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Desafio de Escrita

Tema #2.1 - João Lopes

02
Fev20

Acho que não vai correr bem, mas o meu apego e vontade de compreender o livro foram mais fortes. Há muito que cobiçava ler a história, e foram muitos os esforços para a obter. Então numa tarde acanhada tomei a decisão de abrir o livro, desejando que me omitissem do lugar onde estava. Foi assim que iniciei a leitura, após algumas páginas mergulhado na narrativa, detetei que algo me puxava. Uma corrente líquida de cor escura com um forte odor a tinta, não era um corante qualquer, mas sim tinta de que nos servimos para escrever. Quase me afogava, ainda sem entender, agarrei-me com toda a força que tinha a uma pena que por ali passava. Não demorei muito tempo a compreender, após estar restabelecido do que me estava a acontecer, a pena não era mais do que o corpo ao qual se prendia o aparo que deslizava numa folha, para trás já eram muitas as palavras e frases escritas.. Agora o aparo ganhava velocidade, quem o empunha aparenta estar com determinação de concluir a história, eu vacilo de um lado para o outro, a insegurança é muita. A impetuosidade e a destreza na criação de letras, palavras e frases não têm limites neste aparo. Acho que não vai correr bem esta aventura que estou a presenciar, a torrente de tinta provoca ondas de emoções, as palavras permanecem tristes, alegres, derramam lágrimas, soltam sorrisos. Eu é que não estou a achar graça nenhuma a tudo isto, acho que não vai correr bem. Sinto cada vez mais que o aparo perde velocidade, estanca, arranca novamente, mais lento, pressinto o final da narrativa, começo a ficar com atordoamentos, acho que não vai correr bem, perco a lucidez. Regresso, abro os olhos, continuo sentado no sofá com o livro na mão.

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

João Lopes escreve aqui

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Tema #2.1 - Lara Monteiro

02
Fev20

- Estás pronta mãe?
- Ai Xana, não sei. Queria tanto fazer isto mas agora parece uma loucura! Acho que a coisa não vai correr bem!
- Mãe, relaxa! Eu e o mano estamos aqui! Claro que vai correr bem! Temos muito orgulho em ti! E sabemos o quão importante isto é! - Xana deu um abraço à mãe.
Viu-a encaminhar-se para junto do instrutor que a levaria ao céu…literalmente!

Maria, a mãe, tinha esclerose múltipla. Sendo ela enfermeira, sabia desde o diagnóstico o que o mesmo significava. O que poderia vir a perder...mas não queria de todo toldar a sua vida pela doença. Queria ser feliz. Queria poder continuar a acompanhar os filhos, mas também queria continuar a lutar pelos seus sonhos.
Hoje, como prenda de aniversário, os filhos ofereceram-lhe um salto de paraquedas, algo que ela queria fazer desde sempre. Queria sentir a adrenalina de não sentir os pés no chão e mesmo assim sentir-se em segurança.

Hoje era o dia. E, por muito que agora até lhe estivesse a faltar a coragem, não podia desistir. Tinha de mostrar a si própria que era capaz, mas acima de tudo, queria mostrar aos filhos que não deviam desistir dos sonhos deles, acontecesse o que acontecesse. Há circunstâncias na vida que não estão ao nosso alcance de alterar; a doença dela era uma delas.


Mas tinha de mostrar que uma doença não é um atestado de óbito. Muitas vezes, é só o salto para perseguirmos o que nos faz realmente feliz.

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Lara Monteiro escreve aqui

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Tema #2.1 - Inês Pereira

02
Fev20
Quando sentes que algo não vai correr bem, o mais provável é que isso aconteça de facto. Não sei se será pela lei da atracção ou por termos um instinto que não compreendemos mas que nos alerta para quando alguma coisa está errada. Aquela história de quando há fumo, há fogo talvez seja um caso prático disto que falo. O problema é que o fumo nem sempre é visível a olho nu. 
 
Existem momentos e situações em que precisamos usar outros sentidos para além dos óbvios, como é o caso da visão. Nem sempre a verdade está na frente dos nossos olhos, ao alcance dos nossos dedos. Acontece que a verdade se esconda nas sombras e se mantenha misteriosa. Só que os sinais aparecem e só precisamos de estar atentos para os compreendermos e assimilar. 
 
