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Desafio de Escrita

Tema #11 Inês Norton

28
Nov19

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Eu com saúde versus Eu no último internamento (Nov.2019)

Olá eu sou a Lili, tenho quase 16 anos e este tema caiu no colo da dona logo no dia em que a Veterinária sugeriu que antes de eu entrar em sofrimento deveria ser eutanisiada por isso embora hajam mais animais cá em casa outra cadela, a Mel, um cão o Fisher e uma gata energica de nome Alma, a cabeça e a rotina dos donos só estão viradas para mim pois infelizmente eu estou a morrer…

 

Tenho um sopro no coração e desde do mês passado fico volta e meia uma semana internada a soro, depois volto para casa passa-se uma duas semanas em que estou bem, depois passo dias a vomitar e volto a ficar internada e o meu corpo está a desistir, o meu coração já causou problemas renais e gastrointestinais, já estou com um ligeiro edema plumunar, e os donos resolveram que eu iria para casa até à próxima consulta, pois embora se tenham passado 12 anos desde que fui abandonada e o meu dono recolheu-me da rua eu vivia no pânico de novo abandono. Mas nesta casa só tive amor e cuidado.

 

A dona trabalha fora mas conforme o horário passeia os manos antes e depois do trabalho, o dono é o responsável pela medicação e por me alimentar que eu já não como por mim e perdi tanto peso que se não for assim não estava ainda aqui.

 

Eu vou vivendo cada dia como o milagre que é ainda cá estar, mas sei que os donos sofrem com a minha iminente partida, que nem este texto está a sair como a dona pretendia, mas o que importa é eu saber que fui amada e que eles estão a fazer tudo para que eu parta sem sofrimento e junto deles em casa como aconteceu ao Tico e não longe de casa a sentir novo abandono. Ainda assim eu sei que tive mais sorte que muito animal que nunca chegou a ter um lar ou amor depois de ter sido descartado pelos donos originais.

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Inês Norton escreve aqui

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Tema #10 Triptofano

27
Nov19

Os primeiros raios de sol aqueciam o interior da bucólica viatura que deslizava pelo asfalto, dando um ar quase que divino aos caracóis louros que emolduravam a cara angelical daquele miudito de cinco anos.

Já chegámos? Já chegámos?

As palavras saídas de uma boca tão docemente delicada espantavam pelo tom de maturidade imbuído nelas, como se houvesse uma alma ancestral a habitar naquele pueril corpo que tivesse encontrado nos vocábulos a melhor forma de se expressar.

Norberto olhou pelo espelho retrovisor fazendo contacto visual com o filho, observando deliciado cada centímetro quadrado daquela criatura que era uma extensão dele, aquela amostra de pessoa que segurava ternamente mas com toda a força do seu pequeno ser um grande ramo de astromélias com tons dourados.

Já chegámos? Já chegámos?

Talvez outro pai já tivesse dado um par de berros mediante tamanha insatisfação inquisitória, mas Norberto simplesmentou voltou a estabelecer contacto visual e a sorrir.

O filho tinha sido diagnosticado com uma variedade de hiperactividade que nem os médicos souberam explicar, mas para ele tudo devia-se ao facto da mãe o ter abandonado há um ano.

Os ter abandonado, porque também Norberto se viu de um momento para o outro, sem aviso prévio ou carta registada, sozinho com uma criança para criar.

Aquelas viagens de carro, que pai e filho faziam juntos, custavam-lhe horrores, mas tinha decidido que para o bem estar da criança faria o seu melhor para manter o contacto entre ela e a progenitora.

Nesses dias, Norberto aumentava a dose dos comprimidos que comprava na farmácia da esquina sempre mediante a apresentação do cartão de cidadão para tornar a jornada o mais tolerável possível!

Já chegámos!!!!!!

O carro deteve-se perante um portão enferrujado escancarado, como a convidar todos a entrar, e o garotito dos caracóis dourados, com inesperada habilidade, abriu a porta do carro e, com o ramo de flores bem seguro na mão como se fosse o seu maior tesouro, correu à procura da mãe.

Norberto deteve-se mais alguns instantes dentro da viatura. Colocou os óculos de sol que guardava no porta-luvas e preparou-se para o encontro.

Sabia que iria chorar de saudades por aquela mulher que lhe tinha dado tantas esperanças de um futuro e de um momento para o outro o fizera ficar sem nada, mas não queria que isso perturbasse o filho.

