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Desafio de Escrita

Tema #2.1 Mula

01
Fev20

Apesar de bloqueada e sem tempo,
No desafio dos pássaros decidi continuar.
Por isso já imaginam...
Como é que isto vai terminar.

 

Com textos sem cabeça nem pé,
Sem fim, sem ponta ou ligação.
A imitar a vida como ela é,
Vai ser pra aqui uma grande confusão.

 

Por isso a cantar vos digo,
Acho que a coisa não vai correr bem,
Mas com certeza confirmo.
É melhor viver a tentar, do que viver sem.

 

Desistir pra Mula não é opção,
Mesmo sem tempo, paciência ou coração.
Por isso aqui vai mais um desafio,
Que espero seguir de fio a pavio!

 

 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

A Mula escreve aqui

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Tema #2.1 Mariana

01
Fev20

Nelito está pronto para a sua primeira vez. Escolheu Madalocas, a sua namorada, para lhe tirar algo tão íntimo e pessoal. Madalocas é experiente, já o fez com e a várias pessoas... Homens e mulheres. Sabe o jeito certinho, a intensidade certinha, cada movimento.

— Espera, espera Madalocas! Não sei se sou capaz...

— Amor, relaxa... Eu sei o que estou a fazer. Garanto-te que só custa a primeira. Confias em mim?

Nelito está tenso. Não vai correr bem, ele sabe! Mas também sabe que algum dia tem de acontecer, e se pode ser hoje, para quê adiar?

— Ok, vai... Mas devagar Madalocas, devagar!

Nelito vira-se de costas para Madalocas e coloca-se em posição. De repente, sem ele contar, ZÁS!

— AI CARALHO FILHA DA PUTA MAL COMIDA DE MERDA!

Madalocas finge que não é nada e continua a bombar. Uma, duas, três! Nelito grunhe de dor enquanto pingos de suor deslizam pela sua face.

De repente... Tudo acalma. Madalocas aparece à sua frente e, com ar angelical mas sorriso traquino, pergunta:

— Então, amor, foi assim tão mau?

Nelito jurou para si mesmo que nunca mais deixaria a namorada espremer as suas borbulhas das costas.
​​​​​​
 

Personagens:

Manuel Caroço (Nelito) - 27 - mecânico

Madalena Carolina (Madalocas) - 24 - esteticista

 

 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Mariana escreve aqui

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Tema #2.1 Charneca em Flor

01
Fev20

Olha, olha, o desafio dos Pássaros voltou. Desta vez vou escrever poesia. O mote para esta semana é “Acho que a coisa não vai correr bem”. Pois eu proponho provar que a coisa vai correr mesmo muito bem. Vamos a isto:

 

E, de novo, vão começar as hostilidades

Um novo desafio, os Pássaros estão a lançar

Obviamente, não se esperam facilidades

Eu, pela poesia, decidi recomeçar

 

À prosa, estou eu habituada

Conseguirei com as palavras brincar?

Sinto a criatividade travada

Não consigo estas linhas embelezar

 

Ai de mim, que isto não corre nada bem

Eu queria muito mas não consigo

Não sei se vocês percebem…

Escrever poesia é um desejo antigo

 

Já escrevi poemas há muito

Há tanto tempo que nem me lembro

Não estou a conseguir o meu intuito

Com este poema a ninguém assombro

 

Eu bem disse há pouco

A coisa muito mal correu

Se alguém gostar desta coisa é louco

É que a minha veia poética já morreu

 

- Charneca, eu bem te disse para não te aventurares. Eu logo vi que a coisa não ia correr bem – disse a minha amiga joaninha.

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Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Charneca em Flor escreve aqui

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Tema #2.1 Joana Rita Sousa

01
Fev20
o que queres ser? 
 

quando somos pequenos perguntam-nos tantas vezes: "o que queres ser quando fores grande?". vamos para a escola, seguimos a universidade ou entramos no mercado de trabalho e deixam de fazer essa pergunta. assume-me que aquilo que fazemos, em adultos, é aquilo que queremos ser. e quantas vezes não é? 

seguimos pela vida adulta adentro, por aí fora, a cumprir com as metas disto e daquilo. umas metas são nossas, outras tornam-se nossas por vicissitudes da vida. seguimos caminho. e aquela pergunta desaparece e não volta mais.

envelhecemos. a pele fica enrugada, os joelhos começam a doer, a memória começa a falhar. e aquela pergunta não regressa.

eis que surge uma pergunta aterradora: o que queres ser quando morreres?  

