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Desafio de Escrita

Tema #16 Charneca em Flor

06
Jan20

Vida adulta? O que é isso?

 

Mas como é que é possível?! Eu já tenho 45 anos?! Nem posso acreditar.Os anos passaram num piscar de olhos. Ainda  me sinto uma adolescente de 15 anos. Afinal que diferença há entre uma miúda de 15 e uma adulta de 45? Três décadas de diferença, obviamente.

Isto a que chamam vida adulta é uma grande chatice. A sociedade exige que um adulto siga um guião pré-definido. Primeiro que tudo é preciso ser uma pessoa responsável, arranjar um emprego respeitável, pagar impostos, comprar uma casa e um carro, casar, ter filhos, economizar para a reforma. Um tédio. A mim não me apetece fazer nada disso. Nunca seria feliz com uma vida assim, rotineira e aborrecida. Eu quero continuar a viver a vida sem preocupações.Para mim, o trabalho não me realiza. É, apenas, um intervalo entre as viagens que eu quero fazer. Quero continuar encarar a vida como uma brincadeira constante. Os meus olhos ainda brilham de felicidade quando me delicio com algodão doce ou gelados de feira. Quero sair à rua com tranças ou totós sem me preocupar com o que os outros pensam. Quero saltar de alegria na praia ao pôr-do-sol.

A minha família não me compreende e tem muita dificuldade em aceitar este estilo de vida.  Se calhar, estou a ser egoísta por não me importar com as preocupações que causo aos meus pais. Às vezes penso no dia de amanhã, se terei capacidade de continuar a levar este tipo de existência. Ao fim de 2 minutos esqueço logo esses pensamentos.

A minha mãe pergunta-me, constantemente:

- E o futuro, filha? Tens de pensar no futuro.

E a minha resposta é sempre a mesma:

- O futuro, minha mãe?! Logo se vê quando lá chegar. Por enquanto quero continuar a acreditar que sou uma adolescente.

A única coisa que eu desejo é ser feliz. A minha felicidade está à distância que estiver o meu próximo destino.

 

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Charneca em Flor escreve aqui

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Tema #16 Ana Sofia Neves

06
Jan20

A vida adulta está cheia de estereótipos e regras que devem ser seguidas. Confesso que isto me faz comichão. Nesta sociedade é obrigatório casar e ter filhos. Ah, e quando digo casar é com pompa e circunstância, viver junto e casar sem festa não conta. Depois vem a parte dos filhos, somos “obrigadas” a ter filhos, a deixar descendentes e se não queremos somos más mulheres, más pessoas e egocêntricas.

Além disso, também somos “obrigados” a gostar e a viver o natal, a passagem de ano e as restantes festividades como os demais. Se não gostamos deste tipo de festividades somos logo rotulados de esquisitos...

No que me diz respeito, sou um bocado do contra. Não gosto de aglomerados de gente, de festas e nem de pessoas a fazerem figurinhas. Casei de calças de ganga, num dia de semana, apenas no civil, depois de vivermos 2 anos juntos. Ouvi várias piadas, até da família chegada, a dizer “Então não há festa? Não levam presentes!” Ó meus queridos, metem os presentes no vosso buraco mais próximo... Ainda ouvi afirmarem que “não somos nada casados, porque não houve festa”. Ó meus queridos, se querem festa, façam-na vocês, mas não me convidem que eu não vou... E mais “Eles são esquisitos”. Ó meus queridos, com muito gosto...

Para além disso, e como não gosto de aglomerados de gente, prefiro o meu cantinho, também sou muito criticada quando declino os convites para casamentos, batizados e afins... parece que somos “obrigados” a dizer que sim. Ó meus queridos, não me convidem, porque eu não vou... Já deixaram de me falar e levaram a mal, mas lá está “somos esquisitos”. Ó meus queridos, sejam felizes e deixem lá as minhas coerências. Quem nunca ouviu dizer por aí “ não me apetece nada ir”, eu respondo, “Então não vás!” e ao que me respondem “mas parece mal”. Aí passo-me dos carretos, aflige-me as pessoas viverem em função daquilo que os outros pensam ou deixam de pensar, viverem de aparências, fingimentos e incoerências.