Passou o portão e procurou com os olhos a figura angelical daquele pedaço de gente, daquela memória, eternamente enclausurada nos genes, da mulher que mais amara na vida. Pelo chão meia dúzia de astromélias reflectiam o sol da manhã, perdidas no entusiasmo do reencontro.

E ali, a meia dúzia de metros, o filho repousava a inocência do seu corpo no frio da laje de cimento do túmulo da mãe, tagarelando com um sorriso acerca das aventuras dos primeiros dias de escola.

*

João não conseguiu evitar fungar compulsivamente quando leu as últimas frases daquele livro. Apesar do seu metro e noventa todo ele era uma mistura de soluços e lágrimas e ranho quando lia aquelas histórias tão tristes, como era a de Norberto e do seu filhinho órfão! 

Pegou num lenço perdido entre os invólucros brutalmente assassinados dos chocolates de leite com avelãs e assoou-se ruidosamente!

Célia querida - disse dirigindo-se à mulher que estava na outra ponta do sofá - tens que ler este livro! A história é tão triste que acho que vou ficar desidratado de tanto chorar!

Célia sorriu insipidamente para o marido durante uma milésima de segundo, voltando a embrenhar-se na pesquisa que estava a fazer no telemóvel.

Tinha recebido uma proposta extremamente tentadora a nível monetário de um novo cliente, o problema é que ele queria uma forte componente de coprofilia, algo que Célia nunca tinha sequer imaginado fazer.

Problemas, só problemas...

Tema da semana: Já chegamos? Já chegamos? 

Triptofano escreve aqui

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Tema #11 Osapo

27
Nov19

Já perceberam que sou um cachorro ...

Fui encontrado na rua. Tenho pelo castanho, comprido, que escurece no verão quando ando à solta pela areia da praia ou pela relva do jardim.

A minha dona encontrou-me quando andava pelas ruas, abandonado e desprotegido. Vive sozinha. É ruiva e deve ter 30 e poucos anos.

Levou-me para casa nesse dia e tem tratado de mim. Nunca confiei nos humanos, mas confio nela. Na verdade conseguiu que aos poucos vá confiando um pouco mais nas pessoas.

A Margarida gosta de mim. Sorri-me, fala comigo e faz-me festas. A minha dona chama-se assim. Não sei o que faz, mas gostou de mim mal me viu. Fugi dela quando a vi. Achei que era um perigo para mim. Mas, aos poucos, com a sua voz doce, fez-me aproximar e levou-me para casa dela.

Foi muito estranho. Não sei como, mas entendia o que me dizia e ela parecia perceber os meus latidos.

Sim, já perceberam que sou um cachorro.

Gosto quando me dá o banho e me esfrega o shampoo ao longo do meu pelo. Gosto quando me seca com a toalha e me dá mimos enquanto fala docemente.

Durmo no quarto, desde o primeiro dia. Comecei por ficar no tapete, mas acordei na cama dela. Sou eu que a acordo. Às vezes levo a coleira na boca. E ela, não sei como, sabe o que quero.

Nem todos os dias fica em casa. Sai de manhã e volta quando anoitece. Quando a vejo chegar é uma festa. Rebolo-me e salto-lhe, erguendo as patas para ela. Não tem medo de mim e não foge. E gosto do mimo que me dá. Gosto do beijos que me dá quando me agarra o focinho. Gosto muito do cheiro dela.

Disse-me que tem que escrever um texto para um desafio duns pássaros. E que já vai atrasado. Devia ter mandado ontem, mas andou muito ocupada. Vai falar de nós ...

Admiro e elegância do voo dos pássaros e gostava de poder voar. Quem sabe há diferentes formas de voar. Se pudesse voar ia para uma ilha, que eu sei.

Gosto de a ver deitar-se. Gosto quando se abraça a mim.

Quando se deita nua, já sei que me vai puxar para ela enquanto me diz:

Quim, meu cachorro lindo … ama-me como só tu o sabes fazer … e faz-me voar!

E eu levo a minha dona até à tal ilha …

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Osapo escreve aqui

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Tema #11 Insensato

27
Nov19

A gata que ganhou asas

A racionalidade é frequentemente posta em causa pelos humanos, em diferentes contextos, numa sintonia de verborreias.
O insulto é a comiseração das fraquezas. Os atos perigam a insanidade, uma vez que estes designam a grandeza e a diferença.

