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Desafio de Escrita

Tema #17

10
Jan20

já se inscreveram no segundo desafio?

 

O último tema do primeiro desafio de escrita dos Pássaros foi:

 

Luz e sombra

As regras foram simples: em língua portuguesa (com ou sem acordo), prosa ou poesia e, no máximo, 400 palavras.

Podem ir visitar os blogs dos participantes abaixo listados para conhecer os textos que foram agora publicados ou podem, nos próximos dias, conhecê-los aqui.

 

3ª Face escreve aqui

A Gorda escreve aqui

Alexandra escreve aqui

Ana de Deus escreve aqui

Ana Sofia Neves escreve aqui

Belinha Fernandes escreve aqui

Biiyue escreve aqui

Bla Bla Bla escreve aqui

Caracol escreve aqui

Catarina Reis escreve aqui

Charneca em Flor escreve aqui

Coiso escreve aqui

Drama escreve aqui

Fatia escreve aqui

Fátima Cordeiro escreve aqui

Gabi escreve aqui

Happy escreve aqui

Inês Norton escreve aqui

Inês Pereira escreve aqui

Insensato escreve aqui

Isabel Silva escreve aqui

Joana Rita Sousa escreve aqui

José da Xã escreve aqui

Just escreve aqui

Lara Monteiro escreve aqui

Magda escreve aqui

Maria escreve aqui

Maria Araújo escreve aqui

Mia escreve aqui

Miluem escreve aqui

Miss X escreve aqui

Mula escreve aqui

Osapo escreve aqui

Outra escreve aqui

Pó de Arroz escreve aqui

Sarin escreve aqui

Silvana escreve aqui

Sónia Figueiredo escreve aqui

Triptofano escreve aqui

 

E esta semana tivemos a participação especial da Gaffe que escreve aqui

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Tema #16 - Belinha

10
Jan20

Criança, ela pensava que, quando crescesse, a vida seria tal como aprendera nas histórias. Qual Gato das Botas, ardilosa e hábil com as palavras, assim tornaria o mundo um lugar melhor para os outros, e para si. Avisada, nem Formiga, nem Cigarra, saberia escolher uma profissão divertida. Assim seria fácil derrotar os monstros da fome, do escuro e do frio, sem prescindir da folia. A beleza seria o desígnio deste Patinho Feio ultrapassadas as dores do crescimento, uma qualidade natural que um dia se revelaria como um botão de rosa que desabrocha. A verdade sempre seria preferível à mentira, esse nariz de Pinóquio demasiado comprido para disfarçar. Sempre alguém andaria por perto para despertar a sua boa consciência, evitando erros estúpidos. Mas errando, encontraria no erro uma lição a extrair. A vingança, nunca uma maçã venenosa que valesse a pena fazer engolir a alguém. O amor chegaria garboso e valente, numa reluzente armadura de heroísmo. Duraria uma vida e uma morte. Confiava ela que ser uma heroína estava escrito algures num livro monumental e que a sua missão cumprir-se-ia no futuro como num conto de fadas. Se por ingenuidade se achasse na floresta, na boca do lobo, se perdesse o fio à meada do seu destino na encruzilhada dos dias, ou se achasse subitamente confusa num labirinto de escolhas, uma fada madrinha viria em seu auxílio.

 

Até que, jovem adolescente, acordou cedo, numa madrugada fria, no rescaldo do primeiro desgosto amoroso, com uma certeza que a abalava e combalia: era tudo uma mentira. Estava por sua conta e risco. Só podia contar consigo para derrotar os dragões do medo, da insegurança e da incerteza, e outras criaturas assim, que se atravessassem no caminho do seu triunfo. A realidade já não a deixou dormir. Havia razões para temer o desconhecido. Ser adulta devia ser então aquilo: ter uma vida pela frente, cheia de mudanças abruptas de parágrafo, pontos de exclamação, reticências. Um dia de cada vez. Um ano de cada vez. De improviso em improviso. Até à última página, até ao ponto final, sempre uma constante interrogação. Mesmo sem perceber toda a urgência com que a vida, naquela madrugada decepcionante, a chamava a ser sua protagonista sem rede, mesmo tremendo de frio, e temendo o futuro, intimamente sentia que começava ali a grande aventura. Não entendia ainda bem o que fazer. Apenas o que não fazer. E era um bom princípio.

 

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta. Ainda não entendi o que é para fazer

Belinha Fernandes escreve aqui

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Tema #16 - Sarin

10
Jan20

 

Adultecer, ou os fios de Ariadne

Ferir a alma na colheita da maçã,

trincar os lábios ao morder a vida,

com o caroço ter a garganta em ferida

e seguir colhendo até perder o amanhã.

 

Dos ventos saber de cor o Norte

e da má sorte ter um rumo por guarida,

saltando as sebes e caindo no musgo.

Ou nas rosas, dos ventos fugida.

 

E com os espinhos em mim cravados

e fios de sonhos desenovelados

tecerei pétalas até me anoitecer

no jardim-labirinto de adultecer.

 

Nota de rodapé: o AO90 é adulto. Mas não maduro, apenas podre.

Canção: Como nossos pais (1976)

Interpretação: Elis Regina

Música e Letra: Belchior

 

 

 

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta.... ainda não entendi o que é para fazer

Sarin escreve aqui

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Tema #16 Sarin

10
Jan20

Adultecer

O tema desta semana, sei-o já, é a vida adulta. Os Pássaros acrescentaram-lhe um "ainda não entendi o que é para fazer". Desnecessariamente: se alguém entender o que é para fazer, provavelmente terá esquecido que fazer pela vida não é o mesmo que viver, olvidará talvez que fazer e ser são verbos distintos - e não por acaso.

Se não nascemos com destino determinado, como creio, então apenas poderemos ter nascido para ser o que a vontade e as consequências, nossas e terceiras, nos possibilitarem. E nascer para ser não é fácil, há que aprender todos os dias pois todos os dias nascem possibilidades. Possibilidades boas, possibilidades más, impossibilidades... e as escolhas são consequência de outras aprendizagens, em continuidade porque a vida não se interrompe vivendo. E, por mais abruptos que sejam os ressaltos, por mais longe que possamos aterrar, partimos sempre do ponto em que estávamos: quem somos.

Não somos adultos por opção. Não somos adultos por decreto.

Adultecemos.

 

Um dia, não há muito, perguntaram-me quais as minhas maiores realizações pessoais. Sorri e pensei que nada estava realizado, encerrado. Porque a vida pode ser feita de muitos capítulos, mas nenhum inconsequente. Então, como considerar realização o que em permanente construção, destruição, reconstrução, desconstrução e, de novo, construção?

"Ter um filho, escrever um livro, plantar uma árvore". Metaforicamente, tudo fiz antes de a lei me dizer adulta. Metaforicamente, ainda tudo faço. E faço-o por ser, e por ser vou aprendendo a fazer em cada tempo. Porque adultecer é tarefa para muitas vidas - a nossa e a dos outros.

 

Nota de rodapé: o AO90 tem 30 anos. Como é possível um acordo ortográfico chegar a esta idade sendo um nado-morto gramatical?

 

Tema da semana: sobre a vida adulta.... ainda não entendi o que é para fazer

Sarin escreve aqui

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