No que diz respeito à parte do ter filhos, não tenho e não faz parte dos meus planos de vida, aliás, nunca fez. Não é uma decisão de agora, mas de sempre. Neste assunto é que a porca torce o rabo. As pessoas perguntam “então e os filhos” e ai de mim se respondo que “Não, obrigado!”. Sou logo bombardeada com todo o tipo de comentários e ataques de pessoas que dizem que é pecado e blá, blá, blá... Acabo logo ali a conversa dizendo para terem eles, ainda vão a tempo e para se preocuparem com a vida deles que da minha sei eu cuidar. Só este tema dos filhos dava pano para mangas, mas não há espaço...

Por isso, nesta vida de adulta, eu já entendi o que é para fazer, de acordo com as minhas ideias e princípios, mas sei que muita gente ainda não entendeu o que é para fazer!

Um desejo para 2020, sejam coerentes e verdadeiros e serão muito mais felizes! Ah, e não se preocupem com o que os outros pensam ou deixam de pensar...

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Ana Sofia Neves escreve aqui

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Tema #16 Magda

06
Jan20

já se inscreveram no segundo desafio?

 

Quando era gaiata sonhava em ser adulta apenas e só para poder ter tempo para ler e não ter de me preocupar em estudar.  Quer dizer, não que eu me preocupasse muito em estudar (que eu só queria mesmo era não chumbar) mas gostava da ideia de sair do trabalho e pronto, acabou ali, em casa só teria de ler.

Pois... a parte que não sabia é que, com a vida adulta vem os empréstimos para comprar casa ou carro e todas as despesas a pagar. Contas e contas em número superior ao do ordenado (mas não em valor superior ao ordenado que, para viver acima das possibilidades já basta ao nosso governo). Com a vida adulta vieram os filhos (na altura em que sempre disse que seria mãe) e com os filhos ainda mais despesa (continuando o seu valor a ser inferior ao do rendimento).

Vida adulta... ainda não entendi como posso ter mais tempo para ler (e tanto que precisava de mais tempo para ler). Ainda não entendi como posso ter menos contas a pagar todos os meses ou como posso ter maior rendimento.

Eu até diria mais... vida adulta, acho que ainda não cheguei a essa fase. Continuo a sentir-me uma adolescente parva (ou vá, menos parva que os outros) com demasiadas responsabilidades. Continuo a sentir-me uma adolescente que apenas quer dividir o seu dia em três partes: dormir, estar com a família e ler. Se bem que as duas últimas se podem juntar numa só...

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Magda escreve aqui

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Tema #16 Just Smile

06
Jan20

A vida é demasiado complicada para conseguir entender o que realmente andamos por aqui a fazer. E ser-se adulto? Que raio de coisa é essa mesmo sabendo que todos iremos ter o mesmo destino final? É que desse não nos escapamos! Andamos por cá sem saber bem o que procurar, sem saber bem o que precisamos de fazer neste mundo, como uma espécie de baratas tontas com tanto para fazer e sem perceber a sua razão de ser. Estas introspeções todas não são fáceis, trazem-nos dúvidas, questões às quais muitas vezes não conseguimos obter respostas. Isto de ser adulto tem muito que se lhe diga! Giro, giro era quando ainda eramos crianças e a inocência da vida nos invadia, agora? Agora parece tudo bem mais complicado e parece que não sabemos o que andamos por aqui a fazer. Mas também acredito que é tudo uma questão de fases. Às vezes parece que já projetamos toda a nossa vida e que sabemos o que realmente queremos fazer com a nossa vida. Outras vezes damos por nós sem saber que caminho tomar, sem saber o que andamos cá a fazer e para o que estamos predestinados. São fases… Por isso, saber o que andamos ou não a fazer por aqui? Tudo depende de fases…

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Just escreve aqui

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Tema #16 Maria

06
Jan20

Continua a ser inevitável questionar-me - é pá já passei dos trinta há uns anos e há pelo menos duas décadas ao olhar para alguém da minha idade, além de colar logo o rótulo de trintona acrescentava o "já foste". Porque temos ideias meias concebidas talvez da educação que se teve, das fases que se foi vivendo e da questão social que nos faz ter quase prazos para tudo e mais alguma coisa. Sendo-se rigorosos com o termo "idade". E então lá prós trintas e tal a ideia de gente é estar mulher casadoira, com filhos, casa própria, família organizada, trabalho que te dê boa estabilidade, caminhos perfeitamente estabelecidos e tretas e mais tretas. Isto porque, quando  cá chegas e a vida deu lá uma reviravolta e tu nem sabes se agora está no lado certo, mas tens a noção que estás fora dos "parâmetros" e nem por isso te sentes mal (?!) Com isso, mas socialmente já foste mesmo. É  inevitável não pensares se tivesse sido diferente, se tivesses tomado outras opções se tivesses seguido outros caminhos... É inevitável...