Neste exacto momento em que te escrevo é isso que estou a tentar fazer. Fecho os olhos e procuro entender os sinais que se encontram subtilmente a pairar e me escapam por entre os dedos sempre que tento agarrá-los. No fundo sei que isto não vai mesmo correr bem, mas continuo à espera que me provem o contrário. Hoje, ainda não foi o dia. Será amanhã? 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Inês Pereira escreve aqui

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Tema #2.1 - Alice Barcellos

02
Fev20

Quantas vezes nas nossas vidas somos travados de agir pelo pensamento de que o passo seguinte não vai correr bem?

Vivemos toldados pela rotina, espremidos entre padrões e temos medo de sair da nossa zona de conforto. Temos um amigo imaginário, tipo velho do Restelo, que está quase sempre a sussurrar aos nossos ouvidos naqueles momentos mais decisivos: “acho que a coisa não vai correr bem”. E, com muita pena, damos demasiadas vezes razão a este ser adverso à mudança e medroso que habita no nosso interior. Qual papagaio pessimista que deixa os ombros mais pesados e impede o nosso navio de se fazer ao mar nos dias de tempestade.

Quantas vezes deixamos de tomar uma decisão por pensar que o resultado não vai ser o esperado, não vai correr bem?

Este pensamento negativo limita muitas ações do nosso dia-a-dia, quer seja simplesmente experimentar uma aula nova no ginásio, mudar o corte de cabelo, mandar uma mensagem a uma pessoa especial; quer seja em decisões mais marcantes, como mudar de área profissional, marcar aquela viagem de sonho ou romper com aquela pessoa que já foi mais especial.

E se começássemos a trocar o “não vai correr bem” por “vai correr bem” e mandássemos o velho do Restelo dar uma volta ao Cabo da Boa Esperança? Se há algo que tem força nesta vida, é o pensamento. É o princípio e o fim de tudo. É o que nos leva a agir e o que nos leva a parar.

Na maioria das vezes, não conseguimos controlar o resultado das nossas decisões e somos surpreendidos pela positiva. Na maioria das vezes, corre bem e ficamos aliviados, simplesmente, porque tentamos, porque tivemos a coragem de arriscar, porque não nos calamos.

No fim das contas, mais vale ficar com as memórias de momentos marcantes, quer sejam bons ou maus, do que com os arrependimentos das decisões que não tomamos. Do salto que não demos, apesar de termos a almofada do tempo para amparar a queda e o dia seguinte para recomeçar.

O velho do Restelo ganha força quando teimamos em não mudar, em ficar sempre no mesmo lugar. A mudança é inevitável e há muitos fatores que não podemos controlar. Mas há algo que podemos tentar reverter e é até bastante simples. Basta apagarmos o “não” e ficarmos só com o “vai correr bem”. Soa muito melhor, não acham?

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Alice Barcellos escreve aqui

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Tema #2.1 - Biiyue

02
Fev20

Ouvia-se perfeitamente os pássaros a guinchar, não a cantar como os que ela estava acostumada, porque afinal eram corvos. O dia estava fria com um nevoeiro cerrado, apenas alguns metros eram visíveis. 

Ali estava ela, com várias camadas de roupa e com imenso frio à espera que a sua companhia chegasse. Inspirar tinha que ser com o cachecol à frente do nariz para o frio não fazer doer e expirar era uma tentativa de aquecer a cara, mas só criava o contraste de vapor entre frio e quente. Os minutos iam passando e a sensação que algo não iria correr bem não parava de a atormentar. "O que seria? Porque é que não conseguia ser mais especifica nestes instintos?"

Os minutos passam para meia hora, farta de esperar e no momento em que se decide voltar para casa, o telemóvel vibra: "Tive um imprevisto e não vou conseguir ir ter contigo". Ainda ponderou durante uns segundos se deveria ir sozinha ou não. Mas estava ali para aventura, por isso seguiu em frente com a ajuda do google maps. O céu começou a passar do típico cinzento para o escuro da noite e ela a andar por ruas completamente desconhecidas numa tentativa de chegar até ao centro da cidade.

