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Desafio de Escrita

Tema #8

01
Nov19

Para a oitava semana, e convidamos os participantes a escrever sobre o tema:

Escreve uma carta para a criança que foste

As regras foram simples: em língua portuguesa (com ou sem acordo), prosa ou poesia e, no máximo, 400 palavras.

Podem ir visitar os blogs dos participantes abaixo listados para conhecer os textos que foram agora publicados ou podem, nos próximos dias, conhecê-los aqui.

 

3ª Face escreve aqui

A Gorda escreve aqui

Alexandra escreve aqui

Ana Deus escreve aqui

Ana Mestre escreve aqui

Ana Sofia Neves escreve aqui

Belinha Fernandes escreve aqui

Biiyue escreve aqui

Bla Bla Bla escreve aqui

Candeias escreve aqui

Caracol escreve aqui

Catarina Reis escreve aqui

Charneca em Flor escreve aqui

Coiso escreve aqui

Drama escreve aqui

Fatia escreve aqui

Fátima Bento escreve aqui

Fátima Cordeiro escreve aqui

Gabi escreve aqui e aqui

Happy escreve aqui

Inês Norton escreve aqui

Inês Pereira escreve aqui

Insensato escreve aqui

Isabel Silva escreve aqui

Joana Rita Sousa escreve aqui

José da Xã escreve aqui

Just escreve aqui

Lara Monteiro escreve aqui

Magda escreve aqui

Maria escreve aqui

Maria Araújo escreve aqui

Maria João escreve aqui

Marina Malheiro escreve aqui

Mia escreve aqui

Miluem escreve aqui

Miss X escreve aqui

Mula escreve aqui

Osapo escreve aqui

Outra escreve aqui

Peixe Frito escreve aqui

Pó de Arroz escreve aqui

Sarin escreve aqui

Silvana escreve aqui

Sónia Figueiredo escreve aqui

Triptofano escreve aqui

 

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Tema #7 Happy

01
Nov19

A Constança é aquela empertigada que costuma passar aqui pela loja de vez em quando. Ela faz-me sentir que eu não sou ninguém e toda a segurança que normalmente demonstro e sinto, se evapora assim que a vislumbro do outro lado da rua, todas as borboletas começam vêm concentrar-se no meu estômago. 

Já pensei ir ao psicólogo tentar perceber porque duas pessoas no mundo me fazem sentir essa insegurança toda. A minha mãe (obviamente) e Ela. (Nem consegui escrever Ela com e pequeno, vejam só!!)

Bom, mas a Constança entra e depois de deambular pela loja, e apesar de já lhe ter perguntado se precisava de algo em específico - intervenção que ela ignorou como só ela sabe fazer - dirigiu-se-me finalmente a dizer que procurava uma máscara capilar.

- Os meus cachos estão impossíveis! (reparo que parece acabadinha de sair de um salão, pronta para uma passagem de modelos). Não consigo fazer nada do cabelo!! Mas estes produtos que aqui vejo são todos tão baratos! (esta era outra característica d' Ela. Apesar de todos os meus conselhos, ela acabava sempre por levar o produto mais caro).

Começa-se a desenhar maquiavelicamente a minha vingança e digo-lhe que tenho um produto acabadinho de chegar, ideal para os seus altos padrões, algo completamente natural, que um fornecedor colocou à consignação. Que ainda nem o desembalei. Que vai demorar um pouquinho.

Vou para as traseiras da loja. Procuro a compota de abóbora e amêndoa que o meu patrão insistentemente procura que eu impinja aos clientes. Agarro no frasco mais bonito. Arranco a etiqueta de um frasco da L'Oreal que dizia 'nova solução para cabelos', passo por uma prateleira onde está o produto mais caro que temos na loja e volto a arrancar a etiqueta. Colo-as ambas e dirijo-me à Constança.

- Este produto é maravilhoso. É carote, mas aposto que se vai sentir nas nuvens!

Ela observa a embalagem, o preço, pergunta como se aplica (basta diluir em água e deixar na cabeça 20 minutos, digo eu muito convicta) e afirma do alto dos seus laboutins: Preço não é impedimento!

Coloco o frasco num saco de papel e Ela sai da loja.

 

Volta passado uma semana, afirma que está satisfeitíssima com a máscara. Que os seus cachos ganharam nova vida. E antes que eu consiga colocar um ar estupefacto, diz:

- Preciso urgentemente de um bom anti-formigas. Tenho a casa inexplicavelmente empestada!

 

 

Tema da semana: A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar

Happy escreve aqui

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Tema #7 Marina

01
Nov19

(A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abóbora com amêndoa. Convence-a  a escolher a compota para usar )

Constança é “tão tão tão” fútil que só sai de casa com as pestanas postiças, as lentes de contacto verde água e o cabelo esticadíssimo.

Para Constança a vida é  uma imagem permanente de si própria no blog que tem, no Instagram, no Facebook e outros “ook”.

Falarem-lhe em política nacional e internacional, no Brexit, fá-la ficar estática acenando com a cabeça ao interlocutor. Nunca votou. Raramente sabe onde está o cartão do cidadão ou a carta de condução mas sabe sempre onde está o verniz , o encaracolador de pestanas, o blush e o pó do bronzeador para o corpo, caríssimo, que lhe enviaram pelo correio depois de posar semi-nua diante do espelho da casa de banho nas redes sociais.