Daqui a uns dias será o meu aniversário e sobre esta vida adulta [muitas vezes penso] ainda não entendi o que é para fazer!

Não sei se siga caminhos preconcebidos e me sinta uma falhada por as coisas terem saído diferentes da perspectiva, se siga o que é e o que tem de ser e sou feliz à minha maneira.

Isto de ser adulta não é fácil e dizê-lo está longe de ser um clichê.

Falhei muito. Tomei más decisões. Errei e pasmem-se vou continuar a fazê-lo, porque na verdade se soubesse de antemão o que está certo, saberia lá eu o que é viver. No entanto entendi que o correcto é seguir o que Eu acho que devo seguir, mesmo que isso me leve a tropeçar várias vezes e a ficar com a marca dos joelhos esfolados. Mas quem garante que se tivesse feito diferente, seria melhor?

Não tenho o mesmo corpo, ganho mais rugas a cada dia, flacidez, marcas, celulite e quilos! Mas a essência do coração está lá e uma coisa eu sei, se o seguir, estou no bom caminho. Tenho mesmo que entender o quê?!

 

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Maria escreve aqui

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Tema #16 Silvana

06
Jan20

Amélia e a eterna adolescência

Amélia sentiu o aperto forte na sua mão, não queria abrir os olhos para que eles não se cruzassem com o olhar sofredor daquele cujas lágrimas caiam. O sofrimento dele era mudo, o dela era histriónico. Ele recolhia-se na sua concha, ela era o vendaval que destruía tudo por onde passava.

− Sei que me estás ouvir, Amélia! Abre os olhos, por favor.

Amélia inspirou profundamente e, continuando de olhos fechados disse:

− Para que é que queres que eu abra os olhos? Para o quanto sofrem os teus?

Ele bufou de exasperação.

− Quando é que vais crescer Amélia?

− Acho que não passarei mais do meu metro e sessenta e cinco.

Largou-lhe a mão com brusquidão, arrastou a cadeira para longe da cama, levantou-se e foi até à janela.

− Sabes onde te encontraram? Sabes em que condições estavas quando te trouxe para casa já de madrugada?

Amélia abriu os olhos e, finalmente encarou-o. Viu tristeza e algo pior. Naqueles olhos, que tanto amor já lhe deram viu a derrota. Ele estava a desistir dela.

− Desculpa, Óscar. – Amélia começou a chorar de forma intensa e com soluços que lhe descompassavam a respiração.

Ele não se moveu para a consolar. Preferiu virar os olhos para o jardim morto. Morto como a vida que ele tinha sonhado para ele e para Amélia. Sem vida, e sem maturidade como o olhar de Amélia.

− Estou cansado, Amélia! Cansado de te obrigar a crescer. Cansado de te tentar orientar. – Voltou a encarar a mulher vazia que jazia na cama e com o choro mais controlado. – O que queres da vida? Continuar a fugir do trabalho para passares o dia a andar nos carrosséis? A andar nos baloiços do parque? A fumar ganzas com os adolescentes do secundário?

Amélia não tinha resposta para aquilo. Havia algo que a impedia de ter uma vida ajustada a uma pessoa adulta. Para ela, a felicidade emergia da vida daquelas miúdas que não tinham medo de nada, que não viviam reprimidas pelo conservadorismo e religiosidade dos pais… Ela queria sentir aquela liberdade inconsequente.

Óscar voltou para junto da cama. Desta vez não lhe deu a mão. Suspirou, sentia-se abatido e sem energia.

− Não és uma adolescente, Amélia. Precisas de ajuda de um profissional. Precisas de encontrar um propósito para a tua vida.

−Eu sei… Ajudas-me?

 

 

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Silvana escreve aqui

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