melhora. Tens de ter paciência e esperança.

- Sim… mas é difícil sabes… ando muito cansada. O trabalho, as idas constantes aos médicos, exames, hospitais, as noites sem dormir à cabeceira dele para cuidar que ele passe bem a noite, é o tratar de casa, fazer-lhe as sopinhas que ele também não aguenta mais nada… Ai tenho que ir acabar a sopa que se está a fazer tarde.

- Eu também tenho de ir querida, só quis passar aqui rapidinho para te dar um beijinho. Se precisares de alguma já sabes.

- Obrigada amiga por vires. Mas vai ligando tu que eu com tanta coisa na cabeça esqueço-me de tudo, nunca me lembro de nada.

- Ligo sim. Vá beijinho e as melhoras para o Paulo.

Respirou fundo. Sentia-se reconfortada. A sua vida não era fácil mas agora havia sempre alguém por perto para a confortar.

Acabou de cozinhar os legumes e passou-os todos. O Paulo só conseguia comer a sopa completamente passada já que o simples ato de mastigar era suficiente para despoletar mais um arranque violento de vómitos.

Pegou num banquinho e subiu-lhe para cima. Era baixinha e só assim conseguia chegar à prateleira mais alta do armário, onde guardava loiça de cerimónia que raramente utilizava.

Afastou e loiça para contemplar os vários frasquinhos de vidro transparente. Estavam ordenados em várias fileiras e continham todos um liquido incolor, sem qualquer rótulo para os identificar.

Apesar de não haver nada que distinguisse os frascos um do outro Laura sabia exatamente o que continham pois decidira organizá-los por ordem alfabética do seu conteúdo.

Agua oxigenada, Álcool, Arsénico, Clorofórmio, Éter, Lixívia, Rícino, Tetrahidrozolina…

Com um sorrido nos lábios escolheu um frasco da última fileira. Era um dos seus preferidos por se tratarem de simples gotas oftalmológicas para os olhos.

Começou a envenenar o marido à alguns anos atrás para o castigar pela sua traição.

Laura nunca o confrontou e ele nunca soube que a mulher o havia visto em posses pouco bíblicas com a colega do trabalho a terem sexo desenfreado no carro.

Nessa altura, com a raiva de mulher despeitada a toldar-lhe o discernimento, não mediu bem o que fazia e o marido quase morreu intoxicado ao 2º dia.

Os remorsos da Laura duraram tanto quanto a braguilha do marido se manteve fechada.

Laura passou a envenenar o marido sempre que tinha conhecimento das suas infidelidades.

Com a prática aperfeiçoou os seus métodos, doses, substâncias... Nunca ninguém desconfiou dela já que era uma esposa extremosa.

Mas os anos passaram e as oportunidades do marido de saltar a cerca começara a diminuir drasticamente até cessarem por completo.

Laura começou a ficar agitada porque gostava da adrenalina mas principalmente porque gostava que toda a gente se condoesse dela e da sua situação, inundando-a de carinho, solidariedade e atenção.

Decidiu então abranger o castigo a qualquer falta que o marido fizesse. Qualquer motivo servia.

O atual castigo estava a ser aplicado por o marido ter feito um comentário levemente depreciativo a respeito do seu peso. E na verdade ele até tinha razão.

Desceu do banco e começou a verter o frasco para a sopa…

- O que estás a fazer Laura?

- Ai Jesus homem! Que me matas de susto! O que é que estás a fazer aqui em baixo? Vai já para cima para a cama antes que piores.

- Vou… o que é aquilo? O que estás a pôr na sopa?

- Aquilo? ... É agua benta homem! O que é que havia de ser?!

- Água benta Laura? Desde quando é que viraste crente?

- E eu lá creio em alguma coisa… mas olha, tentar não custa! Os médicos não sabem nada, nem com os medicamentos melhoras… isso dos médicos, nunca fiando… e assim pode ser que Deus, o Diabo ou qualquer outra coisa te acudam.

Mal não há de fazer!

- Pois… tá bem… mal não há-de fazer não…. Olha queria comer aqui contigo mas já estou a ficar tonto. Vou-me deitar e como um bocadinho da sopa lá em cima, tá bem?!