Linda pressentiu a dissemelhança daquele dia, pelo que se posicionou no sofá de frente para a cama da dona. O último mês decorreu de forma inusitada, uma vez que ela recusava a comida, já não gritava nem reagia às brincadeiras do neto, e a filha tinha grande dificuldade em desempenhar as tarefas como cuidadora informal.

 

A certa altura, Linda abriu os olhos e fixou-os na dona deitada no colo da filha, com o neto a tentar detetar eventuais batimentos cardíacos. Prantos de dor fizeram-se sentir, num seio dolente, ofuscados pela intensidade. Num gesto de dignidade, alheia a muitos, a gata, de vinte e três anos, manteve-se durante dois dias naquele sofá, ausentando-se somente por questões fisiológicas prioritárias.

 

Passado este tempo, começou a dormir na cama dos descendentes da dona, vagueando, à noite, entre quartos. Não admitia ficar sozinha em casa. Um dos seus maiores prazeres consistia em estar com a família, na mesma divisão da casa, se possível a ver alguma série. Apesar da idade, Linda era ativa e de tudo tentou para atenuar o mutismo dos lutos circundantes

 

O tempo é volátil. Por vezes, atroz e a vida nem sempre é justa.

Inesperadamente, Linda começou a regredir, um pouco à semelhança do que aconteceu, de início, com a sua dona. Certo dia, ganhou asas e voou para uma dimensão próxima da nossa, por forma a manter-se atenta a todos os que ama.

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Insensato escreve aqui

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Tema #11 Fátima Cordeiro

27
Nov19

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Intervenção da narradora-autora: Quando pensara num fim-de-semana fora da rotina, romântico, Guilherme pensara em sexo e comida. Já Matilde pensara em comida, conversas que começassem de manhã e terminassem de madrugada e algum sexo. Mas nenhum teve o que quis. Isto porque depois de quatro horas de expresso, mais uma hora para encontrar o hotel, uma hora para check-in e uma sesta (que ninguém é de ferro) e meia hora para um almoço rápido na tasca mais próxima, apareceu um animal nesta história. Chamava-se Constante, era um cão vadio e tinha acompanhado Pedro Orce na Jangada de Pedra. O cão veio gorar todos os planos do casal, como o próprio vos explica:
Constante: Fui ter com eles quando estavam a sair do restaurante. Falavam pouco. Havia tensão no ar. Mas ao mesmo tempo andavam de mãos dadas, como dois namorados. Fui atrás deles, era irresistível. Eram novos na terra, por isso não me mandaram uma pedra para eu fugir. Andei atrás deles por três ruas até que ela deu por mim. Ela tinha uma sandes que eu comi. Foi tudo o que eu quis! Continuei atrás deles enquanto eles visitavam a cidade.
Quando entravam em monumentos eu ficava cá fora e depois que saiam, continuava atrás deles. Foram lanchar a uma pastelaria e ela pediu um croissant para mim. Mas ele já começava a ficar cansado da minha presença e chateou-se com ela. Depois saíram da pastelaria. E eu atrás deles. E ele zangado. Mas ao mesmo tempo começou a olhar para mim com outros olhos. Continuei atrás deles: mais umas voltas à cidade e anoiteceu. Eles decidiram ir jantar ao hotel. Eu continuava atrás deles.
E então ele tomou a decisão mais inesperada (isso disse ela depois): trazer-me para o hotel escondido. Eles jantaram no bar do hotel. E tudo o que sobrou trouxeram para eu comer.
Nessa noite nenhum de nós dormiu. Eles preocupados que eu fizesse barulho.
O último dono deixou-me nesta “Cidade dos Arcebispos”. Cidade cheia de gente hostil porque conhecem a minha gula infinita. Ah, verdade. Não dormi porque estava com fome. O jantar sobre a pouco. Ele teve de vir ao bar do hotel buscar alguma coisa para mim às 5h da madrugada.
A vida de cão vadio é boa, mas um cão também precisa de quem cuide de nós. Por isso quando o dia nasceu tive esperança de finalmente ter encontrado novos donos.

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Fátima Cordeiro escreve aqui

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Tema #11 Gabi

27
Nov19

Acordo e saio para passeio matinal com humano ou humana a meu cargo. Adoro passear e quero sempre ir, mas não gosto lá muito quando chove.