"sei lá eu. acho que com isso da morte a coisa não vai correr bem. morremos e pronto." 

e já pensaste mesmo nisso? pensar no que queremos ser quando morrermos obriga-nos a pensar um bocadinho no que queremos ser enquanto vivemos. e confesso que não sei qual das perguntas me assusta mais. 

 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Joana Rita Sousa escreve aqui

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Tema #2.1 José da Xã

01
Fev20

Sentado no peal de um prédio devoluto e que clandestinamente o albergava, Elizário mantinha a caixa de papelão no chão com uma simples moeda, sempre à espera que alguém se condoesse e deixasse uma redondinha, como ele gostava de lhe chamar.

Passara mais de meio século desde que partira da sua terra num velho navio de carga para vir cumprir o Serviço Militar Obrigatório para o Continente.

Saíra da Fajã de Santo Elói dois dias antes, pois a subida até ao cimo das Lagoas era obra dura e requeria persistência. Um naco de broa, um de inhame frito e uma botelha de vinho era tudo quanto carregava consigo quando trepou pela encosta íngreme por carreiros estreitos e perigosos enquanto olhava atrás de si o mar azul e infindável.

Certo dia perguntara ao Padre Josué o que havia depois do mar. O Padre teve dificuldade em responder a alguém que nunca soubera ler nem escrever quanto mais saber outras ciências.

Elizário não percebera a resposta, mas ali de cima via cada vez mais mar dando razão à sua ideia de que para lá do horizonte não existiria mais nada... senão mar.

Chegou à vila no dia seguinte e procurou no pequeno porto o navio que o levou. Embarcou para o fundo de um convés mal cheiroso e onde encontrou outros ilhéus.

- Viva boa tarde…

Acordado das suas tristes e longínquas memórias o açoriano não respondeu até que insistiram:

- Olá boa tarde... como se chama?

- Está falando comigo, senhor? - nunca perdera a forma delicada de falar da sua ilha.

- Estou sim. Como se chama?

À terceira lá veio o nome:

- Elizário, senhor!

- Não tem família?

- Nã' senhor!

Assentara praça num qualquer quartel e depressa partira para África ainda a tempo de apanhar o auge da guerra. Não a temeu. Pelo menos ali, tinha que comer, vestir, calçar e uma cama para dormir, em vez da enxerga pobre e peçonhenta que partilhava com um rancho de irmãos. E depois a morte sempre fora algo com a qual convivera toda a vida. Havia sido quatro irmãos, um tio, uma avó ou simplesmente muitos dos seus famintos companheiros que por entre inhames e milho corriam atrás de algum coelho descuidado.

Mas o seu maior receio fora mesmo o regresso à metrópole. Desse tempo padrasto guardou para sempre um pensamento: acho que esta coisa não vai correr bem!

 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

José da Xã escreve aqui

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Tema # 2.1 - Maria Aráujo

01
Fev20

Sempre fora um homem de garra, um exímio trabalhador, um pai preocupado, mas...

Não tinha horas para nada. O trabalho estava em primeiro lugar, os filhos e a esposa esperavam-no para jantar, cansado que chegava a casa gritava com os filhos, a esposa tentava acalmá-lo, os filhos perdiam o respeito que ele exigia, não permitia mentiras. Amava-os e conhecia-os muito bem. E se aos fins-de-semana na saída com os amigos para a noite não estivessem em casa à hora marcada, ligava-lhes para o telemóvel, não recebia resposta, pegava no carro, procurava-os, trazia-os para casa.

Com o tempo, o filho mais velho percebeu algo estranho no comportamento do pai. A mãe nunca referira nada a respeito. Começou a prestar-lhe mais atenção.