- Tá! Vai lá mazé antes que priores que eu já ta levo.

Fodasse! Foi por pouco…

 

Tema da semana: É que isto de médicos, nunca fiando

BlaBlaBla escreve aqui

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Tema #2.2 Catarina Reis

12
Fev20

- Mãe vou receitar uma vacina bebível a ver se o seu bebé deixa de estar sempre doente. 

- Obrigada doutora.

Uns dias mais tarde o bebé adoeceu de novo e foi levado à urgência. A mãe explicou o agravamento dos sintomas e recebeu a seguinte resposta.

- Mas quem é que lhe receitou este medicamento.

- A médica de família.

- E a mãe deu a medicação sem questionar. Vai parar já a medicação. Vou receitar antibiótico e um spray para o nariz. Dentro de dias já estará bom. 

O bebé ficou melhor mas tornou a piorar assim que terminou o antibiótico. A mãe resolveu consultar um otorrino. 

- Quem é que lhe prescreveu este spray? 

- Uma médica na urgência. 

- Este tipo de spray empurra o ranho directamente para os ouvidos e origina as otites. Coloque soro, muito soro. Entretanto vou encaminhar o menino para a alergologia porque já são muitas crises. 

- Obrigada Doutor. 

Dias depois vão à dita consulta. Depois de fazer o histórico a médica diz. 

- Gostava de experimentar uma vacina bebível chamada X. Mãe orque está a olhar para mim com um ar tão escandalizado. 

- É que eu já comecei a dar esse medicamento ao meu filho. 

-E então? 

- Ele ficou doente e eu tive que o trazer à urgência. A doutora que nos atendeu disse que nunca deveria ter dado essa medicação. 

- A minha colega disse isso? Fico espantada com os diagnóstico dos meus colegas. Vou receitar um tratamento para a alergia e um spray.

A mãe saiu do consultório incrédula. É que isso de médicos, nunca fiando. 

 

Tema da semana: É que isto de médicos, nunca fiando

Catarina Reis escreve aqui

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Tema #2.2 Bárbara

12
Fev20

Nicole levantou-se e sacudiu a areia, e Luca virando-se para ela disse.

 -Agora que já te livraste da areia, estás pronta para ir?

 -Acho que sim - disse enquanto coçava a cabeça - O resto da areia saiu mas alguma ainda ficou no cabelo e está a fazer comichão.

-Quando chegarmos a casa da minha amiga ela ajuda te com isso e depois podemos continuar à procura dos teus pais.

-Isso é ótimo! - disse ela, de novo entusiasmada. - Estou ansiosa por conhecê-la! - exclamou sorrindo .

Luca não disse nada mas sorriu de volta.

 Continuaram a andar um bocado em silêncio até Nicole perguntar.

-Quem é a tua amiga que vamos encontrar?

- Oh! É uma senhora velhinha muito simpática que vive cá à muitos anos.

-Uau. Mas... como é que ela me vai ajudar a encontrar os meus pais?

-Bom, ela conhece este deserto como a palma da mão, e como não passam muitas pessoas por cá ela sabe sempre. - explicou ele - Já agora, uma pergunta , porque é que vieram para o deserto?

-Os meus pais repararam que eu andava a comer e a beber menos do que o costume, e não acreditavam quando eu lhes dizia que apenas estava sem fome e sede. Por isso levaram-me ao médico.

- E o que é que ele disse?

-Disse que eu não tinha nada de errado e provavelmente só estava a fazer birra. - respondeu indignada pelo o médico lhe ter dito isso. - Mas eu não estava a fazer birra! Depois quando voltamos para casa passámos por um amigo dos meus pais, e quando ele me viu fez uma cara de choque e foi falar com os meus pais. Só consegui ouvir ele dizer, " É que isso de médicos, nunca fiando", e depois os meus mandaram-me ir brincar porque estavam a ter uma "conversa d' adultos" . Sem me avisarem, no dia seguinte já tinham feito as malas e viemos para aqui.

- Desculpa, mas ainda não percebi por que é que vieram para o deserto.

-Infelizmente sei tanto como tu - disse ela encolhendo os ombros.

 

Tema da semana: É que isto de médicos, nunca fiando

Bárbara escreve aqui

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