No regresso levam-me para casa da avó porque vão trabalhar. Sei que ela é frágil e não pode levar-me a passear por isso em casa dela sou menos efusivo e farto-me de dormir. Ela tapa-me com uma mantinha.

Vêm-me buscar ao final do dia, às vezes humana traz a irmã (a tia, que está a escrever por mim) e  fico super entusiasmado quando os vejo, damos uma pequena volta ali perto e seguimos de carro para casa. Vou bem atento ao que se passa ao redor, e às vezes zango-me quando vejo algum dos meus inimigos na minha zona.

 A seguir como – comida de uma latinha, sempre pouca, poderia comer muito mais, e vamos passear. Aproveito para marcar território e socializar sobretudo com algumas cadelinhas. Ao jantar deles, peço, mas não me dão comida, só de vez em quando alguns biscoitos, poucos. Estou super atento para apanhar alguma coisa que possa cair ao chão, até guardanapos de papel, mas depois é uma luta para os conseguir comer.

 Percebo bem o que me dizem, mas normalmente gosto é de fazer a minha vontade, como seguir à frente nos passeios, e parar quando querem regressar, e posso até dificultar quando resolvem levar-me ao colo para casa, depende. Normalmente ganho muitas festas de todos, não percebo é porque não entendem que quero biscoitos quando fico a olhar fixamente para o lugar onde os guardam…

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Gabi escreve aqui e aqui

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Tema #11 Silvana

27
Nov19

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Eu sou a Riscas, uma gata cheia de personalidade e com uma história muito peculiar. Fui eu que escolhi os donos. Confusos? É simples! Vivia aqui na rua com a minha primeira família e com toda uma turma gatina. Há uns tempos esta minha família mudou de casa. Eu não gostei do espaço. Fugi e voltei para a minha antiga rua. Vieram buscar-me 3 vezes, mas eu fugia sempre para aqui.

No início foi complicado. Não me aproximava de ninguém, vagueava pelos campos, fazia as minhas caçadas. De entre as várias casas da rua havia uma com potencial. Era grande, com comida e muito espaço para passear. Faltava o mais difícil: imiscuir-me no seio daquela família. Qual foi a melhor forma? Tornar-me amiga do peludo que lá vivia.

O cão era um tipo simpático, mas muito ciumento. Recebia demasiados mimos daquela gente. Era um rei dentro de casa. Duvidam da minha palavra? Então vejam só: era ele que ocupava o sofá maior escolhendo quem ficaria ao pé dele; no Inverno, andavam sempre com a cama dele às voltas para que ele apanhasse o sol que queria... Era uma chatice, não estava a conseguir conquistar muito espaço no meio daquela gente. Pelo menos, sempre me alimentaram.

Foram simpáticos comigo! Deram-me espaço e, com o tempo, fui-me aproximando. Consegui partilhar a cama com o cão, o prato dele e, nos raros momentos de bondade canina, até um lugar no sofá me foi permito (mas sempre com o devido respeito por ele). Ganhei um amigo e uma família.  

Há uns tempos atrás as coisas mudaram. O Tico esteve fora e voltou um pouco estranho. Durante o dia foi ficando pior e eu só via a minha nova família triste. Ao fim do dia, saíram de novo com ele. Voltaram com uma caixa e muita tristeza. Eu bem miei em volta da caixa, que cheirava ao Tico, mas ninguém me explicava o que estava a acontecer. Foram dias muito tristes. Não sabia do meu amigo, a família andava estranha e eu só ouvia “Lembras-te quando o Tico descobriu a Pipoca (esta é outra com ar de importante)?” ou “Já viste, faz como o Tico!” e eu só me apetecia grimiar EU NÃO SOU UM CÃO!

 Nunca mais vi o Tico! Agora sou eu que comando. Faço o que quero, mio de acordo com as minhas necessidades e não é que eles me percebem sempre?

 

Nota:
Para saberem mais sobre o Tico podem ler aqui e aqui
A Pipoca é uma Agapone que eu alimentei desde bebé. É como qualquer outro animal de estimação. Reconhece-nos, interege connosco... Mas é um bocado rufia e bica tudo à sua passagem. Tinha fotografias dela noutro telemóvel e não consegui recuperar nenhuma paa colocar aqui.