Uma noite, quando a mãe e o irmão dormiam, foi para o quarto, apagou a luz, fez de conta que se deitava. Deixou passar alguns minutos, foi espreitar o pai que, na sala, deitado no sofá, dormia . O televisor ligado era a luz que lhe permitia ver o que se passava.

E descobriu: ele bebia.

No chão, junto ao sofá, estava a garrafa de vinho. No copo em cima da mesinha restava um pouco do que poderia ter bebido: um copo? Mais?!

Impossível acreditar no que os seus olhos viam. O pai sempre fora moderado com o álcool. Em casa bebia água às refeições, socialmente pouco bebia. O que o teria levado a beber?

Durante algum tempo foi espiando, até que num dia que saíram juntos, perguntou-lhe o que se passava, que sabia que ele bebia, que alguma coisa estava a acontecer que o levava a beber.

O pai respondera que estava com problemas no trabalho, que não era nada que o pudesse deixar a ele preocupado, que a bebida fora ocasional.

Mas não fora ocasional. O pai continuava a beber, escondia-se na casa de banho de serviço, adormecia, por vezes, sentado na sanita.

Falou com a mãe.

Ela confirmou que o pai bebia há alguns anos. Eles eram mais pequenos, não percebiam, poupara-os de o ver embriagado.

Sugeriu que o pai devia participar nas reuniões dos Alcoólicos Anónimos, lera alguma coisa na internet, é confidencial, o pai precisava de apoio urgente. Pediu que falasse com ele.

Ela respondeu-lhe que ia tentar mais uma vez, mas " Acho que a coisa não vai correr bem".

 

Tema da semana: Acho que a coisa não vai correr bem

Maria Araújo escreve aqui

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Tema #2.1 - Magda Pais

01
Fev20

Acho que já todos ouvimos as notícias sobre o coronavírus

(e não, não tem nada a ver com a cerveja Corona apesar de ter dado imenso jeito para os memes que circulam por essa internet fora)

E sobre as formas de contágio, de quarentena, de cuidados. Além, claro, das teorias da conspiração e dos malandros das farmacêuticas que querem é ganhar dinheiro.

Pelo meio e enquanto a esmagadora maioria dos políticos por esse mundo fora são da opinião que quarentena é quarentena e por isso há que manter o isolamento de quem teve ou pode ter tido contacto com potenciais doentes, cá, neste jardim à beira mar plantado, há quem defenda que sim, vamos lá buscar os portugueses, e deixemos que vão para as suas casas na paz do senhor e depois, se ficarem doentes, com certeza que eles ligam para a saúde 24.

Correndo o risco de ser fuzilada por todos vós e de me rogarem todas as pragas do Egipto e da Austrália, não concordo mesmo nada com esta decisão que tem tudo para não correr bem.

Ora vamos lá a ver. O período de encubação do coronavírus são 14 dias, durante os quais o paciente não tem sintomas mas pode contagiar outros. Para contas simples, vamos imaginar que são 10 portugueses que regressam doentes. Ora se cada um deles contagiar 10 outras pessoas e essas 10 contagiarem outras 10… estão a ver em quão pouco tempo o vírus se espalha sem controlo? E estamos a partir do pressuposto que, assim que ficarem doentes, ficam em isolamento e que só chegam 10 doentes. E se forem mais? E se contagiarem mais?

Um dos portugueses que decidiu ficar na China explicou que não está num cenário de guerra e por isso não vê necessidade de ser retirado. Concordo com ele e, muito provavelmente, seria a minha decisão se lá estivesse. E antes que venham com a lengalenga de que, se fosse a minha família a lá estar eu pensava de outra forma, estão a perder tempo que nestas coisas sou muito pragmática. Se a minha filha, em vez de estar em Leicester, estivesse em Wuhan, quanto muito tentaria chegar perto dela para a acompanhar caso ficasse doente. Não iria correr o risco de contaminar o resto da família (e, por conseguinte, ajudar a espalhar o vírus pelo mundo).

Enfim… só vos digo que, sem cuidados extremos, acho que a coisa não vai correr bem...

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Acho que a coisa não vai correr bem

Magda escreve aqui

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