Ao fim de uns 15 minutos, consegue encontrar o local. Reúne toda a sua coragem e decide entrar no bar. O ambiente era escuro mas aconchegante, só que precisou de alguns minutos para os seus olhos se ambientarem. Como ficou parada na entrada, foi abordada por uma mulher mais velha que começou a falar uma língua que ela não estava a reconhecer. Bem tentou dizer que não estava a perceber, mas foram esforços em vão. A mulher empurra-a, indicando um caminho por um corredor que ia dar a camarins. Agora ao invés de um espaço escuro, havia imensa luz. Espelhos com luzes redondas, imensas indumentarias, glitter, maquilhagem. "Abortar missão, tenho que conseguir sair daqui!", naqueles instantes de pânico e a tomar consciência da situação, aparece uma nova mulher que em brasileiro lhe pergunta "és a nova rapariga para o burlesque show? Segue-me, vou-te explicar tudo." 

Ela bem sabia que algo não iria corre bem. Como é que iria conseguir sair daquela situação? Tentar fugir e sair daquele lugar sem ficar ainda mais constrangida, ou deveria deixar-se guiar pela adrenalina e todo aquele mundo que sempre a fascinou.

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Biiyue escreve aqui

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Tema #2.1 - Miss Lollipop

02
Fev20

Desde tenra idade que o meu Pop mostrou ser um acérrimo defensor e cuidador de animais, mea culpa, mercê do ambiente em que cresceu, sempre rodeado das mais diversas espécies de animais.

À medida que foi crescendo, foi abrigando formigas, gafanhotos, joaninhas, borboletas, libelinhas, gafanhotos, grilos, que eu lhe convencia a devolver à procedência.

Foi quando descobri debaixo de um armário uma coleção de aranhas, besouros, lagartas, lagartixas, centopeias e afins, já mumificados, que comecei a achar que a coisa não ia correr bem.

E comecei a ter a certeza de tal quando descobri que andava a alimentar um ninho de pequenos ratinhos que descobriu no quintal, quando chegou da escola com um hamster branquinho que foi buscar à loja dos animais, quando começou a trazer pássaros feridos para tratar deles em casa.

Já com idade suficiente para andar a deambular à noite com os amigos, abro-lhe a porta, e salta-me à vista um gatinho aninhado no seu ombro.

- Está perdido, e farto de miar. Deixa-o pelo menos passar a noite. E amanhã logo se vê-

 Acho que a coisa não vai correr bem, pensei.

Incapaz de virar costas a um bichinho, mais uma vez mea culpa, lá o fomos alimentar e brincar com ele. Quem apanhou um susto foi a Lolli quando de manhã acordou com um felino em cima dela.

Para meu desespero, já  faziam planos para comprar brinquedos vários e acessórios adequados quando uma vizinha disse que o queria, podendo assim estar com ele quando quisessem.

Menos mal. Desta vez a coisa correu bem.

E eis que me bate à porta, desta feita com uma rafeirolas creme de olhar meigo, que o tinha seguido durante 3 kms.

- É só esta noite. Amanhã vamos à procura do dono –

Mais uma vez anuí, alimentei-a, e foi para o espaço até então ocupado pela rafeira alentejana que entretanto falecera.

Mais uma vez pensei – acho que a coisa não vai correr bem-.

Sem chip, depois de diversas publicações nas redes sociais, apelos em grupos, cartazes afixados, devidamente cuidada e vacinada, foi registada em nome dele.

E passou a fazer parte da família, juntamente com as 3 cachorras residentes, às quais se juntou mais uma há pouco, salva de morte certa pelo meu Pop, desta feita imediatamente adotada pela minha Lolli.

Eu sabia que a coisa não ia correr bem…

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Miss Lollipop escreve aqui

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Tema #2.1 - Ana de Deus

02
Fev20

há algum tempo que não escrevo um diário e acho que é altura de reatar laços. hoje tenho a minha primeira aula de yoga do riso. sempre quis experimentar mas nunca tinha surgido oportunidade. lembrei-me do Luís sentado no cruzamento a caminho do Estádio Nacional. tinha uma patologia esquizóide e volta e meia começava a insultar uma pessoa ou outra em altos berros. toda a gente o conhecia e na editora onde eu trabalhava, quando o víamos, fazíamos-lhe uma festa. todos os dias ele ia para o cruzamento a caminho do Estádio Nacional e ficava nos semáforos a acenar ao trânsito. a malta acenava-lhe ou buzinava a saudá-lo. de Segunda a Sexta como se de um emprego se tratasse. pensando bem, ele tinha razão. acrescentava-nos um sorriso ao dia.

quando recebi o tema para o primeiro desafio dos pássaros ri até às lágrimas! acho que a coisa não vai correr bem. é a previsão dos pássaros. eu estou mais optimista.

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Ana de Deus escreve aqui

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