Tem milhares de seguidores nas redes. Troca pérolas de conversa interessantíssimas com eles sobre a existência de Ovnis ou se realmente o Elvis morreu ou está na Argentina.

Numa dessas conversas acutilantes esticava o cabelo com o ferro de alisar e as pontas começaram a arder. Desesperada, dirigiu-se para a casa de banho e pensou que tinha de ligar ao seu “hairdresser”. Precisava de uma máscara capilar!

Liguei-lhe naquele momento, desconhecendo a sua aflição.

 “Estou ? Estamos a ligar da empresa “Fruta a dias”. Vimos a sua foto junto a umas abóboras no campo no seu Insta e gostaríamos que representasse a nossa empresa nas redes sociais. “

Constança soltou um grito. “O quê?”!

“Queremos que represente a nossa empresa. Agora estamos a promover a venda de compotas de abóbora com amêndoa. Fazemos contrato publicitário. Só terá de tirar de vez em quando umas fotos a comer estas compotas, sublinhando a sua excelência nutricional.”

“Nutri quê? Isso pode usar-se no cabelo? ” , perguntou Constança.

Com o coração na boca, pois tinha de conseguir este contrato senão o meu patrão despedia-me, respondi que sim.

Ficou ótima a foto de Constança, tirada com um telemóvel de penúltima geração., com compota de abóbora com amêndoa no cabelo, tirada no fresquinho Guincho com a hastag # fruta do dia#.

[música: Blondie, Sunday Girl, 1979, all rights reserved to Blondie]

 

Tema da semana: A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar

Marina Malheiro escreve aqui

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Tema #7 - A Caracol

01
Nov19

A primeira que coisa que me chamou à atenção foram os sapatos. De marca, provavelmente valendo mais que o meu salário de dois meses, de verniz preto e um tacão que provocava vertigens só de pensar colocar-me em cima dele.

A seguir vieram as pernas: esguias, torneadas e capazes de me fazer chorar de inveja. O vestido de cabedal, justo e colado às ancas, deixava antever um glúteo perfeito, duro e trabalhado. O decote, não muito acentuado, realçava o colo, com mexas de cabelo loiro ondulado caindo em pedaços em sítios que o tecido teimava esconder. Quando foquei o rosto, senti-me despida por uns olhos verdes, cristalinos e pouco simpáticos.

Quem raio fazia uma fulana como esta cá na terra?

- Boa tarde. Posso ajudar?

- Boa tarde. Onde estão as máscaras capilares?

Arrogantezinha de merda. Ainda por cima boa como o aço. Badalhoca. Não temos máscaras capilares sua magrela, pau de virar tripas.

- Máscaras capilares, de momento, estão esgotadas. Mas temos aqui uns amaciadores muito bons. Deixe-me mostra….

- Condicionador não quero, obrigada.

Olhá a vaca a chamar-me burra nas entrelinhas.

- Precisava mesmo era de uma máscara… Tenho as pontas todas danificadas.

‘Pera aí que eu já t’atendo.

- É como lhe digo: máscaras não temos. Mas… Já pensou em experimentar um produto mais natural? Tem um cabelo tão bonito que é um crime enchê-lo de químicos.

- Acha mesmo?

- Se eu acho? Já reparou nos ingredientes de uma máscara capilar? Aquilo é o demónio em forma de creme acetinado! Olhe… relembre-me o seu nome, por favor?

Logo vi que devias ter um nome desses todo betinho. Sonsa.

- Olhe, Constança, sabe qual é a indústria mais mentirosa que existe, logo depois da farmacêutica? A dos produtos capilares. Aquilo é só lobbys e photoshop para enganar o povo. Prometem-nos cabelos macios como a seda, mas ainda não há que chegue àquilo que os antigos faziam. A minha avó tem 95 anos e ainda hoje tem um cabelão capaz de fazer inveja à Rapunzel.

- O que me sugere então?

- Um cabelo como seu, merece um produto elaborado com carinho, com amor e dedicação. Biológico, de preferência e isento de glúten. O glúten é outro pequeno demónio: entranha-se nas pontas, insufla o o fio capilar e faz com que fique espigado.

- Nunca tinha pensado nisso… Tem algum produto desse género que possa experimentar?

- Olhe, por acaso tenho, sim senhora. Acabaram de chegar agora mesmo umas compotas de abóbora que são um doce para o cabelo. Feita com abóboras biológicas, sem açúcar refinado – que também faz um mal terrível ao couro cabeludo, tornando-o oleoso - e com amêndoas de cultura biológica, de Freixo de Espada à Cinta. 

- Compota?

- Compota. Já viu o cabelo da Kardashian? Aposto que é disto ela usa, aquele brilho não engana ninguém. Eu própria utilizo e é uma maravilha. Deixa atuar uma boa meia hora e depois lava normalmente.

- Bem, se é assim… Acho que vou experimentar. Levo um frasquinho.

- Vou dar-lhe dois e faço-lhe uma atenção, porque isto esgota sempre num instante. Mas é só por ser para si.

- Oh! Muito obrigada pela simpatia.

- Ora essa. Nada a agradecer, vai adorar! 

Cabra.

Tema da semana: A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar

A Caracol escreve aqui

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