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Silvana escreve aqui

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Tema #11 Coiso

27
Nov19

6:25 – Ora boooooooooooooooooooom dia. Então tudo bem, dono? O teu pai? A tua mãe? Onde estão, onde estão? Ahhhhhhh, que bom o meu leitinho com café!

6:50 – Então já te vais embora? Ainda está escuro lá fora. Deixas-me ficar cá dentro?

7:10 – Olá, Pai do dono, podes levar-me à casa de banho? O dono já me deu o meu leitinho com café, o meu intestino já está a trabalhar a toda a velocidade e tenho de fazer xixi!

7:20 – Ahhhhhhhhhhh, que maravilha! Xixizinhos com fartura e um cocó beeeeeeeem grande!

7:30 – Já vais sair, Pai do dono? A Mãe deve estar quase a descer. Posso cá ficar? Posso? Posso? Posso? Muito obrigado!

7:45 – Bom dia Mãe. Que feliz que estou por te ver. Fazes-me festinhas? O dono e o Pai já me fizeram, mas as tuas são melhores. Tens as unhas mais compridas e eu tenho muito pêlo! Que maravilha!!! Obrigado. Já bebi o leitinho, mas ainda como qualquer coisa que não te apeteça do pequeno almoço. Sim, essas torradinhas com ar delicioso, com essa gordurinha de presunto! Gosto tanto!

8:30 – Olha, chegou a senhora da limpeza, que fixe, vou ter companhia o dia todo! E posso ir brincar com ela porque ela gosta muito de mim!

12:40 – Yupiiii, o dono veio almoçar a casa. Vamos passear? Vamos? Vamos? Vamos? Vamos? Vamos? Vamooooooooooooooos!

13:00 – Tá na hora de começar a cair qualquer coisa para eu comer!

14:00 – Dono sozinho em casa, deve estar a chegar alguma miúda!

14:05 – Dono, campainha! Dono, campainha! Dono, campainha! Dono, campainha! Dono, campainha!

14:06 – Esta miúda não conheço! É gira!

17:00 – Olha, a miúda já se vai embora…

18:00 – Chegou a mãe do dono! Vai começar a cheirar bem cá em casa!

19:30 – Família à mesa a jantar. Vou ficar aqui sossegadinho no meu canto, que a seguir sou eu!

20:30 – Agora que já jantei, tá na hora de ir à casa de banho. Donooooooooooooooooooo!

21:00 – Hora de ir para a sala da família, receber festinhas e deitar aos pés do Pai do dono!

22:00 – Acho que vou dormir para a cozinha…

 

Remembering Yuri, the 47kg Samoyedo – 1996 – 2006 – Rest in Peace my friend!

 

Tema da semana: Um dia na tua família... do ponto de vista do teu animal de estimação.

Coiso escreve aqui

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Tema #9 Triptofano

26
Nov19

O céu estava perfeitamente limpo, com a excepção de uma ou outra gaivota que desafiava as leis da física de tão anafada que era.

Uma onda mais rebelde devorou-lhe metade da perna esquerda fazendo-a acordar sobressaltada, com a cabeleira cheia de areia e o corpo totalmente desnudo a escaldar do sol impiedoso.

Olhou em volta numa mescla de surpresa e incredulidade - o que é que estava a fazer naquele areal? como é que tinha ido ali parar? quem era ela?

Atada ao pé, como se fosse um presunto duma loja gourmet, uma etiqueta dourada ostentava um nome em letras cursivas - Jocilene

Seria ela Jocilene? Não se conseguia lembrar do seu nome, mas a conjugação sonora das sílabas trazia-lhe alguma tranquilizante familiaridade.

Sem aviso, uma dor azul lancinante trespassou-lhe a cabeça fazendo-a cerrar furiosamente os olhos.

Ícaro.......Ondansentrons.......Neotigason

A glande do seu clitóris emergiu do prepúcio, e Jocilene percebeu instintivamente que estava em perigo. Olhou em redor e viu, no fundo do areal, umas figuras disformemente humanoides em tons de cinzento a flutuar lentamente na sua direcção.

Foge.....foge......foge......foge!

Correu o mais depressa que pôde em direcção à floresta que ficava a meia dezena de metros de onde estava, transitando da fofura da areia da praia para a aspereza do solo coberto de folhas de palmeira que lhe causou pequenos cortes nas palmas do pés, com a boca inesperadamente inundada de um sabor a chocolate-hortelã e a Gatorade de laranja.

Continuou a correr desvairada, assustada, embrenhando-se por completo na vegetação, até bater de frente com uma figura que também ela corria.

Não era um humanoide disformemente cinzento, mas sim um homem cuja principal característica era um Prince Albert, um piercing dourado que lhe fazia sobressair os atributos varonis.

Ícaro?

Não, Emanuel, ou pelo menos é o que a etiqueta diz. - apontando para a identificação do pé, exactamente igual à de Jocilene - Também viste as criaturas?

Os Ondansetrons? Sim, estavam no areal...

Como é que sabes o nome deles? Já os conheces? O que é que estamos aqui a fazer?

Eu não sei...- balbuciou Jocilene -...simplesmente sei.

Ok, não interessa. Vem comigo, há uma cabana a pouca distância daqui. Lá estaremos em segurança.

Emanuel recomeçou a correr pela vegetação e Jocilene seguiu no seu alcance, fitando-lhe o cu redondo saltitante.  Teve de se obrigar a controlar os pensamentos pecaminosos, precisava primeiro de ficar a salvo e perceber a situação em que se encontrava.

A cabana encontrava-se totalmente camuflada de olhares curiosos e no seu interior apenas existia um pequeno frigorífico.

Quando Jocilene passou a porta a dor lancinante voltou a trespassar-lhe a cabeça, como uma bomba atómica lançada na sua cavidade craniana.

Eles estão aqui.....eles estão aqui.....eles estão aqui....

O seu clitóris começou a vibrar descontroladamente. Estava em perigo, estava em perigo, ESTAVA EM PERIGO.

Jocilene, está tudo bem? - Emanuel pousou-lhe uma mão no ombro, mas não era uma mão humana, era um apêndice de três tentáculos com artroses que se lhe colavam à pele. Ele era um deles, ele era o perigo, ele ia matá-la....

Em cima do frigorífico estava um taco de golfe, que Jocilene ia jurar que antes não se encontrava lá, mas era a sua única chance.

Num salto agarrou a arma, e com um movimento digno de um filme de Hollywood, ao mesmo tempo que o clitóris explodia num orgasmo insano, rachou a cabeça do filho da puta do alienígena que a queria matar.

O corpo de Emanuel caiu inerte no chão e nesse preciso instante o crânio de Jocilene quase que implodiu com a estrastosférica dor azul que a invadiu!

***

Enfermeira, desligue o simulador de realidade virtual.

Samuel carimbou furiosamente uma data de papéis rubricando uma mão cheia de outros, que teria de levar de volta para o escritório amorfo onde trabalhava. Aquele escritório que parecia ainda mais deprimente desde que Beatriz lhe tinha dito que não.

Injecto mais uma dose de medicamento e volto a ligar o simulador para ver como a paciente se comporta desta vez Dr.Samuel? - perguntou a raquítica e macilenta enfermeira.

O telemóvel de Samuel vibrou. Uma mensagem.....de Beatriz!

Encontramos-nos numa hora no local do costume.

Samuel agarrou atabalhoadamente os papéis e dirigiu-se para a porta.

O estudo acabou Sra.Enfermeira. O novo medicamento está oficialmente aprovado. Obrigado pelo seu trabalho.

Mas, mas....o medicamento não é eficaz. Você viu que ela voltou a matar!

O nosso trabalho aqui não é saber se o medicamento é ou não eficaz, mas se é ou não seguro. Ele não matou a paciente, se a paciente mata alguém ou não isso já não é connosco. - disse Samuel - Como se a Sra.Enfermeira não soubesse como funciona a indústria farmacêutica. - acrescentou com um riso escarninho enquanto se dirigia para a porta.

Então e o que é que eu faço com ela? - perguntou exaltada a enfermeira.

Queime-lhe os miolos! Depois eu invento qualquer coisa no relatório. - disse Samuel batendo a porta atrás de si, correndo ao encontro de Beatriz.

A enfermeira encolheu os ombros. Ordens eram ordens!

Ajeitou os sensores fotovoltaicos nas têmporas de Jocilene, aumentou para o máximo a potência e preparou-se para carregar no botão.

Tema da semana: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta 

Triptofano escreve aqui

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